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Thomas Brinkmann – “Rosa”

Y 24|Novembro|2000
escolhas|discos

THOMAS BRINKMANN
Rosa
Max Ernst, distri. Ananana
8|10



Dentro do espírito “back to basics” não há quem bata Thomas Brinkmann, com assinatura própria, ou como Soul Center. “Rosa” reúne uma coleção de EP já editados em vinilo, cada um com um nome de mulher. A embalagem não poderia ser mais minimalista, com a informação e o grafismo circunscritos a quase nada. Ao contrário do pendor funky dos Soul Center, “Rosa” resvala para a abstração analítica, servindo-se das programações para criar um segmento sónico de 74 minutos do qual, uma vez apanhados pelo ritmo, só conseguimos sair no fim. “Grooves” matemáticos ao serviço de uma tecno minimal cuja eficácia se comprova na absoluta irredutibilidade rítmica segundo a mesma estética de Vladislav Delay ou Rechenzentrum. Depois de nos enredar no centro da alma, Brinkmann aprisiona-nos nas certezas da máquina.



Soul Center – Soul Center

18.02.2000
Soul Center – Soul Center (6/10)
W.v.B. Enterprises, distri. Ananana

soulcenter1

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Uma das perguntas que ao longo dos últimos anos fiz a mim próprio foi: “Para que serve a música de dança?”. Sem que me desse conta, fez-se luz e a resposta brotou, luminosa, no meu cérebro: “Para dançar”. Armado com esta descoberta encarei de frente a tarefa de escrever sobre este álbum sobre o qual a informação é nula, exceptuando o facto de me terem dito que o mentor dos Soul Center é o alemão Thomas Brinkmann, o mesmo que no ano passado, no concerto de encerramento do Festival Reset!, me fez corar de vergonha, pondo-me a dançar ritmos tecno, ali em frente de toda a gente! O tema de abertura de “Soul Center” prolonga aquilo que se ouviu nessa ocasião: música electrónica primária mas extremamente eficaz. As coisas mudam de figura no tema seguinte, com um swing construído a partir de samples vocais que lembra “Idioglossia”, um excelente e ignorado álbum de Chris Burke. A batida tecno-tribal regressa no tema nº 3, o que me obrigou a saltar mais uma vez do computador para o meio da sala, possuído pelo furor da dança. “Funky Man!”, gritei de entusiasmo, os olhos injectados de sangue, as pernas fora de controle. Mais “funk” e vozes sampladas na faixa 4. Começo a ficar preocupado. Estou a gostar. Vejo ao longe James Brown acenar com os braços. Uma coberta de sintetizador de cetim analógico aumenta ainda mais a sedução. Thomas Brinkmann é um pragmático, tudo na sua música converge para a sagrada função de fazer dançar, custe o que custar, de forma por vezes linear mas sempre sob o comando, mais do que da inteligência, dos estímulos disparados pelos sentidos. Sem ser inovador, soando mesmo a anacronismo, “Soul Center” toca, afinal, nesse tal centro da alma – lugar onde convergem e de onde partem todas as danças.