{"id":10018,"date":"2022-08-30T03:45:22","date_gmt":"2022-08-30T10:45:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=10018"},"modified":"2022-08-30T03:45:22","modified_gmt":"2022-08-30T10:45:22","slug":"youssou-ndour-youssou-ndour-em-lisboa-mil-corpos-a-dancar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/08\/30\/youssou-ndour-youssou-ndour-em-lisboa-mil-corpos-a-dancar\/","title":{"rendered":"Youssou N\u2019Dour &#8211; &#8220;Youssou N\u2019Dour Em Lisboa &#8211; Mil Corpos A Dan\u00e7ar&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 24 OUTUBRO 1990 >> Cultura<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Youssou N\u2019Dour em Lisboa<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mil corpos a dan\u00e7ar<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Pouco mais de mil pessoas davam na noite de segunda-feira, ao interior do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, um aspeto desolador. Mas, segundos ap\u00f3s o senegal\u00eas Youssou N\u2019Dour e as suas \u201cSuper Estrelas\u201d terem entoado as primeiras notas, mil corpos come\u00e7aram a dan\u00e7ar.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ndur.jpg\" alt=\"\" width=\"474\" height=\"746\" class=\"alignnone size-full wp-image-10019\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ndur.jpg 474w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ndur-191x300.jpg 191w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ndur-64x100.jpg 64w\" sizes=\"auto, (max-width: 474px) 100vw, 474px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Youssou N\u2019Dour chegou acompanhado pela sua banda \u201cSuper \u00c9toile\u201d, formada por um total de dez m\u00fasicos e bailarinos, todos empenhados na celebra\u00e7\u00e3o da grande festa africana. J\u00e1 ningu\u00e9m se importava se eram muitos ou poucos os presentes, com toda a gente rendida ao virtuosismo do africano e \u00e0 energia transbordante dos instrumentistas.<br \/>\n\tRaz\u00e3o principal para a fraca aflu\u00eancia do p\u00fablico, foi a insuficiente promo\u00e7\u00e3o do concerto e de um nome por enquanto pouco conhecido entre n\u00f3s. \u201c\u00c9 pena que um espet\u00e1culo como este tenha atra\u00eddo t\u00e3o pouca gente\u201d \u2013 lamentava Jos\u00e9 Marinho, jornalista \u2013 \u201ctalvez por ser segunda-feira e a obra de Youssou N\u2019Dour nunca ter tido entre n\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o que merece\u201d.<br \/>\n\tO som n\u00e3o seria o ideal, sobretudo porque a ac\u00fastica foi afetada pelo vazio da sala, mas a falta foi perfeitamente compensada pela entrega completa dos m\u00fasicos que rapidamente puseram todos aos pulos. \u201cFartei-me de dan\u00e7ar\u201d \u2013 regozijava-se Miguel Portas, assessor do presidente da C\u00e2mara Municipal de Lisboa, uma das muitas pessoas que de imediato se entregaram ao prazer do movimento corporal. \u201cPena foi n\u00e3o estar tudo cheio, ou se calhar ainda bem, pois se n\u00e3o era capaz de n\u00e3o haver espa\u00e7o para o fazer!&#8230;\u201d.<br \/>\n\tMenos esfuziante, o cr\u00edtico musical Jo\u00e3o Lisboa confessava que, embora \u201cThe Lion\u201d, pen\u00faltimo \u00e1lbum do cantor, n\u00e3o o tivesse entusiasmado, reconhecia \u201cser ao vivo que melhor se pode apreciar a m\u00fasica e dan\u00e7a africanas. Mesmo que os corpos brancos ainda oponham certas resist\u00eancias \u00e0 carga instintiva que este tipo de m\u00fasica comporta\u201d. De opini\u00e3o contr\u00e1ria era Ricardo Camacho, produtor discogr\u00e1fico e m\u00fasico dos S\u00e9tima Legi\u00e3o, para quem esta m\u00fasica \u201c\u00e9 a mais universal\u201d e que acha \u201cespantoso como as pessoas, mesmo sem a conhecer, se entregam de imediato ao seu ritmo\u201d.