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Rafael Toral – “Wave Field”

POP ROCK
15 de Novembro de 1995

Álbuns portugueses

Rafael Toral
Wave Field

ED. E DISTRI. MONEYLAND


rt

“The Wave Field está situado algures numa região longínqua do território ambiental, junto à fronteira de uma área pantanosa onde vibrações abstractas de rocha líquida se dissolvem sob nuvens carregadas de ruído, ecoando alguma irradiação eléctrica”, diz o autor a propósito da sua obra. Nem mais, escrito em inglês e tudo, sem esquecer uma dedicatória (em inglês) a Alvin Lucier e outra, em letras mais pequenas, aos My Bloody Valentine, nem o indispensável aviso (em inglês) aos ouvintes de que “não foram utilizados sintetizadores, mas apenas filtros”. Bom, são três longas composições, sem sintetizador, apenas com filtros, uma do ano passado, as outras deste ano, nas quais Rafael Toral põe a guitarra a ressonar num “continuum” perpétuo. Ao pé dele, a “infinite guitar” do Michael Brook parece uma ejaculação precoce. A bíblia da guitarra demoníaca, “Evening star”, de Robert Fripp com Brian Eno, continua a ser o ponto de referência. Ouvido com muita atenção e com dez quilos de LSD no bucho consegue-se mesmo descortinar o som de “vibrações de rocha líquida dissolvidas sob nuvens carregadas de ruído, ecoando alguma irradiação eléctrica”. Ou será o ruído do motor do leitor de compactos? (4)



Rafael Toral – “Sound Mind, Sound Body”

POP ROCK

15 de Fevereiro de 1995
álbuns portugueses

Rafael Toral
Sound Mind, Sound Body

ED. E DISTRI. ANANANA


rt

Estreia a solo do guitarrista, se descontarmos a sua dupla participação na colectânea “Em Tempo Real”, incluindo a colaboração com os No Noise Reduction. Quatro temas (contando como um as duas versões de “Loopability”), compostos entre 1987 e 1992, primam pela falta de originalidade e pouco mais mostram do que exercícios de estilo razoavelmente decalcados de músicos como Robert Fripp (sobreposição de contínuos electrónicos em “A E R 4”) da época de “Evening Star”, com Brian Eno, Fred Frith (“A E R 7 E” nas suas divisões do tempo ao longo de 12 monótonos minutos) e Glenn Branca, nas harmonizações massificantes, efectuadas ao vivo com Sapo, Jorge Pinheiro e João Oliveira e Silva, na Galeria Monumental em Dezembro de 1991. Os dois temas intitulados “Loopability” não passam disso mesmo, manipulações básicas de fitas magnéticas, com recurso ao sampler, sem qualquer aspecto minimamente estimulante ou, no mínimo, interessante. Não se percebe a finalidade deste disco. Estamos em 1995, não em 1975. A guitarra evoluiu. Toral deveria fazer o mesmo.