Arquivo de etiquetas: Sharon Shannon

Sharon Shannon – “Out The Gap”

Pop Rock

12 de Julho de 1995
Álbuns world

Acordeão preguiçoso

SHARON SHANNON
Out The Gap

Green Linnet, import. Etnia


ss

Não se faz uma coisa destas, Sharon! Então a senhora dá um concerto de arromba nos Encontros, grava um primeiro disco que é um pitéu e agora não consegue manter a pedalada? Eu explico-lhe as razões da minha reserva. Está bem que, desta vez, forçou um bocado demais na nota americana, pegando de passagem em temas da tradição do Quebeque – um deles, por sinal, que lhe foi ensinado pelos La Bottine Souriante (sabia que vêm cá tocar na próxima Festa do Avante!? Se puder, apareça.) – e numas “Butterflies” finlandesas. Também reconheço que continua a tocar como só você sabe (descontando o seu compatriota Mairtin O’Connor, mas esse já tem idade para ser seu pai…). Mas a base rítmica da sua nova banda, meu deus, nas mãos desse ex-Waterboys que você arranjou, no baixo, e nas de um guitarrista com a desagradável tendência para se deixar adormecer, não podia ter sido um bocadinho mais trabalhada?
É que parece música a metro e, por vezes, até somos levados a pensar que você, nos últimos tempos, não tem feito outra coisa senão ouvir “ceili bands”, contra as quais, de resto, nada tenho contra. Mas esse binários quadrados, tão martelados, que alguém mais desprevenido seria levado a tomar por uma caixa-de-ritmos!… Que coisa. E então o saxofone de feira nessa coisa medonha com o título “The mighty sparrow”, não tinha lá em casa nada melhor? Você que até mostra ter sorrisos e lágrimas no coração no tal tema da Finlândia, que, em “Thunderhead”, nos pega ao colo e leva à Irlanda profunda (mas aqui, se calhar, é por a guitarra estar entregue a um tal Gerry O’Beirne…) e, em “Reel Beatrice”, até pôs asas no acordeão. Sharon, é com algum pesar que lhe estou a escrever isto. Ainda guardo na memória o seu sorriso corado pela alegria de tocar e o prazer que senti em ouvi-la em Algés. Danço consigo a valsa, tão triste e arrastada, a que chamou “Maguire and Paterson” e depois vou-me embora. Espero encontrar-me em breve consigo com algo mais animador para lhe dizer. Entretanto, continue a tocar acordeão, que esse dom ninguém lhe tira. Do seu amigo que, infelizmente, não lhe pode atribuir mais que a nota (6)