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Roger McGuinn – “Back From Rio”

Pop Rock

30 JANEIRO 1991

ROGER MCGUINN
Back from Rio

LP, MC e CD, Arista, distri. BMG

Consta em todos os manuais: os Byrds foram, ao lado dos Beach Boys, um dos grupos americanos dos anos 60 que mais influenciou o som das gerações futuras. “TRue originals”, como os anglo-saxónicos costumam dizer. Foram originais a vários níveis – na maneira como souberam integrar diversas linguagens musicais (o jazz, as ragas indianas e, sobretudo, a “country”) no vocabulário do Rock; no aproveitamento, em estúdio, do “espaço” sonoro e da reverberação (recorde-se a fabulosa produção de “Eight Miles High”), que, juntamente com a característica anterior, conferiram aos Byrds o estatuto de precursores do psicadelismo e, finalmente (porventura o mais importante), na mestria com que facilmente compunham “clássicos” através de uma intuição melódica que, na altura, talvez só encontrasse rivais nos já citados Beach Boys e nos inevitáveis Beatles.
Convém relembrar estes factos, já que “Back from Rio” representa, em grande medida, o renascimento do som da banda extinta em 1973. Ao longo de todas as faixas manifesta-se, com inconfundível fluência, o som característico da velha guitarra Rickenbacker de doze cordas que, aliado ao não menos característico timbre vocal do ex-Byrd, faz de “Back from Rio” um perfeito sucessor das aventuras de antanho.
Chris Hillman e David Crosby, seus antigos companheiros, ajudam no processo de recuperação do mito. Elvis Costello, Tom Petty e Dave Stewart (Eurythmics) contribuem para que o disco não possa ser confundido com uma mera estratégia revivalista, através da assinatura e participação nos temas “You Bowed Down”, “King of the Hill” e “Your Love is a Goldmine”, respectivamente. Stan Ridgway empresta a sua voz, via telefone, a “Car Phone”, homenagem (que inclui a citação de um dos seus versos) aos “fabulosos quatro” de Liverpool.
“Back from Rio” testemunha o facto, hoje em dia cada vez mais evidente, do desaparecimento do confronto entre as diferentes épocas musicais das últimas três décadas. Se algo entretanto mudou nesse período, não foi certamente a capacidade de Roger McGuinn nos transportar, a cavalo em guitarras, pelos caminhos míticos da América. Um regresso feliz. ***

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