{"id":10147,"date":"2022-10-03T03:46:06","date_gmt":"2022-10-03T10:46:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10147"},"modified":"2022-10-03T03:46:06","modified_gmt":"2022-10-03T10:46:06","slug":"varios-a-galinha-dos-cds-de-ouro-artigo-de-opiniao-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/10\/03\/varios-a-galinha-dos-cds-de-ouro-artigo-de-opiniao-mercado\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;A Galinha Dos CDs De Ouro&#8221; (artigo de opini\u00e3o | mercado)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 26 DEZEMBRO 1990 >> Pop Rock<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>A GALINHA DOS CDs DE OURO<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Em Inglaterra, o esc\u00e2ndalo rebentou como uma bomba, no princ\u00edpio do ano. Segundo a revista \u201cWhich!\u201d, as editoras metem a m\u00e3o no bolso (e na bolsa) dos cidad\u00e3os, \u00e0 custa de percentagens de lucro alegadamente escandalosas.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/CDsDeOuro.jpg\" alt=\"\" width=\"789\" height=\"498\" class=\"alignnone size-full wp-image-10148\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/CDsDeOuro.jpg 789w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/CDsDeOuro-300x189.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/CDsDeOuro-768x485.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/CDsDeOuro-624x394.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/CDsDeOuro-100x63.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 789px) 100vw, 789px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>Antes, o jornal sensacionalista \u201cThe Sun\u201d levantara j\u00e1 a pol\u00e9mica, embora em termos pouco rigorosos, o que lhe valeu de imediato a acusa\u00e7\u00e3o de \u201cfalta de seriedade\u201d por parte da BPI (\u201cBritish Phonographic Industry\u201d), \u00f3rg\u00e3o representante das editoras fonogr\u00e1ficas brit\u00e2nicas.<br \/>\nEm quest\u00e3o est\u00e1 o pre\u00e7o dos CDs (\u201cCompact Discs\u201d), segundo a \u201cWhich!\u201d (esp\u00e9cie de boletim informativo do equivalente brit\u00e2nico da nossa Associa\u00e7\u00e3o de Defesa dos Consumidores), \u201cmantidos artificialmente elevados\u201d, pelas editoras. A not\u00edcia interessa, na medida em que, no nosso pa\u00eds, grande parte dos CDs s\u00e3o importados de Inglaterra. O custo m\u00e9dio de cada unidade daquele formato ronda, no Reino Unido, os 90 pence (cerca de 230 escudos). Nas lojas, o pre\u00e7o ao p\u00fablico, cifra-se \u00e0 volta das 11 libras (2800 escudos). Segundo as contas do editor e articulista do \u201cThe Sun\u201d, Patrick Hennessy, as editoras obteriam de lucro, por cada CD vendido, qualquer coisa como dez libras (2550 escudos). Mais prudente e informada, a \u201cWhich!\u201d fazia contas diferentes para chegar contudo a id\u00eantica conclus\u00e3o: n\u00e3o se justificam os pre\u00e7os atualmente praticados na venda ao p\u00fablico dos CDs.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Contas e queixas<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nComparando-se as margens de lucro relativas, por exemplo, \u00e0 venda de LPs, verifica-se de facto uma disparidade de crit\u00e9rios. Nestes, o custo m\u00e9dio de fabrico, por unidade, \u00e9 de aproximadamente 180 escudos. O retalhista compra-a, em m\u00e9dia, por 1200 e o pre\u00e7o ao p\u00fablico fica-se pelos 1550 (mais 250 de imposto I.V.A., em Inglaterra V.A.T.), o que significa que as margens de lucro s\u00e3o da ordem dos 1000 e 350 escudos, por unidade vendida, respetivamente para a editora e retalhista. Em rela\u00e7\u00e3o ao \u201cCompacto\u201d, o pre\u00e7o de fabrico \u00e9 ligeiramente superior (em m\u00e9dia os tais 230 escudos), o retalhista paga 1860 e o p\u00fablico 2800 (2440, mais 360, de I.V.A.), donde se conclui que as margens de lucro aumentam neste caso, em m\u00e9dia, para 1630 escudos (mais 630 do que em rela\u00e7\u00e3o aos LPs) e 580 (mais 180).<br \/>\nAlegam as editoras que estas estimativas s\u00e3o falaciosas, n\u00e3o levando em conta despesas como aquelas relativas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o dos artistas, bem como a necessidade de recuperar os investimentos iniciais na Ind\u00fastria dos Compactos. Para John Deacon, diretor geral da B.P.I., as editoras faturariam nunca mais de uma libra (255 escudos) por unidade de CD, em vez das alegadas dez, considerando \u201cirrespons\u00e1veis, ofensivas e sem fundamentos\u201d as not\u00edcias vinculadas por aquelas publica\u00e7\u00f5es, queixando-se inclusive ao \u201cPress Council\u201d, organismo fiscalizador da Imprensa brit\u00e2nica.