Arquivo de etiquetas: Urban Turban

Urban Turban – “Urban Turban”

Pop Rock

22 de Novembro de 1995
Álbuns poprock

Urban Turban
Urban Turban

SILENCE, DISTRI. MC-MUNDO DA CANÇÃO; IMPORT. CONTRAVERSO


ut

Neste final de século, anda tudo doido. Sucedem-se os projectos mais impensáveis e as ideias mais delirantes. Deixou de fazer sentido classificar a música por géneros. O universo passou a ter disponíveis todas as épocas e culturas. Os suecos Urban Turban sabem tirar partido desse imenso manancial sonoro, que utilizam numa proposta pelo menos curiosa, de transformar clássicos pop e rock como “Knock on wood”, “Voodoo child”, “Let’s work together” ou “Hoochie coochie man” em temas que soam tradicionais, os Urban Turban “tradicionalizam” a pop. Umas vezes reconhece-se nesta operação ecos dos Hedningarna, outras é possível sintonizar no mesmo comprimento de Captain Beefheart, como em “Wang dang woodle”. Sanfonas e gaitas-de-foles atropelam-se contra as guitarras eléctricas saturadas, sopros ébrios de swing e uma bateria que bate forte e feio, num carrossel de diversão a cem à hora. Peter Bryngelson, antes um reputado e obscuro compositor na área da “new music” (dele conhecemos um álbum gélido e bem comportado, “Via”), liberta-se, juntamente com Pelle Linsdtröm e um lote largo de convidados, de todos os condicionalismos, veste o turbante e oferece de bandeja fartos motivos de excitação. Nem que seja a de descobrirmos que a gaita-de-foles pode ser o instrumento perfeito para um blues. (8)



Top 10 de álbuns de “covers”

26.01.2001
Top 10 de álbuns de “covers”
“It´s Like These” insere-se na tradição de álbuns de “covers”. Aqui ficam alguns dos mais representativos.

jlponty_kingkong

LINK

Jean-Luc Ponty
King Kong, blue Note, 1970
“Virtuose” do violino electrificado, ginasta do jazz de fusão, herdeiro de Grappelli, Ponty deu novo rosto instrumental ao papa dos Mothers of Invention, reinventando o humor de “Idiot Bastard son” e “Twenty small guitars”, ou alinhando em cumplicidade com o mestre, em “Music for Electric Violin na low budget orchestra”.

David Bowie
Pinups, EMI 1973
O camaleão ainda arranjou tempo para vestir a pela dos seus heróis, travestindo “See Emily Play”, de Syd Barrett, “I Can’t Explain”, de Townshend ou “Where have all the good times gone”, de Ray Davies.

The Residents
George and James, Ralph 1984
Os amantes da soul, se pudessem, davam-lhes um tiro. Os da música clássica, enforcavam-nos. Os “criminosos” são os Residents, e o crime foi o massacre de James Brown e Gershwin, no primeiro volume de uma série dedicada a compositores americanos deste século.

Marianne Faithful
Strange Weather, Island 1987
Resultou do encontro mágico entre a produção de Hal Wilner e uma voz do fundo da noite. Tom Waits e Bob Dylan sangrados. E os extremos de uma ressurreição sempre incompleta, entre a ferida de “As Tears Go By” e o despojamento sem esperança de “Boulevard of broken dreams”.

Steve Beresford
L’ExtraordinaireJardindeCharlesTrenet, Nato 1988
Do jazzman e lunático Steve Beresford tudo se espera. Mas foi na editora-anedota Chabada que o inglês soltou o humor nonsense e o amor pelas variedades, em particular a “chanson française”, num disco sorridente que levou ao colo as canções de Trenet.

Pascal Comelade
El Primitivismo, les Disques du Soleil e de l’Acier, 1988
Tudo em que toca fica em cacos. E é ao juntar os pedaços com a cola da memória que a música se transforma num brinquedo. Aqui remonta alguns dos seus preferidos: Stones, Wyatt, Nino Rota e Chuck Berry.

Mary Coughlan
Uncertain Pleasures, Eastwest 1990
Uma das mais sensuais vozes da actualidade, a irlandesa Mary Coughlan desfiou álbuns de “covers”, qual deles o mais brilhante. “Uncertain Pleasures” distingue-se pela arrebatadora versão de “Heartbreak hotel”, de Presley, subindo ao cume em “The little death”, dos Boomtown Rats, feito standard de jazz.

Mathilde Santing
Carried Away 1991
Todd Rundgren, Roddy Frame e os Doors contam-se entre os autores de “Carried Away”, veículo para a voz desta holandesa cultivar a arte da elegância. Com a meticulosidade da coleccionadora e o apuro da designer.

Urban Turban
Urban Turban, Resource 1994
Para os suecos Urban Turban, dar lustro a uma canção é esfregá-la com o desregramento. Sarcasmo, rock & roll e sanfonas, numa variante das barbaridades folk dos compatriotas Hedningarna. “Voodoo Chile”, de Hendrix, e “Let’s work together”, dos Canned Heat, caíram que nem ginjas nas mãos dos iconoclastas.

Joni Mitchell
Both Sides Now, Reprise 2000
Uma das damas da pop deste século, na sua primeira incursão no universo das “covers”. Canções sobre o amor, numa paleta interpretativa que vai do recolhimento à orquestração majestosa das emoções. “Standards” na sua acepção mais nobre, de modelos a seguir.