{"id":1009,"date":"2009-10-09T04:25:05","date_gmt":"2009-10-09T11:25:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=1009"},"modified":"2009-10-09T04:25:05","modified_gmt":"2009-10-09T11:25:05","slug":"matmos-musica-na-mesa-de-operacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2009\/10\/09\/matmos-musica-na-mesa-de-operacoes\/","title":{"rendered":"Matmos &#8211; M\u00fasica Na Mesa De Opera\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>23.02.2001<br \/>\nMatmos<br \/>\nM\u00fasica Na Mesa De Opera\u00e7\u00f5es<br \/>\nUma oportunidade de cortar \u00e9 uma oportunidade para curar. Sobre esta m\u00e1xima os Matmos partiram para o est\u00fadio como m\u00e9dicos cirurgi\u00f5es desejosos de cortar e coser. O disco cheira a \u00e9ter e a carne queimada.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/matmos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/matmos.jpg\" alt=\"matmos\" title=\"matmos\" width=\"425\" height=\"278\" class=\"alignnone size-full wp-image-1010\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/matmos.jpg 425w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/matmos-300x196.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/matmos_achance.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/matmos_achance.jpg\" alt=\"matmos_achance\" title=\"matmos_achance\" width=\"400\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-1011\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/matmos_achance.jpg 400w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/matmos_achance-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/matmos_achance-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/23583828\/matmos-_a_chance_to_cut_is_a_chance_to_cure_2001.rar\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/hsTkvNWBKvc&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/hsTkvNWBKvc&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Ru\u00eddos de uma opera\u00e7\u00e3o de lipoaspira\u00e7\u00e3o, o som do laser a cortar tecido \u00f3ptico, testes auditivos a crian\u00e7as surdas, agulhas de acupunctura amplificadas, a agonia de um rato de estima\u00e7\u00e3o gravada em directo, a fritura de narizes a serem cauterizados. Tudo isto serviu aos Matmos \u2013 Andrew Daniel e Martin Schmidt \u2013 para fazerem um disco, \u201cA Chance To Cut is a Chance To Cure\u201d, em que a m\u00fasica se confunde com uma opera\u00e7\u00e3o cir\u00fargica. O hospital como est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o. O est\u00fadio como cl\u00ednica de recupera\u00e7\u00e3o. Cortar e curar. O odor a formol da morgue e o cheiro a carne queimada foram montados de maneira a poderem ser dan\u00e7ados e escutados como uma experi\u00eancia que abre novos limites \u00e0 m\u00fasica electr\u00f3nica. O Y ouviu a receita destes dois filhos de m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>FM \u2013 Como \u00e9 que tiveram a ideia de fazer um \u00e1lbum desta natureza?<br \/>\n. Os nossos pais s\u00e3o ambos m\u00e9dicos e costum\u00e1vamos perguntar-lhes que sons \u00e9 que ouviam no trabalho, ach\u00e1vamos fascinantes as descri\u00e7\u00f5es que faziam. As pessoas t\u00eam uma ideia da m\u00fasica electr\u00f3nica como algo frio e maquinal. Quisemos falar de m\u00e1quinas como algo f\u00edsico, como o corpo humano. A gravarmos o som de maquinismos m\u00e9dicos, mesmo se s\u00e3o mec\u00e2nicos, criam logo a associa\u00e7\u00e3o com a sua ac\u00e7\u00e3o sobre o corpo. Levou algum tempo at\u00e9 conseguirmos recolher os sons de opera\u00e7\u00f5es.<br \/>\nFM \u2013 Como \u00e9 que conseguiram a autoriza\u00e7\u00e3o para fazer essas grava\u00e7\u00f5es?<br \/>\n. Houve vezes em que fomos corridos dos hospitais (risos). Mas havia sempre amigos ou conhecidos que conheciam algu\u00e9m e a quem ped\u00edamos se pod\u00edamos assistir \u00e0s opera\u00e7\u00f5es\u2026<br \/>\nFM \u2013 Falaram com os pacientes?