Arquivo de etiquetas: Steeleye Span

Steeleye Span – “Below the Salt” + “Parcel of Rogues” + “Commoner’s Crown” + “Rocket Cottage”

Sons

25 de Setembro 1998
REEDIÇÕES


Steeleye Span
Below the Salt (9)
Parcel of Rogues (8)
Commoner’s Crown (7)
Rocket Cottage (6)
BGO, distri. Megamúsica


ss

Fairport Convention e Steeleye Span formaram, nos anos 70, o par de bandas sem as quais o folk.rock nunca teria existido. Os primeiros contavam nas suas fileiras com uma diva: Sandy Denny. Do lado dos Steeleye Span, o trunfo da voz feminina não era menor: Maddy Prior. Durante anos disputaram ambas o ceptro de “melhor cantora folk das Ilhas Britânicas”. Com a morte prematura de Denny, Maddy Prior foi eleita, com toda a naturalidade, rainha incontestada. Ninguém se lembrou de June Tabor, talvez por fazer parte de outro baralho…
Mas os Steeleye Span contavam ainda, nas suas fileiras, com um guru, Ashley Hutchings, fanático da “morris dance” e do rock, dois estilos aparentemente antagónicos que procurou misturar, quer, primeiro, nos Fairport Convention quer nos Steeleye Span, antes de se dedicar por inteiro ao seu projecto mais querido, os Albion Band, na sequência de um disco lendário que publicou em 1972, “Morris on”. Para trás ficavam, dos Steeleye Span, os álbuns “Hark! The Village Wait”, “Please to See the King” (álbum folk do ano, em 1971, para o Melody Maker) e “Ten Man Mop or Mr. Reservoir Butler Rides again”, os dois últimos com a participação de Martin Carthy, provavelmente a maior voz masculina da folk inglesa contemporânea.
Com uma formação composta por Maddy Prior (voz), Peter Knight (violino, viola, bandolim, banjo), Tim Hart (guitarra, saltério), Rick Kemp (baixo) e Bob Johnston (guitarra), os Steeleye Span gravaram, em 1973, “Below the Salt” e, no ano seguinte, “Parcel of Rogues”. “Below the Salt” é um daqueles discos que marcam uma época e de onde ressalta uma magia especial. As vozes de Maddy Prior e de Tim Hart, afeiçoadas num passado comum, nos álbuns “Summer Solstice” e nos dois volumes de “Folk Songs of Olde England”, harmonizam-se como a de dois menestréis em temas como “Spotted cow” e “King Henry”. “Jigs: The bride’s favorite/Tansey’s fancy” é a resposta, em delicadeza, de Peter Knight, aos instrumentais inflamados de Dave Swarbrick, nos Fairport Convention. Polifonias “a capella”, como “Rosebud in June” e o clássico “Gaudete” enriquecem sobremaneira um disco onde, acima de tudo, a voz de Maddy Prior se eleva a alturas sublimes, em interpretações de antologia como as que rubrica em “Sheep-crook and the black dog”, “Royal forester” e “Saucy sailor”. Em “John Barley-corn”, representativo do lado mais folky do disco, é a vez de Tim Hart mostrar aquilo que vale. Há ainda o lado mais épico e progressivo, presente no longo “King Henry”, representativo ainda do tom geral que caracteriza “Below the Salt”, ilustrado pela capa, representando um banquete medieval.
“Parcel of Rogues” é um álbum que soa mais fácil e descontraído, com a electricidade e os ritmos rock a fazerem sentir-se com mais força, indicando o rumo que a banda viria a seguir nos álbuns seguintes e lhe valeria uma série de presenças regulares nos tops de vendas do Reino Unido, embora os Steeleye Span, desde “Please to See the King”, já fossem presenças regulares nessa mesma lista. Temas como “One misty moisty morning”, o instrumental “Robbery and violins” ou “The wee wee man” transbordam de energia, à boa maneira de uma banda rock. Por outro lado, em “Alison Gross”, “The Bold poachers”, “The ups and downs”, “The wee wee man” e “Rogues in a nation” (“a capella”), saem reforçadas a componente polifónica e as harmonizações vocais, cuja fluidez contrasta com o maior aprumo e compartimentação vocal do álbum anterior. Entregues aos cuidados vocais de Maddy Prior estão “One misty moisty morning”, “The weaver and the factory maid” e “Cam ye O’er frae France”.
Após “Now We are Six”, um fenómeno de vendas que contou com as participações do flautista dos Jethro Tull, Ian Anderson, como produtor/consultor, e de David Bowie, que toca saxofone num dos temas, “Commoner’s Crown”, de 1975, já com a presença do baterista Nigel Pregum (chegado dos progressivos Gnidrolog), envereda decididamente pelo rock-folk, em vez do folk-rock original… Um passo que Tim Hart justifica, comparando, uma vez mais, os percursos paralelos dos Steeleye Span e dos Fairport Convention. “Penso que experimentamos áreas que os Fairport Convention nunca atingiram, embora eles permanecessem mais em contacto com as raízes da música folk, algo que nós tivemos sempre mais tendência para ignorar”.
“Commoner’s Crown” vale, ainda e sempre, pelas excepcionais prestações de Maddy Prior, em “Little sir Hughh”, “Long lankin”, “Galtee farmer” e “Weary cutters”, esta num desdobramento permitido pela utilização de multipistas. Registe-se ainda a participação do actor Peter Sellers a tocar ukelele (o nosso cavaquinho) em “New York girls”, uma brincadeira. Mas se em “Commoner’s Crown” o trabalho de composição mantém um elevado nível qualitativo, notório nas harmonias vocais de “Dogs and ferrets” e “Elf call”, ou no instrumental “Bach goes to Limerick”, que impedem a bateria de ocupar um lugar de excessiva predominância, já em “Rocket Cottage”, de 1976, que sucede a “All around my Hat”, o mesmo não acontece. A batida de Pegrum torna-se um factor de vulgarização na quase totalidade dos temas, salvando-se ainda e sempre a voz de Prior. Curiosos, pelas razões opostas, são “Sir James the rose”, um aceno aos Fairport Convention, e o tema longo, “The drunkard”, que desce ao popularucho, fazendo suspirar pela arrepiante abordagem, sobre o mesmo tema do alcoolismo, de Richard e Linda Thompson, em “Down where the drunkards roll”, da obra-prima “I want to See the Bright Lights tonight”.
Todas as presentes reedições são remasterizadas, notando-se uma melhoria acentuada em relação às anteriores disponíveis no mercado, da Shanachie, o mesmo acontecendo com “Silly Sisters”, primeiro álbum da colaboração entre Maddy Prior e June Tabor, também agora reeditado.