<br \/>\nNum neg\u00f3cio que s\u00f3 no ano passado rendeu lucros na ordem dos 58 milh\u00f5es de contos, relativos a 41700000 unidades vendidas, \u00e9 dif\u00edcil saber quem tem raz\u00e3o. Por um lado as editoras afirmam que, atendendo aos valores da infla\u00e7\u00e3o, os pre\u00e7os dos CDs \u201cdesceram\u201d de facto cerca de 40 por cento, em rela\u00e7\u00e3o aos praticados em 1983, ano do \u201cboom\u201d das vendas deste formato, e que o comprador \u201cest\u00e1 satisfeito com os pre\u00e7os praticados\u201d como o prova do facto das vendas n\u00e3o pararem de aumentar. A fa\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, que inclui consumidores e retalhistas, reclama que tudo n\u00e3o passa de especula\u00e7\u00e3o e que as editoras estariam mesmo a preparar novo aumento de pre\u00e7o dos compactos.<br \/>\nNas lojas, os vendedores defendem que as vendas aumentariam se os pre\u00e7os baixassem, acusando as editoras de tentarem evitar por todos os meios a queda demasiado brusca das vendas de LPs (o que aconteceria caso os pre\u00e7os de ambos os formatos se equiparassem), procurando deste modo faturar ao m\u00e1ximo nos dois campos, enquanto n\u00e3o surge no mercado o novo formato D.A.T. (cassete digital), que obviamente ser\u00e1 vendido a um pre\u00e7o aproximado do CD.<br \/>\nTamb\u00e9m os m\u00fasicos t\u00eam uma palavra a dizer neste assunto. Entre a maioria reina o descontentamento. H\u00e1 quem se queixe, como Peter Jenner, empres\u00e1rio de Billy Bragg, que as \u201croylaties\u201d pagas aos m\u00fasicos s\u00e3o, por cada CD, iguais \u00e0s praticadas com os LPs, isto \u00e9, cerca de 10\/15 por cento por unidade, valor ao qual s\u00e3o ainda deduzidos os custos de produ\u00e7\u00e3o ou da feitura de v\u00eddeos promocionais. Tendo em conta o pre\u00e7o a que os CDs s\u00e3o vendidos no mercado, torna-se f\u00e1cil deduzir o motivo dos protestos.<br \/>\nEd Bicknell (empres\u00e1rio dos Dire Straits) ou m\u00fasicos como Mark King (Level 42) e Curt Smith (Tears For Fears) alinham pelo mesmo diapas\u00e3o, acusando as editoras de faturarem em excesso \u00e0 custa dos artistas, pagos \u00e0 tabela dos discos em vinilo, recordando ainda os lucros extra que aquelas obt\u00eam, provenientes da venda de cat\u00e1logos antigos, reconvertidos para CD, ou a reedi\u00e7\u00e3o neste formato, de \u201cback catalogues\u201d dos anos cinquenta e sessenta, praticamente livres de quaisquer encargos.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Tudo Bem<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nQuanto \u00e0s editoras, acham que est\u00e1 tudo bem. Para Peter Scaping (diretor geral da B.P.I.), cada CD custa seis libras a produzir (cerca de 1500 escudos) e \u00e9 vendido ao retalhista por mais 255. T\u00e3o simples como isto. Os retalhistas s\u00e3o por sua vez atacados, por alegadamente manterem nas lojas os mesmos pre\u00e7os de venda ao p\u00fablico, embora comprando mais barato \u00e0s editoras. Pete Rezon (diretor musical da Polygram) refere mesmo que a sua editora chegou a baixar o pre\u00e7o por CD, em cerca de 80 escudos, sem que, nas lojas, se verificasse qualquer altera\u00e7\u00e3o. Max Hole (homem forte da WEA) v\u00ea as coisas noutra perspetiva: \u201cAdora\u201d o CD, como produto, afirmando sem preconceitos \u201co direito de fazer dinheiro \u00e0 sua custa\u201d, mas s\u00f3 para \u201cfinanciar novos talentos\u201d \u2013 acrescenta. Por seu lado, Jonathan Morrish (da CBS) avan\u00e7a a possibilidade de novo aumento no pre\u00e7o dos \u201ccompactos\u201d, subida que, \u201ctendo em conta a infla\u00e7\u00e3o\u201d ser\u00e1 afinal uma \u201credu\u00e7\u00e3o\u201d. No fundo, todos se queixam e t\u00eam raz\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 26 DEZEMBRO 1990 >> Pop Rock A GALINHA DOS CDs DE OURO Em Inglaterra, o esc\u00e2ndalo rebentou como uma bomba, no princ\u00edpio do ano. Segundo a revista \u201cWhich!\u201d, as editoras metem a m\u00e3o no bolso (e na bolsa) dos cidad\u00e3os, \u00e0 custa de percentagens de lucro alegadamente escandalosas. 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