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Steve Roach, Stephen Kent, Kenneth Newby – “Halcyon Days”

Pop Rock

8 Janeiro 1997
poprock

Steve Roach, Stephen Kent, Kenneth Newby
Halcyon Days
FATHOM, DISTRI. STRAUSS


hd

Steve Roach desempenha hoje, no universo da música electrónica conotada com a chamada escola da Califórnia, um papel equivalente ao de Klaus Schulze, nos anos 70, relativamente à Escola de Berlim, ou a Brian Eno, na década seguinte, na área do ambientalismo. À semelhança destes dois músicos, Roach possui a mesma capacidade, quer de aglutinador e catalisador de sons e tendências estéticas alheias, quer de inovador em campos personalizados de composição, que acabam por se instituir como correntes autónomas. Foi Roach que na Hearts of Space, em álbuns como “Western Spaces”, ou “Desert Solitaire”, dignificou um género, a “new age”, conferindo-lhe a profundidade e autenticidade de uma música que unia a espiritualidade, a inovação tecnológica e a essência das músicas étnicas imaginárias do quarto mundo, como as delineara Jon Hassell. Foi ainda Roach, que em plena autofagia dos géneros conotados com a música de dança, reinventou o silêncio para além da “ambient techno”. Primeiro na solidão absoluta dos confins da galáxia, num álbum como “The Magnificent Void”, do qual derivaria a estética “Ambient Noir”, o próprio som da escuridão, amplificado nas cavernas do insconsciente. O lado mais étnico e telúrico da sua música artilhou-o este compositor americano como Suso Saiz e Jorge Reyes, no projecto Suspended Memories, do qual estes “Halcyon Days” são como que a sua continuação, numa área por vezes mais próxima de Hassell, Lights in a Fat City ou Mo Boma, que do naturalismo sónico da sua obra gravada para a Hearts of Space/Fathom. Os seus actuais parceiros são Stephen Kent, mago do didgeridu dos Lights in a Fat City, e Kenneth Newby, autor de uma equação de paranóia musical intitulada “Ecology of Souls”. Com base nos mitos da Grécia antiga, “Halcyon Days” é mais um tratado de hipnose e alucinação auditiva, respiração húmida da terra e das criaturas do subsolo, tanto como o adejar das asas dos insectos e dos anjos. Banda sonora de uma revelação interior ou cova de perdições, território de sonhos sem princípio nem fim. (8)



10 Mais de 1997

26.12.1997
10 Mais de 1997

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LINK (Kreidler – “Weekend”)

Fuschimuschi Math-Ice – “Short Stories”
Negativland – “Idepsipe”
Steve Roach, Stephen Kent, Kenneth Newby – “Halcyon Days”
Peter Hammill – “Everyone You Hold”
Kreidler – “Weekend”
Legendary Pink Dots – “Hallway Of The Gods”
Art Zoyd – “Haxan”
Hans-Joachim Roedelius – “Sinfonia Contempora No. 1”
Paul Simon – “Songs from ‘The Capeman’”
La! Neu? – “Düsseldorf”

Steve Roach & Vidna Obmana – Well of Souls

21.05.1997
Poço Sem Fundo
Steve Roach & Vidna Obmana
Well of Souls (8)
2XCD Projekt, distri. Ananana

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LINK

Steve Roach é, actualmente, um dos músicos mais activos da cena de música electrónica que, a aprtir dos finais dos anos 70, tem vindo a desenvolver-se na Califórnia. Das primeiras obras, marcadamente planantes, que gravou na Hearts Of Space, evoluiu para o chamado “tribal ambient”, em álbuns como “World’s Edge” ou “Dreamtime Return”, a par dos trabalhos dos Suspended Memories, com o mexicano Jorge Reyes e o espanhol Suso Saiz. Com “the Magnificente Void”, editado em 1995, já no selo Fathom, subdivisão da Hearts Of Space especializada em música electrónica fora dos parâmetros vulgares da “new age”, inaugurou um novo género, designado “sombient2, ou “ambiente noir”, caracterizado por “drones” electrónicas e efeitos sombrios prolongados infefinidamente.
“Well Of Sounds”, em colaboração com o belga de pseudónimo Vidna Obmana, autor de um álbum, “The Spiritual Bonding”, com óbvias ligações À música de Roach, divide-se em dosi discos, respectivamente dedicados ao dia e à noite. O primeiro insere-se na mesma estética tribalista dos álbuns citados, nas suas lngas evocações aos deuses e forças da natureza que culminam nos 24m08s de “The gathering”. As batidas tribais desaparecem no segundo disco, um fresco iridescente de “sombient” que mergulha nas caves do inconsciente em duas extensas peças de pura suspensão sonora. “Deep hours” (29m24s9 e “Well of souls” (25m48s). Sintetizadores em contínuo “decay”, refracções fantasmagóricas, pingos de estrelas quebram a ondulação sumptuosa das coisas nocturnas, numa viagem astral pela noite que aterra ao lado de clássicos de “sombient” como “Velvet voyage”, de Klaus Schulze, do álbum “mirage”, percursor do género, e “Flight”, que ocupa todo o segundo disco do duplo “Syn”, obra maior de Pete Namlook. “Well of Souls” tem um tempo e uma dimensão próprios. Como tal, recomenda-se a reserva, antecipada, de uma semana só para a audição.