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Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #62 – “Hector zazou + Sandy dillon (thePreacher)”

#62 – “Hector zazou + Sandy dillon (thePreacher)”

Fernando Magalhães
18.01.2002 180650
A música do Hector Zazou está ao seu melhor nível, numa linha algo industrial pouco habitual nas suas gravações mais recentes.
Quanto à voz da Sandy Dillon, soa demasiado punk e gritada para meu gosto. Mas é apenas a minha opinião.

Voltando ao Zazou, considero o “Les Chansons…” um dos seus álbuns mais fracos.

Recomendo vivamente os seguintes: “Noir et Blanc” (nunca a música de computadores soou tão funky…), “Reivax au Bongo” (o classicismo angelical de um lado + o humor afro telenovelístico, do outro!), “Géographies” e “Géologies” (neo-classicismo surreal).

E que tal procurar o “Satieano” e absolutamente original “Barricades”, ainda com o grupo ZNR (Zazou + Joseph Racaille)?

FM

Fernando Magalhães
18.01.2002 190703

Já agora, uma retificação :). O “Les Chansons…” até nem é um dos álbuns mais fracos do HZ, como escrevi há pouco. Confundi-o com um que ele gravou a seguir, já muito voltado para a eletrónica de dança.
Digamos que coincide com o período de transição da época áurea para o período dos $$$$$$$.

FM

Foetus Inc. – “Sink”

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 13 JUNHO 1990 >> Videodiscos >> Pop


FOETUS INC.
Sink
LP e CD Self-Immolation/Some Bizarre, import. Contraverso



Foetus Under Glass, You’ve Got Foetus On Your Breath, Phillip And His Foetus Vibrations, Foetus Over Frisco, Scraping Foetus Off The Wheel, Foetus Art Terrorism, The Foetus of Excellence, The Foetus All Nude Revue, Foetus Interruptus e agora Foetus Inc., são outras tantas designações para a genial paródia de Jim Foetus, alias Clint Ruin, alias Jim Thirwell. “Sink” é o sexto álbum da personagem, como os anteriores (“Deaf”, “Ache”, “Hole”, “Nail” e “Thaw”) com apenas quatro letras. O disco em questão é duplo e reúne máxis antigos não incluídos em álbuns anteriores. Foetus (chamemos-lhe assim, por comodidade de escrita) encarna o espírito niilista dos Einsturzende Neubauten, substituindo a distância intelectual e conceptual da banda berlinense por uma vivência pessoal, em carne-viva, do caos e da desagregação. “The Art of Falling Apart”, se quisermos, parafraseando o título dos Soft Cell, processada metodicamente segundo técnicas de demolição/reconstrução da personalidade referidas, de resto, no termo “Self-Immolation”, escolhido para selo de tão subversivas atividades. Crucificação, chacina, doença, violência, poder, são alguns dos tópicos preferidos e magistralmente tratados na totalidade da obra do mestre do horror, atingindo dimensões épicas à custa de um tratamento sonoro grandioso e de uma utilização única das potencialidades da voz. Foetus transforma a agonia em espetáculo de “music-hall”, dando a ver, sob uma luz intoleravelmente branca e clínica, as chagas abertas de uma humanidade à beira do fim. Depois de Foetus o “show” já não pode prosseguir.

The Stranglers – “10”

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 11 ABRIL 1990 >> Videodiscos >> Pop


THE STRANGLERS
10
LP e CD Epic, distri. CBS portuguesa



O brilho oleoso dos esgotos foi substituído pelo do verniz de “manicure”. As ratazanas transformaram-se em engraçados hamsters domesticados para as crianças brincarem. Da violência apocalíptica de “Black and White”, nada resta. A conspiração dos “Men in Black” deu em nada. Os Stranglers são hoje uma banda bem comportada, dirigida aos tops e absolutamente anódina. A formação é a mesma de sempre só por fora. Jean-Jacques Burnel, Hugh Cornwell, Jet Black e Dave Greenfield deixaram de ser “enfants terribles” para se comportarem como meninos apenas ligeiramente traquinas, rendidos ao revivalismo dos “Sixties” e aos rhythm and blues, versão “Euromarché”. Dos dez temas referidos no título (e não o 10º álbum, como se poderia pensar), salva-se “In this Place”, na tradição dos bons temas lentos da banda. Ah, sim, e a capa, com os quatro “stranglers” travestidos de algumas figuras políticas e religiosas da atualidade.