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Slow Poke – Redemption

14.07.2000
Slow Poke
Redemption (7/10)
Intuition, distri. Dargil

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Aos Lounge Lizards, de John Lurie, se deve em grande parte ter aproximado o jazz de um público habituado ao consumo de música rock, sem condescender nos caminhos fáceis do “jazz rock” ou das fusões concebidas em laboratório. Curiosamente, a partir desta abertura, o próprio jazz acabou por se refrescar através de novas direcções como as encetadas por Lenny Pickett com os seus Borneo Horns ou por Peter Apfelbaum com os seus Hieroglyphics Ensemble. A junção do jazz com a electrónica permitiu, por outro lado, a formação de projectos – mais ou menos convenientemente conotados com o pós-rock – como os Chicago Underground Duo, isotope 217º, Vandermark Five, Pothole ou Tied & Ticked Trio. Os Slow Poke optaram por uma maior fidelidade ao jazz tradicional, sem dispensar a utilização, discreta, do sampler, mas evitando de todo qualquer coloração electrónica mais ostensiva. Baladas como “Sixthe Sense” colocam em evidência as capacidades do saxofonista tenor e soprano Michael Blake, solista na senda do actual mestre Ken Vandermark ou, num tema como “Jar of hair”, de John Lurie, precisamente. “Dear ear” é tão “lounge” como “lizard” e “Cilantro” insinua o cabaré impressionista de Pascal Comelade no universo do “fake jazz” ainda e (quase sempre) dos Lizards enqunato em “God don’t never change” chega a ser perturbante a forma como Blake recria no saxofone a sonoridade e o swing de Dana Colley, dos Morphine. “Redemption” se não redime o jazz, empresta-lhe porém o calor da crença e do idealismo.