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Steve Hackett – “Genesis Revisited” + Yes – “Open Your Eyes”

Sons

16 de Janeiro 1998
DISCOS – POP ROCK


Steve Hackett
Genesis Revisited (7)
Reef, import. Planeta Rock

Yes
Open your Eyes (7)
Eagle, import. Planeta Rock


sh

yes

Steve Hackett, guitarrista da época de ouro dos Genesis, resolveu passar revista a algumas das canções da sua antiga banda, convocando para tal um grupo de amigos conotados com o progressivo, como John Wetton, Ian McDonald e Paul Carrack, além de Colin Blunstone, que nos anos 60 fizera parte dos Zombies. “Watcher of the skies”, “Firth of fifth”, “I know what I like”, “Fountain of Salmacis” e “For absent friends” são algumas das canções dos Genesis que a guitarra e as orquestrações de Hackett transformaram, com sucesso, em matéria de recriação. Quanto aos Yes, depois de dois duplos álbuns com material ao vivo e novos originais de estúdio, regressaram ao que sempre foram, assumindo o seu lado sinfónico, agora mais do que nunca como suporte das vocalizações, cada vez mais espirituais e ecológicas, de Jon Anderson. Com os velhos companheiros Steve Howe, Chris Squire e Alan White, e o novo teclista Billy Sherwood. O tema de abertura, “New state of mind”, sintetiza a alegria recuperada pelo grupo, cuja música pareceu ter ganho uma nova frescura e um apelo mais pop do que nunca (não faltam em “Open your Eyes” canções para assobiar…), numa altura em que deixou de ser vergonha ter colaborado nos excessos visionários dos anos 70.



Yes – “Talk”

Pop Rock

27 ABRIL 1994
ÁLBUNS POP ROCK

Yes
Talk

Victory, distri. Polygram


yes

Sim, os Yes já foram um grupo importante, por volta, deixem cá lembrar-me, de meados da década de 70. Hoje são uma caricatura do que foram, mas parecem não dar por nada. Jon Anderson, o vocalista da voz angelical, prossegue imperturbável a sua caminhada em direcção ao céu. “Higher and higher”, como ele continua a escrever nas letras das canções. Seguem com ele outros dois companheiros dos primeiros tempos, Chris Squire, no baixo, e Tony Kaye, no órgão Hammond (outro anacronismo), de regresso após a interrupção de Rick Wakeman. Os outros são Alan White, baterista também já velhote, e Trevor Rabin, um dos Buggles que se deu bem com o “rock sinfónico” e pelos Yes se ficou, na guitarra e teclados.
Não se pode dizer que “Talk” seja um mau disco. É sobretudo um disco inútil. Dá ideia que os Yes andaram a ouvir toda a anterior discografia, recolheram os elementos típicos de uma música que resultou em obras incontornáveis dos anos 70 (“Close to the Edge”, “Tales from Topographic Oceans”, “Relayer”, por acaso os das famosas capas de Roger Dean), juntaram tudo numa misturadora e despejaram o resultado no disco. Ou seja, “Talk” apresenta o som característico dos Yes, mas comos e fosse o menor múltiplo comum. Uma média matemática destituída da vida que animava aqueles álbuns. Falta-lhe o fôlego das boas canções – mesmo assim “Real love” e “Walls” são capazes de pegar nas estações FM americanas – e, no capítulo instrumental, sente-se a falta de um grande guitarrista chamado Steve Howe.
A faceta mais cósmico-lamechas de Anderson, que lhe foi incutida por Vangelis, aparece em “Where will you be”, e os quinze minutos de “Endless dream” chegam para fazer as delícias dos nostálgicos da música progressiva. Com um novo e colorido logotipo e Anderson a não dar mostras de querer parar nos tempos mais próximos, somos capazes de ter Yes para mais uns 20 anos. Yes? Não! (4)



Yes – “Union”

Pop Rock

8 MAIO 1991

YES
Union

LP/MC e CD, Arista, distri. BMG

yes

A história conta-se em poucas palavras. O espírito dos Yes fora apartado da lendária designação. Motivos: a saída de Chris Squire, dono da patente, digamos assim, de um simples, mas precioso, “Sim”, que, por capricho ou má disposição, impediu os outros de usarem. É um bocado a história de Vítor Rua versus GNR. Assim, Jon Anderson, Bill Bruford, Rick Wakeman e Steve Howe continuaram, mas só com os nomes próprios. Entretanto, sob a influência das vibrações pacifistas da “nova idade” e por um misterioso encadeamento de coincidências, deu-se a união das duas facções, daí o título do disco. Para não ferir susceptibilidades, ninguém ficou de fora. Aos quatro nomes já citados juntaram-se os de Squire, Tony Kaye (da formação original dos Yes), Trevor Rabin e Alan White, o que na prática significa que o grupo passou a ter dois teclistas (Wakeman e Kaye), dois percussionistas (Bruford e White) e dois guitarristas (Howe e Rabin). De notar que, para uma daquelas especialidades foram ainda convocados mais cinco ou seis músicos de estúdio… Quanto à música, nada mudou desde os tempos de “Close to the Edge” e “Tales from Topographic Oceans” – as mesmas vocalizações andróginas de Jon Anderson, o misticismo dos temas (agora enfeitados com uns toques de “modernidade”), servidos a preceito e como montra para cada músico exibir as suas habilidades. Até a capa é assinada por Roger Dean. Disco inofensivo, mesmo a calhar para todos aqueles que não repararam na passagem dos últimos vinte anos. **

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