<br \/>\nClaro, a maior parte envolveu-se no projecto! Alguns sentiam-se orgulhosos. Uma amiga nossa, por exemplo, deixou-nos gravar a opera\u00e7\u00e3o a que foi submetida aos olhos, o som do laser, e logo que a opera\u00e7\u00e3o acabou foi a correr para casa para ouvir as grava\u00e7\u00f5es. Foi importante para n\u00f3s que n\u00e3o se tratasse de explora\u00e7\u00e3o\u2026 Noutras ocasi\u00f5es, a autoriza\u00e7\u00e3o veio dos m\u00e9dicos que nos deixavam entrar. Mas deu trabalho. Na Am\u00e9rica \u00e9 f\u00e1cil ser-se processado pelos motivos mais triviais. Por isso encontrar um m\u00e9dico em quem pud\u00e9ssemos confiar e que nos permitisse estar presente num ambiente esterilizado, sem dar cabo de nada\u2026<br \/>\nFM \u2013 Os m\u00e9dicos n\u00e3o se sentiam perturbados por vos terem ao lado com gravadores e microfones a funcionar?<br \/>\n. Na verdade encararam a coisa como se fosse uma \u201cperfomance\u201d, como se estivessem a actuar num espect\u00e1culo. Por exemplo, no tema da lipoaspira\u00e7\u00e3o, ao saber que \u00edamos gravar, o m\u00e9dico decidiu usar uma agulha maior do que o costume, s\u00f3 para fazer mais barulho. Digamos que \u201ctocou\u201d toda a \u00e1rea de carne que estava a ser aspirada.<br \/>\nFM \u2013 Como \u00e9 que se sentiram durante as grava\u00e7\u00f5es? Estavam conscientes do sofrimento f\u00edsico dos pacientes?<br \/>\n. Todas as opera\u00e7\u00f5es que grav\u00e1mos, de cirurgia est\u00e9tica, n\u00e3o eram indispens\u00e1veis \u00e0 sa\u00fade das pessoas envolvidas. Se houve sofrimento, foi volunt\u00e1rio, ou j\u00e1 traziam o sofrimento com elas, antes. E estavam sob o efeito da anestesia, por isso podia observar-se \u00e0 vontade as reac\u00e7\u00f5es do corpo. \u00c0s vezes custava observar\u2026 Um de n\u00f3s \u00e9 muito medricas e chega a desmaiar s\u00f3 de ver sangue. Mas como est\u00e1vamos concentrados em gravar, com a posi\u00e7\u00e3o dos microfones, ou preocupados se pod\u00edamos aproximar-nos do dispositivo de manuten\u00e7\u00e3o de vida, tudo isso nos distraiu e fez sentir seguros. Os microfones, por exemplo, tinham que estar suficientemente perto para captar bem os sons mas n\u00e3o t\u00e3o perto que pudessem perturbar o cirurgi\u00e3o.<br \/>\nFM \u2013 Usaram equipamento especial nessas grava\u00e7\u00f5es?<br \/>\n. Um microfone AKG-414 que \u00e9 excelente para captar sons extremamente baixos. Mas tivemos que pedir aos m\u00e9dicos e \u00e0s enfermeiras para n\u00e3o falarem durante as opera\u00e7\u00f5es. Normalmente eles est\u00e3o sempre na conversa ou a dizer piadas. Muitas vezes ouvem m\u00fasica. Est\u00e3o a fazer o seu trabalho.<br \/>\nFM \u2013 Suponho que quando as grava\u00e7\u00f5es n\u00e3o ficavam boas, era imposs\u00edvel pedir aos m\u00e9dicos para repetirem?&#8230;<br \/>\n. Bem, aconteceu isso com a opera\u00e7\u00e3o de laser aos olhos. Da primeira vez o microfone ficou encostado a uma m\u00e1quina m\u00e9dica e ficou uma horr\u00edvel interfer\u00eancia que arruinou a grava\u00e7\u00e3o. Mas como o doente sofreu algumas complica\u00e7\u00f5es e teve que se submeter a outra cirurgia, acab\u00e1mos por poder repetir.<br \/>\nFM \u2013 No primeiro tema, \u201cLipostudio\u2026 and so on\u201d, o tal da lipoaspira\u00e7\u00e3o, contaram com a colabora\u00e7\u00e3o de um ex-membro dos Coil, Stephen Thrower, no clarinete. Coil que n\u00e3o s\u00e3o, propriamente, sin\u00f3nimo de m\u00fasica saud\u00e1vel\u2026<br \/>\n. T\u00eam sido uma inspira\u00e7\u00e3o para n\u00f3s. Os seus \u00e1lbuns s\u00e3o sempre ambiciosos e t\u00eam um tema central que nunca \u00e9 simplista. Para algu\u00e9m como eu (Andrew) que \u00e9 gay, foi importante, durante a adolesc\u00eancia, saber que pessoas t\u00e3o estranhas e que tamb\u00e9m eram \u201cgays\u201d, podiam fazer m\u00fasica t\u00e3o boa.