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Shabotinski – Stenimals

13.02.1998
Escola de Viena
Shabotinski
Stenimals (9)
Plag Die Nicht, import. Ananana

Já houve quem comparasse “Stenimals”, álbum de estreia dos austríacos Shabotinski, a “Millions now living will never die”, dos Tortoise. No âmbito do universo cada vez mais vasto do pós-rock, tal comparação apenas vem provar a importância, enquanto referência deste movimento, da banda monitorizada por John McEntire.
“Stenimals” começa, em “Provided with toys”, por pisar os redescobertos caminhos do “jazz”, desta vez via uma batida moderadamente “funky” que tanto evoca os King Crimson dos anos 80 como uma sessão de musculatura “soft” de Bill Laswell. Depois, o tema vai desacelerando até se diluir nas águas do puro experimentalismo, entre o mimetismo de “breakbeats” de uma fábrica de plutão e uma sessão de dactilografia fantasma.
O tema seguinte, “Lure”, sugere, de facto, os Tortoise, curiosamente já do novo e “ultra-light” álbum “TNT”. Libertos da sessão de cortesia, os Shabotinski passam a dedicar-se por inteiro à mãe da invenção, explorando a poesia das máquinas e da sua respiração, quer aflorando o transe cibernético do eixo Neu!-Trans AM, como em “Cold comfort”, quer apalpando as arestas do silêncio, como no título-tema, quer ainda retirando toda a matéria pesada às guitarras, mergulhando-as num suave elixir de bolhas de perfume electrónico, como em “Cygnus a”.
A seguir, mais um “flash”, quando “Prayer” se projecta numa inacreditável incursão no mundo de bonecos animados de Canterbury, vocalizando-se dentro do bule dos Gong, na Inglaterra de gnomos e chá das cinco dos Caravan. “Glacial slit” mistura um vibrafone, também ele devedor dos Gong, mas já do planeta fusionista de Pierre Moerlen, com um sax prodigioso de agilidade e leveza, num “groove” montado a partir das peças abandonadas por Elliott Sharp.
Adeptos da diferença, possuidores de uma originalidade e frescura de ideias que os colocam ao nível dos Tortoise, que chegam a ultrapassar, os Shabotinski assinam desde já um dos álbuns do ano, passando também a constituir um dos momentos-chave do pós-rock, movimento cujas produções mais recentes oriundas da Europa tendem cada vez mais para a criação de uma nove estética que passa pela estimulação do ambientalismo.

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Shabotinski – (B)ypass (K)ill

28.01.2000
Shabotinski
(B)ypass (K)ill (8/10)
Charhizma, distri. Ananana

shabotinski

Antes de irem a correr protestar até à loja porque o disco está estragado, ouçam até ao fim o tema inicial deste segundo álbum da banda austríaca Shabotinski, a mesma que há dois anos assinou o excelente “Stenimals”. O tema em questão, que abre “(B)ypass (K)ill” (a decifração dos títulos, através da consulta da capa, é tarefa que exige muita paciência e uma lente de aumento) usa o típico ruído de um CD estragado (velocidade acelerada, como se não conseguisse ser lido) para construir um dos muitos “grooves” de natureza estranha que preenchem o álbum. A seguir a esta “avaria” os Shabotinski fabricam um swing irresistível de electrónica-enguia sobre o qual se agita um sample com um trompete de jazz fanhoso. Mais ruídos (agora de estática), recortes de drum ‘n’ bass e hip hop de má cara e arma na mão, um “film noir” industrial saturado de “noise” e distorsão amplificados até ao pesadelo, ocasionais aproximações à electrónica em labirinto dos Orchester 33 1/3 – o que se compreende, uma vez que um dos elementos dos Shabotinski, Christof Kurzmann, fez parte daquela formação – juntam-se a arquitecturas ambientais abstractas, a um solo de contrabaixo sobre mais ruídos e guitarra com as cordas lassas (faixa 6) ou a uma “canção” como a faixa 8 vocalizada (“life doesn’t fright me at all”…) à maneira dos Wire enquanto por detrás alguém é torturado com barras de ferro e choques eléctricos e outro se entretém a solar distraidamente num saxofone. Tão inclassificável como “Stenimals”, “(B)ypass (K)ill” confirma os Shabotinski como uma das bandas mais criativas do panorama da música electrónica actual.

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