{"id":10069,"date":"2022-09-13T01:54:59","date_gmt":"2022-09-13T08:54:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10069"},"modified":"2022-09-13T01:54:59","modified_gmt":"2022-09-13T08:54:59","slug":"julio-pereira-musica-popular-portuguesa-janelas-coloridas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/09\/13\/julio-pereira-musica-popular-portuguesa-janelas-coloridas\/","title":{"rendered":"J\u00falio Pereira &#8211; &#8220;M\u00fasica Popular Portuguesa  &#8211; Janelas Coloridas&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>P\u00daBLICO SEXTA-FEIRA, 30 NOVEMBRO 1990 >> Cultura<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>M\u00fasica popular portuguesa<\/p>\n<p>Janelas coloridas<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nO NOVO DISCO de J\u00falio Pereira junta a pintura e a m\u00fasica. S\u00e3o dez quadros de pintores portugueses, traduzidos em outras tantas incurs\u00f5es musicais em que o folclore se dilui, de forma subtil, no som contempor\u00e2neo.<br \/>\n\t\u201cQuadros numa exposi\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 assim se intitulava uma obra de Mussorgsky que expressava no piano os sonhos pict\u00f3ricos do pintor russo Victor Hartmann, em partitura posteriormente orquestrada por Ravel e finalmente liquidada pela pirotecnia circense dos Emerson, Lake and Palmer. Um s\u00e9culo mais tarde, Brian Eno traduzia para m\u00fasica quatro aguarelas do pintor alem\u00e3o Peter Schmidt, em \u201cBefore and After Science\u201d. Agora chegou a vez de J\u00falio Pereira, tradicionalista na sensibilidade e inovador na maneira de a exteriorizar, inventar musicalmente dez quadros de pintores portugueses contempor\u00e2neos. \u00c0 cole\u00e7\u00e3o, a exibir em p\u00fablico a partir do dia 6, chamou \u201cJanelas Verdes\u201d, numa alus\u00e3o ao museu que lhe fica perto da casa e da alma lisboeta.<br \/>\n\t\u201cJanelas Verdes\u201d, nono \u00e1lbum de originais na sua discografia, est\u00e1 longe de ser um museu, muito menos de arte antiga. Cada quadro \u00e9 pretexto para, partindo de uma aprecia\u00e7\u00e3o subjetiva da obra e de posterior conversa com o seu autor, recriar o universo das imagens em peregrina\u00e7\u00f5es pelo folclore do globo \u2013 \u201ca m\u00fasica tradicional est\u00e1 toda nas \u2018Janelas Verdes\u2019, mas n\u00e3o de maneira evidente. Em discos anteriores, com \u2018Cavaquinho\u2019 ou \u2018Braguesa\u2019, \u2018peguei\u2019 em elementos etno-musicais do nosso pa\u00eds, uma chula, um vira, um corridinho, e desenvolvi-os, condicionado pela sua estrutura. Neste caso, n\u00e3o me agarrei a qualquer elemento musical conotado diretamente com a m\u00fasica tradicional. Conhecer os diversos pintores e a sua obra, foi conhecer outros tantos mundos diferentes. O pintor Eurico levou-me at\u00e9 ao M\u00e9xico, a Paula Rego sugeriu-me uma coreografia de um menino e meninas a brincar numa horta. O quadro de J\u00falio Pomar transportou-me para o meio de um intens\u00edssimo carnaval na Idade M\u00e9dia, e por a\u00ed fora, em dez viagens imagin\u00e1rias\u2026\u201d.<br \/>\n\tAo contr\u00e1rio do \u00e1lbum anterior, \u201cMiradouro\u201d, a eletr\u00f3nica tem aqui um papel mais discreto. Enquanto que o primeiro \u201cfoi todo concebido no computador, soando talvez por isso, um pouco maquinal\u201d, o novo disco \u201cfoi realizado tecnicamente de maneira diferente, todo ele composto na viola braguesa que foi gravada em primeiro lugar, s\u00f3 depois sendo acopladas as partes eletr\u00f3nicas\u201d.<br \/>\n\tViagens ulteriores apontam para a possibilidade de grava\u00e7\u00e3o de um disco inteiramente ac\u00fastico \u2013 \u201cOs pr\u00f3prios tempos apontam para isso\u201d. Quanto mais nos embrenhamos na eletr\u00f3nica, mais saudades temos dos instrumentos ac\u00fasticos. O \u2018sampler\u2019 \u00e9 um bom exemplo da nova dire\u00e7\u00e3o que a m\u00fasica eletr\u00f3nica est\u00e1 a seguir, paradoxalmente procurando reproduzir, por meios digitais, o som ac\u00fastico natural\u2026\u201d.<br \/>\n\tEm \u201cJanelas Verdes\u201d o computador e os sintetizadores coabitam com o cavaquinho, a viola braguesa ou os instrumentos trazidos por m\u00fasicos convidados, como o saxofone de Paulo Curado, o trompete de Tom\u00e1s Pimentel, o obo\u00e9 de Ant\u00f3nio Serafim ou as vozes de Maria Jo\u00e3o, Anabela Duarte e Lu\u00eds Madureira. A gaita-de-foles geme, apenas num dos temas \u2013 \u201cNo nosso pa\u00eds h\u00e1 poucas pessoas que saibam tocar bem o instrumento e menos ainda a constru\u00ed-lo. Ao contr\u00e1rio do que acontece por exemplo na Galiza, onde observei escolas com dezenas de mi\u00fados a tocar \u201cgaita\u201d, e em que abundam os construtores, em Portugal j\u00e1 s\u00f3 os velhos a fabricam\u201d.<br \/>\n\tDo rock \u00e0s chulas, da tradi\u00e7\u00e3o ao folclore universal, do cavaquinho e da braguesa ao computador e aos \u201csete instrumentos\u201d, J\u00falio Pereira continua a debru\u00e7ar-se sobre o futuro. Desta vez de janelas das cores todas que os olhos conseguem ver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO SEXTA-FEIRA, 30 NOVEMBRO 1990 >> Cultura M\u00fasica popular portuguesa Janelas coloridas O NOVO DISCO de J\u00falio Pereira junta a pintura e a m\u00fasica. 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