<br \/>\nFM \u2013 Usaram neste tema as vozes de grupos ou pessoas t\u00e3o exc\u00eantricos como Kid606, Lessser e Blectum from Blechdom. Tudo projectos instrumentais\u2026<br \/>\n. Temos uma ideia que vamos desenvolvendo e completando de \u00e1lbum para \u00e1lbum, uma esp\u00e9cie de enigma. No \u00e1lbum anterior, \u201cThe West\u201d, h\u00e1 uma voz que diz \u201cThe sky is always the hardest part\u201d. Trata-se simplesmente de um excerto de um par\u00e1grafo maior que, neste novo \u00e1lbum, tem continua\u00e7\u00e3o com as vozes de Kid606 e dos Blectum a dizerem: \u201cNow, I know how it fits\u201d. \u00c0 medida que formos editando mais \u00e1lbuns a frase ir-se-\u00e1 revelando at\u00e9 se perceber a totalidade.<br \/>\nFM \u2013 Todos esses nomes t\u00eam algo em comum. J\u00e1 se pode falar na emerg\u00eancia de um movimento dentro da cena electr\u00f3nica americana?<br \/>\n. Isso cabe aos jornalistas decidir. Mas h\u00e1 uma rede de cumplicidades. Somos todos amigos, ouvimos a m\u00fasica e tocamos nas bandas uns dos outros. Mas tentamos atingir alvos diferentes. No nosso caso o objectivo \u00e9 pegarmos num tema perturbador e tentar fazer com ele uma m\u00fasica engra\u00e7ada. \u00c0s vezes acabamos por ser ultrapassados, como na can\u00e7\u00e3o do rato Felix, que n\u00e3o \u00e9 nada engra\u00e7ada\u2026 Mas mesmo no tema em que us\u00e1mos um cr\u00e2nio humano, tent\u00e1mos manter o sentido de humor, em vez de cairmos no g\u00f3tico.<br \/>\nFM \u2013 Nesse tema, \u201cMemento Mori\u201d, o cr\u00e2nio pertencia a quem?<br \/>\n. A um cad\u00e1ver. Talvez aqui sim, possamos ser acusados de explora\u00e7\u00e3o. O cr\u00e2nio veio do Tibete.<br \/>\nFM \u2013 EM \u201cL.A.S.I.K.\u201d, quase se pode sentir o laser a cortar os tecidos\u2026<br \/>\n. As iniciais s\u00e3o de uma sigla m\u00e9dica que designa este tipo de opera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFM \u2013 Em \u201cSpondee\u201d transformaram um teste auditivo em m\u00fasica de dan\u00e7a. M\u00fasica de dan\u00e7a para quem?<br \/>\n. Foi gravado numa escola para crian\u00e7as surdas, com uma mulher a fazer testes para averiguar se elas conseguem ou n\u00e3o perceber o discurso falado. Ela recitava as mesmas palavras, mas alterando-lhes a acentua\u00e7\u00e3o fon\u00e9tica, para ver at\u00e9 que ponto os danos auditivos eram mais ou menos graves. Tamb\u00e9m us\u00e1mos sinais \u00e1udio com frequ\u00eancias a partir dos 15 htz at\u00e9 ao limite do espectro auditivo humano. Quando ouvimos este tema na master original o som chegava a ser insuport\u00e1vel.<br \/>\nFM \u2013 Segue-se \u201cUr tchun tan tse qi\u201d, um t\u00edtulo que n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 muito esclarecedor\u2026<br \/>\n. \u00c9 uma transcri\u00e7\u00e3o fon\u00e9tica do chin\u00eas. Um amigo nosso faz acupunctura. Mas ao inv\u00e9s das agulhas que perfuram os pontos nervosos do corpo, us\u00e1mos outras que servem para procurar esses mesmos pontos. Segura-se nas m\u00e3os essa pe\u00e7a de metal que est\u00e1 ligada por um fio a um aparelho que envia impulsos el\u00e9ctricos. Ao perfurar a pele, o corpo estabelece o circuito el\u00e9ctrico. O curioso \u00e9 que o pr\u00f3prio corpo humano transmite electricidade mais facilmente atrav\u00e9s desses tais pontos. Assim, \u00e0 medida que a agulha vai circulando na pele, e aproximando-se de um desses pontos, mais alta vai ficando a frequ\u00eancia el\u00e9ctrica. Todos os sons deste tema foram criados por este detector. Quando interpretamos este tema ao vivo parecemos cientistas, com o Martin deitado numa marquesa a mover a agulha sobre o rosto. Como instal\u00e1mos uma c\u00e2mara na pele pode observar-se tudo em pormenor. E sempre que a agulha toca num ponto sens\u00edvel ouve-se uma sucess\u00e3o cada vez mais acelerada de \u201cclics\u201d amplificados. Sampl\u00e1mos os sons e fizemos uma can\u00e7\u00e3o s\u00f3 de \u201cclics\u201d. Tamb\u00e9m usamos ao vivo imagens recebidas de uma c\u00e2mara endosc\u00f3pica que introduzimos no corpo.