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Pierre Bastien – “Musiques Paralloïdres” + André Popp & His Orchestra – “Delirium in Hi-Fi”

Sons

14 de Maio 1999
POP ROCK


Pierre Bastien
Musiques Paralloïdres (7)
Lowlands, distri. Ananana
André Popp & his Orchestra
Delirium in Hi-Fi (8)
Basta, distri. Matéria Prima/Ananana


pb

Dois álbuns de colagem, “Musiques Parallöidres” e “Delirium in Hi-Fi”, estão separados entre si por 42 anos. Bastien, elemento habitual da orquestra de Gepetos de Pascal Comelade, já tinha inventado o Meccanium”, ainda uma orquestra, mas de dispositivos mecânicos articulados e sincronizados por meios artesanais. Um conceito de música robotizada que nos anos 70 já fora posto em prática pelo lunático Riger Ruskin Spear, dos Bonzo Dog Doo Dah Band, com a sua Giant Kinetic Wardrobe. “Musiques Parallöidres explora um conceito semelhante ao de Meccanium, desta feita utilizando um sistema de vários gira-discos modificados e igualmente postos em sincronização. “Loops” de espiras de vinilo atravessadas pela agulha do gira-discos nos dois sentidos e posteriormente coladas e montadas (nalguns casos adicionados a instrumentos executados em tempo real, embora Bastien não dê quaisquer indicações nesse sentido) criam um cabaré minimalista de marionetas que, por vezes, lembram algumas das experiências dos Severed Heads em “Since the Accident” e “City Slab Horror”. O caso de André Popp ilustra uma genial esquizofrenia. Em 1957, este senhor gravou em Paris o presente disco de easy-listening, a partir da manipulação de fitas previamente gravadas. O resultado é pura ilusão. Temas do imaginário comum como “La Paloma”, “Adiós muchachos” ou “La cumparsita” ganham uma consistência espectral, na estranha inflexão de uma voz ou em quase imperceptíveis metamorfoses dos timbres, transportando-nos para uma realidade alternativa. André Popp imitou o dr. Frankenstein.



Pascal Comelade, Pierre Bastien, Jac Berrocal, Jaki Liebzeit – Obliques Sessions

07.11.1997
Pascal Comelade, Pierre Bastien, Jac Berrocal, Jaki Liebzeit
Obliques Sessions (6)
Les Disques du Soleil et de L’Acier, import. Ananana

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Brinquedos e mais brinquedos. A princípio pareceu original, mesmo encantador. Depois, pouco a pouco, o universo falsamente infantil de Pascal Comelade foi perdendo a magia e os brinquedos as peças. Era preciso mudar. Comelade chamou o seu discípulo Pierre Bastien, também ele inventor de um dispositivo musical artesanal, o “meccanium”, Jac Berrocal, homem conhecido das músicas mais “free” que se fazem em França, e Jaki Liebzeit, antigo baterista dos Can. Para potenciar ainda mais o efeito de mudança foi utilizada a mesma mesa de misturas das “Estratégias Oblíquas”, inventada e usada pela primeira vez por Brian Eno e pelo pintor Peter Schmidt no álbum “Taking Tiger Mountain (By Strategy)”. Desgraça! Nada mudou. Em vez de largarem os brinquedos, o quea conteceu foi Berrocal e Bastien ficarem, também eles, fascinados pelos pianos, guitarra e flautas de plástico, cabendo a Jaki Liebzeit pôr ordem no caos com as suas percussões metronómicas. Temos então mais uma sessão de valsas, tangos e pequena “varieté” de corda, afixados com títulos evocativos como “Jours tranquiles a Rodez”, “Morceau en forme de pinces” ou “Souviens-toi de ces douces soirées”, tão do agrado de Comelade, ao lado de uma versão cambaleante de “Prime of life”, de Neil Young, e outra, desengonçada, de “Shikaku maru ten”, dos Can. Os dois únicos temas vocalizados, por Jac Berrocal, fazem a vénia a Eno e a Robert Wyatt (por via de Ivor Cutler, em “Rock Bottom”). Ao menos podia mudar para brinquedos a pilhas.