<\/p>\n<p><strong>A lei do ritmo<\/strong><\/p>\n<p>\tSobre o palco Yousso N\u2019Dour n\u00e3o dava descanso a ningu\u00e9m. Nem os temas mais lentos chegavam para arrefecer os \u00e2nimos. Logo de seguida o ritmo imposto pelas percuss\u00f5es da \u201cSuper \u00c9toile\u201d voltava a ditar a sua lei. Entusiasmado estava o radialista Am\u00edlcar Fidelis que n\u00e3o hesitava em considerar o m\u00fasico senegal\u00eas como \u201cum dos nomes mais fortes da denominada \u2018World Music\u2019, n\u00e3o espantando que Peter Gabriel o tivesse \u2018apadrinhado\u2019 atrav\u00e9s da sua participa\u00e7\u00e3o numa das faixas de \u2018The Lion\u2019\u201d.<br \/>\n\tNo Coliseu dos Recreios, Youssou N\u2019Dour interpretou can\u00e7\u00f5es deste e do mais recente longa-dura\u00e7\u00e3o de gen\u00e9rico \u201cSet\u201d. Os teclados eletr\u00f3nicos e os saxofones n\u00e3o obstaram a que o cora\u00e7\u00e3o do continente negro pulsasse sem parar. Para o cr\u00edtico Ricardo Sal\u00f3 n\u00e3o havia d\u00favidas: \u201cDe todos os grupos africanos que vi at\u00e9 agora, o de Youssou N\u2019Dour, a par do de Ray Lema, foi aquele que melhor soube equilibrar a tradi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica e a tecnologia ocidental, mantendo embora o sinal africano do princ\u00edpio ao fim\u201d. Menos sens\u00edvel ao lado negro, Pedro Ayres de Magalh\u00e3es, compositor, m\u00fasico e letrista dos Madredeus, foi sobretudo sens\u00edvel aos temas finais, aqueles em que \u201ca instrumenta\u00e7\u00e3o ficou reduzida ao m\u00ednimo e a m\u00fasica se aproximou mais dos valores ocidentais, privilegiando o sil\u00eancio\u201d.<br \/>\n\tAo longo de quase duas horas de atua\u00e7\u00e3o, incluindo a longa sequ\u00eancia de \u201cencores\u201d, os m\u00fasicos \u201cderam o litro\u201d, segundo a express\u00e3o de outro homem da r\u00e1dio, Ant\u00f3nio S\u00e9rgio. Para o veterano locutor apaixonado pelos sons de \u00c1frica e divulgador desde o in\u00edcio da m\u00fasica de N\u2019Dour, os \u201cSuper \u00c9toile\u201d s\u00e3o hoje em dia, \u201cverdadeiras super-estrelas, a maior banda que o chamado Terceiro Mundo conheceu desde os tempos \u00e1ureos de Bob Marley\u201d. Referindo-se ao escasso n\u00famero de presentes (\u201ccom a sala cheia teria sido um acontecimento inesquec\u00edvel\u201d), adiantou uma explica\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter sociol\u00f3gico algo pol\u00e9mica: \u201cOs traumas da guerra no Ultramar impedem ainda muitos portugueses de se deslocarem para ver atuar uma banda constitu\u00edda s\u00f3 por africanos\u201d.<br \/>\n\tSeja como for, desde a noite de segunda-feira, a alma de um milhar de portugueses passou a ser um bocadinho mais africana. E a ordem que a alma deu ao corpo foi: dan\u00e7ar!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 24 OUTUBRO 1990 >> Cultura Youssou N\u2019Dour em Lisboa Mil corpos a dan\u00e7ar Pouco mais de mil pessoas davam na noite de segunda-feira, ao interior do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, um aspeto desolador. 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