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Trevor Watts Moiré Music Drum Orchestra – “A Wider Embrace”

Pop Rock

14 ABRIL 1994
WORLD

Trevor Watts Moiré Music Drum Orchestra
A Wider Embrace

ECM, distri. Dargil


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Trevor Watts, saxofonista britânico associado à cena da “free music” inglesa dos anos 60 e 70 (Howard Riley, Keith Tippett, Barry Guy, John Stevens, Derek Bailey, AMM…), fez parte da mítica Spontaneous Music Ensemble, voltando-se, na década seguinte, para a música e os ritmos de África e formando em separado as bandas Moiré Music e Drum Orchestra que finalmente, já nos anos 90, se fundiram numa única “ensemble”. No significado da palavra “moiré” está encerrada a chave para a estética do grupo: “O padrão em constante mobilidade visível em materiais trançados com subtileza, como a seda.” Steve Reich poderia utilizar a mesma frase como metáfora para a sua música.
Em “A Wider Embrace”, os saxofones alto e soprano do inglês revolvem-se em solos torturados sobre a vaga de percussão de Nee-Daku Patato, Nana Appiah, Jojo Yates e Papa J. Mensah – músicos por cujo passado passaram nomes como Osibisa, Bob Marley, Miriam Makeba, Gil Scott Heron, Peter Green, Gaspar Lawal e Hi Tension – e o baixo de Colin McKenzie, ex-membro de outra formação paradigmática da cena “free” inglesa, os Amalgam, para a recriação de texturas recortadas da música tradicional do Gana, nomeadamente da tribo Fanti, com desvios eventuais pelo imaginário celta (em “The rocky road to Dublin”, um tradicional irlandês) ou pelos estratos profundos dos “blues”. O jazz é referido como apenas uma, entre várias influências.
A improvisação joga um papel primordial nesta música feita de transes e explosões, funcionando o saxofone, no seu papel de solista, como catalisador, ponto de fuga, encontra e desencontro das massas instrumentais percussivas. Império dos tambores sobre o qual levantam voo uma flauta “wea” ou as cintilações de água de uma “mbira”. (7)

NOTA:
Vários leitores têm protestado contra o facto de alguns discos criticados nesta página – nomeadamente o último trabalho dos Radio Tarifa, “Rumba Argelina”, ou “Gitans”, de Thierry Robin, entre outros – não se encontrarem disponíveis nas discotecas. A tal facto somos completamente alheios, residindo o problema umas vezes na deficiente relação entre distribuidores e retalhistas, enquanto noutras a responsabilidade cabe por inteiro aos primeiros que não importam um número suficiente de discos, provocando deste modo o rápido esgotamento dos “stocks”.