{"id":10109,"date":"2022-09-22T07:52:32","date_gmt":"2022-09-22T14:52:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10109"},"modified":"2022-09-22T07:52:32","modified_gmt":"2022-09-22T14:52:32","slug":"fernando-magalhaes-no-forum-sons-intervencao-78-pensamentos-sobre-o-rock-parte-2-victor-afonso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/09\/22\/fernando-magalhaes-no-forum-sons-intervencao-78-pensamentos-sobre-o-rock-parte-2-victor-afonso\/","title":{"rendered":"Fernando Magalh\u00e3es no &#8220;F\u00f3rum Sons&#8221; &#8211; Interven\u00e7\u00e3o #78 &#8211; &#8220;Pensamentos sobre o rock &#8211; parte 2 (Victor Afonso)&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>#78 &#8211; &#8220;Pensamentos sobre o rock &#8211; parte 2 (Victor Afonso)&#8221;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernando Magalh\u00e3es<\/strong><br \/>\n19.02.2002 170559<br \/>\nquote:<br \/>\n________________________________________<br \/>\nPublicado originalmente por Victor Afonso<\/p>\n<p>&#8220;Satie (ainda que as pe\u00e7as deste para piano pare\u00e7am brincadeiras de crian\u00e7as). ________________________________________<br \/>\nOl\u00e1 Victor <\/p>\n<p>No essencial concordo com (quase) tudo o que escreveste. Com uma ressalva, por\u00e9m, e sobre isto aproveito a frase sobre o Satie, com a qual n\u00e3o estou de acordo. <\/p>\n<p>Prende-se ent\u00e3o esta minha &#8220;d\u00favida&#8221; sobre o que \u00e9 ou n\u00e3o complexidade. \u00c9 que me parece redutor analisar esta conceito unicamente \u00e0 luz da forma\/estrutura\/arquitetura musical de uma dada pe\u00e7a, ou seja, \u00e0 matem\u00e1tica pura e simples. <\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Esta complexidade pode ser &#8211; e \u00e9-o muitas vezes &#8211; um vetor emocional, sentimental ou psicol\u00f3gico. Algo, apenas percet\u00edvel ao n\u00edvel da interpreta\u00e7\u00e3o (n\u00e3o necessariamente t\u00e9cnica) ou da escuta subjetiva. Por isso cada maestro ou cada executante sentir\u00e1\/interpretar\u00e1 a mesma pe\u00e7a musical de forma diferente. <\/p>\n<p>Precisamente, no caso de Satie a complexidade n\u00e3o est\u00e1 na pauta propriamente dita mas na densidade emocional da sua m\u00fasica (o tipo era ma\u00e7on, n\u00e3o o esque\u00e7amos&#8230;).<br \/>\nQualquer pianista de meia tijela, \u00e9 verdade, conseguir\u00e1 tocar AS NOTAS de uma Gymnop\u00e9die ou de uma Gnossienne mas poucos s\u00e3o os que conseguem fazer a transposi\u00e7\u00e3o do universo interior contido na m\u00fasica do compositor.<br \/>\nH\u00e1 vers\u00f5es absolutamente pind\u00e9ricas e &#8220;light&#8221; da sua m\u00fasica. <\/p>\n<p>Mas se ouvires a interpreta\u00e7\u00e3o dos temas mais cl\u00e1ssicos e conhecidos de Satie por um pianista como REINBERT DE LOWE (que conheci h\u00e1 muitos anos atrav\u00e9s do &#8220;Em \u00d3rbita&#8221;) perceber\u00e1s melhor o que quero dizer com esta outra forma de entender o termo &#8220;complexidade&#8221;.<br \/>\nO jogo de tens\u00f5es\/sil\u00eancios, o modo como cada tecla \u00e9 percutida (como se tivesse sido exigida uma viv\u00eancia de anos, para o fazer&#8230;), modo como cada pausa \u00e9 estendida revelam uma coisa dif\u00edcil de atingir: sabedoria. De tal forma esta interpreta\u00e7\u00e3o exigiu tudo do pianista que este voltou novamente \u00e0s mesmas pe\u00e7as, cerca de 20 anos depois, como se a m\u00fasica de Satie continuamente lhe sugerisse a necessidade de aprofundar mais e mais a sua abordagem.<br \/>\n20 anos para tocar &#8220;pe\u00e7as que parecem brincadeiras de crian\u00e7as&#8221; !!!????. N\u00e3o me parece&#8230; <\/p>\n<p>Da mesma forma, h\u00e1 pe\u00e7as cl\u00e1ssicas tecnicamente extremamente complexas que cont\u00e9m uma enorme parcela de vazio&#8230;Ou seja, na pr\u00e1tica n\u00e3o s\u00e3o complexas na medida em que o vazio nunca \u00e9 complexo.<br \/>\nUm computador pode escrever uma pe\u00e7a formalmente mais complexa que qualquer humano, ao ponto de ser imposs\u00edvel a sua execu\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A m\u00fasica de BRIAN ENO \u00e9 complexa? Que valor tem um \u00e1lbum como &#8220;Discreet Music&#8221;, por ex,, criado de forma aleat\u00f3ria por um sistema de produ\u00e7\u00e3o sonora praticamente independente da componente humana? E, l\u00e1 est\u00e1, surpreendentemente, as sobreposi\u00e7\u00f5es harm\u00f3nicas dos v\u00e1rios loops postos &#8220;a correr&#8221; adquirem insuspeitos detalhes, de uma inultrapass\u00e1vel riqueza\/complexidade. A dado ponto, como no minimalismo, a m\u00fasica passa a desenrolar-se sobretudo no c\u00e9rebro do ouvinte, onde tudo se torna poss\u00edvel. <\/p>\n<p>A m\u00fasica de Mozart na interpreta\u00e7\u00e3o de Waldo de los Rios continua a ser complexa? <\/p>\n<p>Chegamos ao n\u00f3 da quest\u00e3o: O que \u00e9 ou n\u00e3o m\u00fasica, afinal de contas? : )<\/p>\n<p>sauda\u00e7\u00f5es musicais complexas : )<\/p>\n<p>FM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>#78 &#8211; &#8220;Pensamentos sobre o rock &#8211; parte 2 (Victor Afonso)&#8221; Fernando Magalh\u00e3es 19.02.2002 170559 quote: ________________________________________ Publicado originalmente por Victor Afonso &#8220;Satie (ainda que as pe\u00e7as deste para piano pare\u00e7am brincadeiras de crian\u00e7as). ________________________________________ Ol\u00e1 Victor No essencial concordo com (quase) tudo o que escreveste. 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