Steeleye Span – “Time”

Pop Rock

29 de Maio de 1996
world

Steeleye Span
Time
PARK, DISTRI. MEGAMÚSICA


ss

Vá lá, dêm um voto de confiança aos velhotes. Em “Time”, os Steeleye Span, pioneiros do “folk rock”, tentam a todo o custo recuperar o tempo perdido em recentes tropeções por uma “modernidade” que não casa bem com a sua figura de gerontes. A esta ginástica de reconversão da anterior reconversão, que permite ao grupo de Maddy Prior e Peter Knoght manter-se acima da linha de água, passados tantos anos de bons e alguns (poucos) maus serviços, deve acrescentar-se o regresso da filha pródiga Gay Woods, 26 anos depois de ter abandonado o grupo após a gravação do álbum de estreia “Hark! The Village Wait”. As duas põem a conversa em dia em duetos que fazem todo o encanto deste álbum, a excelência e a prática nunca interrompida da grande senhora Prior com a rudeza, mas também um singular tom naturalista e “naif”, de Woods, que finalmente pôs cobro a um quarto de século de vida doméstica, trocando-a pelas canseiras da vida “on the road”. Em 1996, os Steeleye Span já não revolucionam nada, como revolucionaram a “folk” inglesa ao lado dos Fairport Convention e dos Pentangle, à entrada dos anos 70, mas podem orgulhar-se de terem conseguido recuperar a frescura e a dignidade que tinham perdido pelo caminho. Temas como “The old maid in the garrett”, “Underneath her apron”, “The cutty wren” e “Corbies” estão ao nível dos clássicos do grupo, acreditem. Talvez o tempo esteja de novo favorável para eles. (7)



Steeleye Span – They Called Her Babylon

19.11.2004
Steeleye Span
They Called Her Babylon
Park, distri. Megamúsica
7/10

LINK
pwd: folkyourself.blogspot.com

Nunca nada está perdido para os Steeleye Span, a banda de folk rock inglesa que tem sete vidas como um gato. Sobrevivendo Às modas, às investidas da “world” e a sucessivas alterações na formação, o grupo regressa com uma vitalidade digna de registo. O equilíbrio entre as vertentes “folk” e rock nem sempre é o mais adequado, nalguns casos fazendo-se valer uma veia mais “hard rock” progressiva que ora recorda os Jethro Tull ora os Gentle Giant. Mas para aqueles para quem a profusão de guitarras eléctricas e bateria não constituem obstáculo, “They Called Her Babylon” oferece “riffs” e refrões irresistíveis. Houve já quem, talvez apressadamente, considerasse este álbum um dos clássicos do grupo. Na verdade, se há temas em que os Steeleye Span tocam o esplendor de outros tempos esses devem-se às vocalizações de Maddy Prior. Clássicas são, sem dúvida, as suas interpretações em “Van Diemen´s Land”, “Heir of Linne” e “Child Owlet”, esta última de antologia. Num álbum marcado pela temática religiosa, soa a débil a execução no violino de Peter Knight em “Si begh si mohr”, de Turlough O’Carolan, longe de fazer esquecer a inultrapassável versão dos Chieftains.