{"id":10176,"date":"2022-10-10T11:17:30","date_gmt":"2022-10-10T18:17:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10176"},"modified":"2022-10-10T11:17:30","modified_gmt":"2022-10-10T18:17:30","slug":"can-can-ibalismo-1a-parte-valores-selados-dossier-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/10\/10\/can-can-ibalismo-1a-parte-valores-selados-dossier-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Can &#8211; &#8220;Can ibalismo 1\u00aa Parte&#8221; (valores selados | dossier | artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>BLITZ 26 SETEMBRO 1989 >> Valores Selados<\/p>\n<p><strong>Os Can foram, sem d\u00favida, um dos grupos mais marcantes de toda a d\u00e9cada de setenta. Surgidos do caldeir\u00e3o da cena underground berlinense do final dos \u00absixties\u00bb, cedo se demarcaram da orienta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica predominante neste movimento.<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<strong>CAN<br \/>\nIBALISMO<br \/>\n1\u00aa PARTE<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/can.jpg\" alt=\"\" width=\"621\" height=\"579\" class=\"alignnone size-full wp-image-10177\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/can.jpg 621w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/can-300x280.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/can-100x93.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 621px) 100vw, 621px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>A Kosmische Musik, por muitos erradamente apelidada de rock alem\u00e3o, entrava ent\u00e3o em cena, logrando implantar-se, anos mais tarde pelo resto da Europa. Um nunca mais acabar de grupos ensopados no psicadelismo da \u00e9poca, projetava todo um misticismo para o cosmos infinito. Era a resposta germ\u00e2nica ao Flower-Power dos jovens hippies americanos. A filtragem eletr\u00f3nica das experi\u00eancias alucinat\u00f3rias ou de auto-ilumina\u00e7\u00e3o, num contexto inovador. Quil\u00f3metros e quil\u00f3metros de cabos de liga\u00e7\u00e3o entre os sintetizadores e os neur\u00f3nios. A maioria n\u00e3o resistiu \u00e0 passagem do tempo e das modas e ficou pelo caminho. Para a Hist\u00f3ria ficaram, no entanto, alguns nomes importantes como Popol Vuh, Ash Ra Tempel, Cluster, Guru Guru, Wallenstein ou Neu, para n\u00e3o falar dos hoje superfamosos Tangerine Dream ou do papa da m\u00fasica planante, Klaus Schulze.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>FILMES DE MONSTROS<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n\tOs Can n\u00e3o foram em cantigas. Sintetizadores, nem v\u00ea-los. A \u00fanica concess\u00e3o \u00e0 eletr\u00f3nica era um estranho aparelho utilizado pelo teclista Irmin Schmidt, com o nome ainda mais estranho de Alpha 77. Procuravam o transe mas por outras vias.<br \/>\n\tAo contr\u00e1rio dos seus companheiros de armas, alucinados pelos canos e bot\u00f5es dos seus Moogs, A.R.P. e VCS3, era nas percuss\u00f5es hipn\u00f3ticas e no desregramento da voz que procuravam a liberta\u00e7\u00e3o. Onde todos os outros se voltavam para o Oriente em busca do novo Katmandou c\u00f3smico, os Can mergulhavam nas ra\u00edzes negras africanas. Onde todos os outros pronunciavam devotamente o OM universal, o vocalista japon\u00eas Kenjo \u00abDamo\u00bb Suzuki berrava histericamente onomatopeias sem sentido aparente, quando n\u00e3o apenas sons guturais ou gritos lancinantes, nem esp\u00e9cie de regress\u00e3o \u00e0s origens da voz humana.<br \/>\n\tA forma\u00e7\u00e3o que deu melhor conta de si foi o cl\u00e1ssico quinteto constitu\u00eddo pelo j\u00e1 citado \u00abDamo\u00bb Suzuki, at\u00e9 ent\u00e3o cantor de rua, o teclista Irmin Schmidt e o genial baixista Holger Czukay, ambos ex-disc\u00edpulos de Stockhausen, o baterista e percussionista Jaki Liebezeit e o guitarrista Michael Karoli.<br \/>\n\t\u00abMonster Movie\u00bb de 1969 foi a primeira grande obra, evidenciando uma sonoridade ainda n\u00e3o totalmente liberta das influ\u00eancias da West-Coast americana, com longas improvisa\u00e7\u00f5es \u00e0 boa maneira das jam-sessions de grupos como os Grateful Dead ou Jefferson Airplane. Mas j\u00e1 l\u00e1 estava a batida hipn\u00f3tica e metron\u00f3mica caracter\u00edstica de toda a sua obra.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<strong>GRITOS E SUSPIROS<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n\u00abTago Mago\u00bb \u00e9 a primeira obra-prima, um duplo \u00e1lbum literalmente avassalador. Os ritmos tornam-se mais complexos. A guitarra de Karoli cortando a direito como uma l\u00e2mina de a\u00e7o.