Arquivo de etiquetas: Tied & Tickled Trio

Tied + Tickled Trio – “EA1 EA2”

10 de Dezembro 1999
POP ROCK


Tied + Tickled Trio
EA1 EA2 (8)
Payola, distri. Matéria Prima


ttt

Das cinzas do “acid jazz” nasceu uma nova corrente que em vez da apropriação dos ritmos de dança optou por uma aproximação e releitura do pós-rock. Mas enquanto, de um lado, os Isotope 217º se imbuíram da estética de Chicago dos Tortoise e da influência do som de Canterbury, na Alemanha os Tied + Tickled Trio integram na sua música elementos do jazz dos anos 60 da editora Blue Note ou o jazz-rock de Miles Davis e Herbie Hancock.
Integrando cerca de uma dezena (nada mau, para um trio…) de elementos cuja actividade se reparte por grupos como os Village of Savoonga, The Notwist, Ogonjok e Patawatomi, os Tied + Tickled Trio já tinham gravado antes deste, o álbum “Bingo” e o 12 polegadas “Curry park”. Em “EA1 EA2” toda a herança do jazz do passado, à qual se juntam ainda os Soft Machine da fase funky de “Bundles” numa faixa como “Van brunt”, ou de “Softs”, na entrada de piano de “Yolanda”, sofre o “input” de uma electrónica suja como a dos This Heat ou dos primeiros Cabaret Voltaire (“Utrom”), além de ocasionais incidências de “drum ‘n’ bass” e das batidas etno dos Can (“4 pole”). Tudo servido com uma intensa carga melódica provida pelo saxofone tenor de Johannes Enders que entre várias intervenções brilhantes se entrega em “Octant” a um solo absolutamente imbuído do jazz modal da Blue Note. “EA1 EA2” é um álbum onde a subtileza e a energia se combinam para intrigar quer os apreciadores do novo rock quer os amantes do jazz.


Monolith – Tied & Tickled Trio from Hakan Temuçin on Vimeo.

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Tied & Tickled Trio – “Observing Systems”

23.01.2004

Tied & Tickled Trio
Observing Systems
Morr Music, distri. Ananana
8/10

LINK

“Observing Systems” (termo criado no início dos anos 70 pelo teórico de sistemas cibernéticos Heinz von Foerster), quarto álbum da dupla germânica formada por Markus (bateria, programações) e Micha Acher (trompete, baixo), mistura estilos e sonoridades com o desplante de quem tem à sua disposição os arquivos da grande enciclopédia de música universal. “The long tomorrow” faz interagir o jazz, a electrónica e o pós-rock com Misha a empolgar-se numa personificação energética do Miles Davis de “In a Silent Way”, bem secundado pelos devaneios “free” de Johannes Enders, no sax tenor. Mas logo tudo se fragmenta em refracções “dub” ou atraindo a si os miasmas de nostalgia dos Tuxedomoon. Sucessivamente, vão emergindo paisagens “trip hop”, “avant jazz” e até, em “Motorik”, uma leitura bastante livre e jazzística do krautrock dos Neu!. Thelonius Monk e Sun Ra são igualmente objecto de presumíveis homenagens, respectivamente em “Ship Monk” e “Radio Sun”. A observação da observação leva a uma nova compreensão da realidade”, diz Foerster e os T&TT põem em prática. Delírio quântico ou regurgitação de informação em excesso, seja como for, está bem observado.

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