Arquivo da Categoria: Blues

Cream – “The Very Best Of Cream”

pop rock >> quarta-feira >> 08.03.1995


Cream
The Very Best Of Cream
POLYDOR, DISTRI. POLYGRAM



Máximo bom gosto na apresentação de uma das bandas da frente dos anos 60, das primeiras que verdadeiramente puderam reivindicar o epíteto de “supergrupo”.
A presente colectânea começa por mostrar a vertente mais pop, sobretudo de “Fresh Cream”. Seriam contudo os dois álbuns seguintes, “Disraeli Gears” e “Wheels of Fire” – aqueles em que o psicadelismo se alia a uma rítmica ao mesmo tempo implacável e swingante, pioneira do hard rock -, os que tornaram os Cream num dos grupos importantes da época. Destes álbuns foram incluídos clássicos como “Sunshine of your love”, um dos hinos do “flower power” e “White room”, concluindo a colectânea com o “single” “Anyone for tennis” e “Badge”, um tema do derradeiro álbum contendo gravações em estúdio, “Goodbye”. (8)

Traffic – “Mr. Fantasy”

pop rock >> quarta-feira >> 26.10.1994


Traffic
Mr. Fantasy
Island, distri. BMG



Mais vale tarde do que nunca. Tardaram mas por fim chegaram as reedições dos discos importantes correspondentes aos anos 60 e 70 da banda liderada por Steve Winwood, entre os quais “John Barleycorn Must Die”, “The Low Spark of High Heeled Boys” ou o duplo ao vivo “On The Road”. Mas “Mr. Fantasy”, estreia do grupo editada em 1968, continua a ser considerado por muitos o seu melhor trabalho.
Se nos álbuns seguintes os Traffic enveredaram por longos desenvolvimentos instrumentais equidistantes do jazz e do rock, embora Steve Winwood não descurasse a importância de uma boa canção, em “Mr. Fantasy” a banda estava completamente mergulhada no psicadelismo que marcava a época. Uma delícia escutar à distância de um quarto de século um Steve Winwood completamente “stoned” a entregar a voz às alucinações, e uma produção que, como não podia deixar de ser num disco psicadélico digno desse nome, valorizava o pormenor e o exotismo dos sons. A “sitar”, uma “tampura” e o “mellotron” de Dave Mason, as flautas e o saxofone delirante de Chris Wood, os teclados “em viagem” de Winwood, campainhas de telefone, melodias em constante mudança de velocidade, métricas absurdas e canções como “Heaven is in your mind”, “House for everyone”, “Utterly simple”, “Coloured rain” ou os psicoblues de “Giving to You” – que não se deixam apanhar na rede dos primeiros instantes – fazem de “Mr. Fantasy” uma fantasia caleidoscópica que a passagem do tempo não desvalorizou. (8)

Joe Jackson – “Night Music”

pop rock >> quarta-feira >> 19.10.1994


Joe Jackson
Night Music
Virgin, distri. EMI-VC



Na profundidade e sumptuosidade dos arranjos, na descoberta, a cada nova audição, de novos pormenores, “Night Music” tem a dimensão de um clássico. As canções desrespeitam o formato vulgar pop. “Flying”, com ressonâncias a Elvis Costello, o único momento em que a memória dos primeiros tempos de Jackson é consentida. As outras são lentas cascatas de emoção dentro das quais o músico inventa espaços que pinta a seu bel-prazer com traços electrónicos. Oboés, violinos e clarinetes contribuem para aumentar a dimensão clássica de “Night Music”, espécie de grande produção cinematográfica a que não é alheia a aprendizagem anterior de Jackson na autoria de bandas sonoras como “Tucker”, “Shijin No Ie” (com a orquestra Filarmónica de Tóquio) ou “Queens Logic”, a par da gravação dum álbum totalmente instrumental, “Will Power”, já editado em Portugal, Joe Jackson prepara ainda uma obra sinfónica para instrumentação electrónica a incluir no catálogo de clássicos da Virgin. “Ever after”, “The man who wrote Danny boy”, “Only the furore”, “Sea of secrets” e “Lullaby” são canções pára durar. A voz do cantor suavizou-se, os tempos ganharam uma respiração mais lenta, os sintetizadores assumem-se como principais tecelões das melodias. Espalhadas entre as imagens sonoras, outras imagens, sem palavras, falam na noite: quatro “nocturnos” onde os sons sintéticos se fundem, como as estrelas contra o pano negro do céu, com as cordas e os sopros acústicos para fazer surgir paisagens que evocam o universo musical de um Hector Zazou, de “Géographies” e “Géologies”. “Detesto a ideia de ser considerado um rocker veterano ou uma estrela pop envelhecida”, diz Joe Jackson, “se tiver que escolher, prefiro ver-me como um jovem compositor”. Gershwin e Cole Porter têm um discípulo. (8)