<br \/>\nSchmidt produzindo com o seu Alpha 77 sons de insetos mutantes e, claro, a voz e o canto crescentemente alucinados de Suzuki. A par de longas sequ\u00eancias de instrumentais de quase 20 minutos, can\u00e7\u00f5es como o cl\u00e1ssico \u00abMushroom\u00bb ou a resposta ao misticismo ent\u00e3o vigente: \u00abAumgn\u00bb, par\u00f3dia amea\u00e7adora e distorcida \u00e0 s\u00edlaba sagrada OM ou AUM, invertendo a polaridade \u00e0s sonoridades eletr\u00f3nico-planantes. Imensa e terr\u00edfica catedral demon\u00edaca, povoada de ecos cavernosos e repeti\u00e7\u00f5es angustiantes, num jogo infinito de espelhos. Mas tamb\u00e9m o humor e o encantamento de Alice no Pa\u00eds das Maravilhas de \u00abBring me Coffee or Tea\u00bb. \u00abTago Mago\u00bb marca decisivamente o in\u00edcio da d\u00e9cada, confirmando os Can como um dos seus grupos mais vanguardistas.<br \/>\nSegue-se \u00abEge Bamyasi\u00bb, de 72, levando todas as premissas musicais do grupo aos limites do absurdo e do del\u00edrio. \u00abDamo\u00bb Suzuki ora gritando at\u00e9 ao paroxismo, revirando-nos as tripas, ora sussurrando ladainhas incongruentes ou de oculto sentido. \u00c9 o disco da paranoia mais ou menos controlada. Depois dele tiveram mesmo de descansar, gravando \u00abSoundtracks\u00bb, como o nome indica, uma recolha de temas utilizados em diversas bandas sonoras.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>DIAS FUTUROS<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n1973 v\u00ea aparecer \u00abFuture Days\u00bb, para muitos o melhor \u00e1lbum do grupo, opini\u00e3o que partilho. \u00c9 a obra da maturidade. A for\u00e7a e o telurismo at\u00e9 ent\u00e3o dificilmente contidos s\u00e3o aqui magistralmente manipulados. A sucess\u00e3o de cl\u00edmaxes \u00e9 substitu\u00edda por um processo de sublima\u00e7\u00e3o, tornando a m\u00fasica infinitamente mais serena. \u00abBel Air\u00bb, que ocupa a totalidade do segundo lado, \u00e9 o apogeu, o ponto culminante de uma m\u00fasica que aqui atinge a perfei\u00e7\u00e3o. Afinal os Can tamb\u00e9m alcan\u00e7aram o seu Nirvana.<br \/>\n\u00abLimited Edition\u00bb \u00e9 um apanhado de temas originais gravados entre 68 e 74. Esbo\u00e7os de um humor surrealizante (\u00abBlue Bag\u00bb, \u00abMother Upduff\u00bb) e a introdu\u00e7\u00e3o das s\u00e9ries E.F.S. (Ethnological Forgery Series), pequenas pe\u00e7as de aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica \u00e9tnica (a mais antiga datada de 68!). Entretanto o vocalista japon\u00eas abandonava o grupo para se juntar \u00e0s Testemunhas de Jeov\u00e1 (!). Era de prever a sua loucura definitiva\u2026 As vocaliza\u00e7\u00f5es passaram a estar a cargo de Michael Karoli que tem a parte de le\u00e3o no \u00e1lbum seguinte, \u00abSoon Over Babaluma\u00bb. \u00c1lbum essencialmente instrumental em que Karoli d\u00e1 li\u00e7\u00f5es na arte de bem tocar guitarra e se desembara\u00e7a razoavelmente no violino. O \u00e1lbum inclui \u00abComo Sta La Luna\u00bb, uma inspirada maluquice cantada em espanhol, lembrando um dos descarrilamentos t\u00edpicos de Kevin Ayers.<br \/>\n\u00abLanded\u00bb de 75 e \u00abFlow Motion\u00bb do ano seguinte, s\u00e3o os derradeiros trabalhos \u00e0 altura dos anteriores pergaminhos e os \u00faltimos gravados com o ent\u00e3o quarteto constitu\u00eddo por Karoli, Schmidt, Czukay e Liebezeit. Ostentam o som habitual do grupo, por esta altura j\u00e1 consagrado em toda a Europa.<br \/>\n\u00abSaw Delight\u00bb assinala o in\u00edcio da decad\u00eancia. Mas esta e outras hist\u00f3rias ficar\u00e3o por contar at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3xima semana. Assim, no pr\u00f3ximo n\u00famero, n\u00e3o perca: \u00abO c\u00e9lebre concerto no Pavilh\u00e3o dos Desportos\u00bb, \u00abAventuras e desventuras a solo de cada um dos Canibais\u00bb. Tudo isto e muito mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BLITZ 26 SETEMBRO 1989 >> Valores Selados Os Can foram, sem d\u00favida, um dos grupos mais marcantes de toda a d\u00e9cada de setenta. Surgidos do caldeir\u00e3o da cena underground berlinense do final dos \u00absixties\u00bb, cedo se demarcaram da orienta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica predominante neste movimento. 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