<br \/>\nFM \u2013 \u201cFor Felix (and the all rats)\u201d aborda um \u00e2ngulo diferente: a morte de um rato engaiolado. \u00c9 um manifesto contra o abuso dos animais na investiga\u00e7\u00e3o m\u00e9dica?<br \/>\n. Come\u00e7ou por ser. Nos laborat\u00f3rios m\u00e9dicos dos EUA, existem leis que obrigam os cientistas a fazer testes com animais que n\u00e3o s\u00e3o realmente necess\u00e1rios. Uma vergonha. Cada vez que fabricam um sabonete novo fazem testes em centenas de animais, mesmo quando n\u00e3o t\u00eam produtos que n\u00e3o tivessem sido testados antes. Centenas de animais mortos por causa da burocracia!<br \/>\nT\u00ednhamos um rato de estima\u00e7\u00e3o, Felix. Vivia connosco no est\u00fadio, numa gaiola. Costumava ouvir e ver com muita aten\u00e7\u00e3o tudo o que faz\u00edamos. Torn\u00e1mo-nos amigos. Um dia tivemos que partir para uma digress\u00e3o e entreg\u00e1mo-lo a um amigo para tomar conta dele. Ele deixou-o fugir e Felix acabou por se esconder num buraco de uma parede. Comeu veneno para ratos e morreu lentamente, foi horr\u00edvel.<br \/>\nFM \u2013 O resultado sonoro, al\u00e9m da tristeza que transmite, soa a m\u00fasica cl\u00e1ssica\u2026<br \/>\n. Compusemos este tema para os Kronos Quartet. O David Harrington esteve em nossa casa e disse que parecia m\u00fasica antiga. Toc\u00e1mos com um arco de violino nas grades da gaiola.<br \/>\nFM \u2013 O \u00e1lbum termina com \u201cCalifornia Rhinoplasty\u201d, sobre cirurgia est\u00e9tica ao nariz. \u00c9 uma boa maneira de terminar um disco \u2013 com narizes\u2026<br \/>\n. (risos) \u00c9 algo pessoal, na medida em que o meu pai (de Andrew) \u00e9 especialista em narizes. Escreveu um tratado de 900 p\u00e1ginas, sobre anatomia nasal. A can\u00e7\u00e3o acaba por ser sobre ele. E o Martin toca uma flauta que se sopra com o nariz (NR: a \u201cnose flute\u201d usada por algumas tribos de pigmeus). Quisemos que as pessoas pensassem sobre os seus narizes, o que acontece quando respiram. Geralmente s\u00f3 reparam quando est\u00e3o constipadas\u2026 E na variedade de sons que se podem fazer com o nariz (NR: Neste ponto os entrevistados desataram a emitir ru\u00eddos nasais de toda a esp\u00e9cie).<br \/>\nFM \u2013 Uma parte da can\u00e7\u00e3o lembra os Residents\u2026<br \/>\n. A s\u00e9rio? Obrigado! O nosso amigo Rex, que faz toda a parte gr\u00e1fica dos Matmos, j\u00e1 trabalhou com os Residents. Chegou a vestir uma das c\u00e9lebres m\u00e1scaras de globo ocular num dos espect\u00e1culos deles.<br \/>\nFM \u2013 O que \u00e9 que os Matmos preparam para o futuro?<br \/>\n. Estivemos a gravar texturas sonoras para o novo \u00e1lbum de Bjork que sair\u00e1 em Maio. Das 20 can\u00e7\u00f5es particip\u00e1mos em metade. E vamos fazer parte da banda, juntamente com Zeena Parkins, que a acompanhar\u00e1 na digress\u00e3o mundial.<br \/>\nFM \u2013 Acredita realmente que \u201cuma oportunidade de cortar \u00e9 uma oportunidade para curar\u201d?<br \/>\n. Eu (Andrew) tinha uma mancha na cara e perguntei ao meu pai se ele a podia tirar. J\u00e1 deitado na mesa de opera\u00e7\u00f5es, e depois de me ter injectado no rosto a anestesia, quando se preparava para cortar, atirou-me: \u201cNunca te esque\u00e7as que uma oportunidade de cortar \u00e9 uma oportunidade para curar\u201d! A frase atingiu-me em cheio. \u00c9 a mesma coisa que fazemos com o som.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>23.02.2001 Matmos M\u00fasica Na Mesa De Opera\u00e7\u00f5es Uma oportunidade de cortar \u00e9 uma oportunidade para curar. Sobre esta m\u00e1xima os Matmos partiram para o est\u00fadio como m\u00e9dicos cirurgi\u00f5es desejosos de cortar e coser. O disco cheira a \u00e9ter e a carne queimada. 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