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Vidya Ensemble – “Stress/Relax”

11.12.1996

Vidya Ensemble
Stress/Relax
ED. FAROL


Vidya Ensemble – “Stress/Relax”

O minimalismo é factor de “stress”? A repetição provoca o acidente? A ruptura pode transformar-se em lei? Para Vítor Rua, a prática musical funciona mais como manual de interrogações do que como acta de trabalho. O guitarrista dos Telectu, como já acontecera no seu disco com os “ressoadores”, volta a defrontar-se com os limites da “perfomance” e da memória musical. Mas se, com os seus alunos, era o conceito de aleatoriedade e improvisação que funcionava como regra do jogo, em “Stress/Relax” é a exploração da noção de “ensemble” e a composição escrita que se questionam na forma de uma “música de intrenção” ou “daquilo que é a propósito de qualquer coisa”. O conceito é familiar, sugerindo as estratégias dde clonagem e o mimetismo propostos em fase recente dos Telectu. Significa isto que “Stress/Relax” deva ser ouvido com a municiação de um “a priori” musical impeditivo de toda e qualquer “inocência” do acto criativo? O conceito também não é novo e está no cerne de toda a atitude do pós-modernismo, assim se compreendendo, de resto, que Rua defina “Stress/Relax” como “propedêutica estética e caleidoscópica sobre o situacionismo musical pós-moderno, proposição de um novo msubjectivismo musical”. Ouvir um trecho musical será então, hoje, ouvir sempre um outro, essa tal “outra coisa” entretanto levado ao esgotamento pelo excesso das escolas e dos géneros musicais deste século. O “novo” passou a existir, deste modo, na forma subjectiva de reorganização de memórias e acumulações culturais da parte do ouvinte. Assim se compreende, ainda, a profusão e inutilidade das palavras que embalam este compacto. Do esgotamento de significados surgirá uma nova disponibilidade de audição? As faixas de “Stress/Relax” podem arrumar-se confortavelmente em géneros, do minimalismo reichiano do tema inicial, “Stress”, ao ambientalismo “enoiano” de “Tracet”. São o mesmo e o outro, da mesma maneira que, no conto de Borges, o “Quixote” de Pierre Ménard era igual e diferente do “Quixote” de Cervantes. Aprende-se, então, a reescutar o gesto primordial proposto por “Stress/Relax”, afinal contido no próprio título – um jogo de tensões onde a criatividade se joga na estruturação, pura e simples, do tempo e da multiplicidade dos seus tempos interiores. Era esse o sentido primordial do minimalismo. Uma faixa emblemática? Experimente-se ouvir “Cream Dream” para se perceber que o infinito dos sons nasce dentro da nossa cabeça. (8)



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Vidya Ensemble – Stress/Relax

11.12.1996
Vidya Ensemble
Stress/Relax
ED. FAROL

vydiaensemble_stress

O minimalismo é factor de “stress”? A repetição provoca o acidente? A ruptura pode transformar-se em lei? Para Vítor Rua, a prática musical funciona mais como manual de interrogações do que como acta de trabalho. O guitarrista dos Telectu, como já acontecera no seu disco com os “ressoadores”, volta a defrontar-se com os limites da “perfomance” e da memória musical. Mas se, com os seus alunos, era o conceito de aleatoriedade e improvisação que funcionava como regra do jogo, em “Stress/Relax” é a exploração da noção de “ensemble” e a composição escrita que se questionam na forma de uma “música de intrenção” ou “daquilo que é a propósito de qualquer coisa”. O conceito é familiar, sugerindo as estratégias dde clonagem e o mimetismo propostos em fase recente dos Telectu. Significa isto que “Stress/Relax” deva ser ouvido com a municiação de um “a priori” musical impeditivo de toda e qualquer “inocência” do acto criativo? O conceito também não é novo e está no cerne de toda a atitude do pós-modernismo, assim se compreendendo, de resto, que Rua defina “Stress/Relax” como “propedêutica estética e caleidoscópica sobre o situacionismo musical pós-moderno, proposição de um novo msubjectivismo musical”. Ouvir um trecho musical será então, hoje, ouvir sempre um outro, essa tal “outra coisa” entretanto levado ao esgotamento pelo excesso das escolas e dos géneros musicais deste século. O “novo” passou a existir, deste modo, na forma subjectiva de reorganização de memórias e acumulações culturais da parte do ouvinte. Assim se compreende, ainda, a profusão e inutilidade das palavras que embalam este compacto. Do esgotamento de significados surgirá uma nova disponibilidade de audição? As faixas de “Stress/Relax” podem arrumar-se confortavelmente em géneros, do minimalismo reichiano do tema inicial, “Stress”, ao ambientalismo “enoiano” de “Tracet”. São o mesmo e o outro, da mesma maneira que, no conto de Borges, o “Quixote” de Pierre Ménard era igual e diferente do “Quixote” de Cervantes. Aprende-se, então, a reescutar o gesto primordial proposto por “Stress/Relax”, afinal contido no próprio título – um jogo de tensões onde a criatividade se joga na estruturação, pura e simples, do tempo e da multiplicidade dos seus tempos interiores. Era esse o sentido primordial do minimalismo. Uma faixa emblemática? Experimente-se ouvir “Cream Dream” para se perceber que o infinito dos sons nasce dentro da nossa cabeça. (8)

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