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Pan American – Quiet City

11.02.2005
Pan American
Quiet City
2xCD Kranky, distri. Sabotage
6/10

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As primeiras notas de guitarra de cristal e a voz sussurrada de Mark Nelson no tema de abertura de “Quiet City”, “Begin”, induzem em erro. Soam como uma faixa dos Labradford mas na verdade apenas reflectem a mudança de som e processos operada no outro projecto de Nelson, os Pan American. Desapareceram os anteriores blips e “glitches” de música de dança microscópica para dar lugar a um ambientalismo sombrio disfarçado em lençóis de canções e na qual despontam, quase violentamente, as contribuições de músicos da cena da música improvisada e do rock alternativo de Chicago, como Tim Mulvenna (Vandermark 5, Jeb Bishop) ou David Max Crawford (Wilco, Stereolab). Apenas a longa “drone” contaminada por ruídos de “Wing” lembra os velhos Pan American, enquanto “Het Volk”, espreguiçadamente cinematográfico, é como uma banda sonora, composta a meias por John Barry e os Biosphere. Tudo o resto é um passeio nocturno pelas ruas de uma cidade fantasma, ainda mais devagar do que nos Labradford. David Sylvian e Brian Eno podem ser entrevistos, à porta de um edifício qualquer, do outro lado do espelho. Num segundo CD há vídeos “ambientais” criados de parceria com Annie Feldmeier, para acompanhar cada canção.

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Pan American – 360 Business/360 Bypass

25.02.2000
Pan American
360 Business/360 Bypass (6/10)
Mute, distri. Zona Música

panamerican_360

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Segunda incursão de Mark Nelson, sob a designação Pan American, numa electrónica mais dançável que a dos Labradford, “360 Business/360 Bypass” é o típico disco de “paisagens sonoras” capaz de pôr alguns a flutuar nas nuvens e outros a trepar pelas paredes, de irritação. Quer isto dizer que cada um dos seis temas que compõem o disco começam e acabam como começaram ou, dito de outra maneira, não adiantam nem atrasam. Quando a ideia ou as programações utilizadas são sonicamente agradáveis ou minimamente imaginativas, aguenta-se o tempo que for preciso. Com prazer. Quando não, dá vontade de partir o CD e rogar pragas a quem inventou os computadores e se esqueceu de criar um botão para desligar os programadores. No primeiro caso, do “ai que som tão giro”, estão “Double Rail”, num registo Pan Sonic moles, “Coastal”, fractal, pneumático e com uma razoável dose de mistério ao estilo Mouse on Mars dos primeiros discos, e “K. Liminate”, tecno em negativo com uma sonoridade mais próxima da dos Labradford. No segundo, das “secas monumentais com Groove rafeiro” estão “Steel Stars”, “Code”. A meio caminho fica “Both Ends Fixed”, igualmente numa linha ambiental, neste caso mais pianística e colorida por um trompete de jazz, a fazer lembrar um cruzamento dos Recoil (de “1+2” e “Hidrology”) com Don Cherry, ao retardador. Uma boa ideia que não soube parar a tempo. Feitas as contas, a média é positiva. E pode sempre contornar-se a questão das faixas chatas fazendo de conta que são “hipnóticas”.

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