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Richard Sinclair – “R. S. V. P.”

Pop Rock

29 Janeiro 1997
poprock

Richard Sinclair
R. S. V. P.
RICHARD SINCLAIR SONGS, IMPORT. PLANETA ROCK


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Aqui está como se pode trazer para o presente uma escola que frutificou no passado, sem cair na nostalgia passadista num no ridículo de reproduções despropositadas. Richard Sinclair, além de baixista, foi “a voz” – uma voz que se tornou num dos ícones do movimento – dos Caravan e Hatfield and the North (antes de entrar para os menos representativos Camel), dois dos principais grupos da escola de Canterbury, que, na transição dos anos 60 para os 70, deu origem, além destes, aos Soft Machine, Gong, Egg, Khan, Gilgamesh, Matching Mole e National Health, entre outros. Em “R.S.V.P.”, a voz, um misto de “englishness” e bossa nova, não perdeu nenhuma das suas qualidades nesta reciclagem de sons de Canterbury que surge como continuidade de uma corrente que nunca chegou verdadeiramente a quebrar. O tema de abertura, “What’s rattlin’”, é mesmo um saboroso exercício de fina ironia: “Não quero que isto seja mais uma história nostálgica como as ‘Canterbury Tales’ de Chaucer escritas em braile. Já tive que chegasse disso. Estou farto de chávenas de chá e ‘riffs’ em 15 por 8 à la Hatfield and the North.”
A letra deste tema faz ainda alusão a alguns dos seus companheiros dessa época, aos Caravan, Hatfield, Gong, Soft Machine, Robert Wyatt e Kevin Ayers, mas também aos Tangerine Dream e Henry Cow. No final, num trocadilho com o nome do antigo teclista dos Soft Machine, refere um dos principais enigmas que ficaram destes heróis de Canterbury: “What’s doing Mike Ratledge? What’s rattling Mike Doodlage?” Afinal, em “R.S.V.P.” estão presentes Andy Ward (dos Camel), Pip Pyle, Hugh Hopper, Jimmy Hastings, Didier Malherbe e Tony Coe, pertencentes à nata de Canterbury, num exercício de “pop-jazz” mais sinuoso que complexo, com incursões de didgeridu e excentricidades várias destes pequenos génios que a história voltou a desembrulhar.
Na altura em que projectos como os Gorky’s Zygotic Mynci e 13th Sign recriam a mitologia gonguiana dos “pot head pixies”, desmultiplicando-se em referências ao som e atitude de Canterbury, faz ainda mais sentido reatar (ou iniciar) o contacto com um dos fundadores da “original thing”. (7)