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The Orb – “Orblivion”

Pop Rock

12 Março 1997
poprock

THE ORB
Orblivion (7)
Island, distri. Polygram


orb

Quando muitos já faziam o enterro da banda do “doutor” Alex Patterson, a grande cabeça misturadora dos The Orb, por má vontade ou pelo pouco sucesso, tanto comercial como artístico, que marcou os anteriores “Pomme Fritz” e “Orbus Terrarum”, eis que o grupo renasce das cinzas. O ambientalismo de geleira deu lugar ao golpe de facas afiadas, numa operação de montagem e confrontação sónica levada a cabo no estúdio em Berlim de Thomas Fehlmann, elemento preponderante na feitura de “Orblivion”. Existe uma componente subversiva que esmaga o apaziguamento de qualquer sessão de “chill out”. A ressaca mói. Porque as palavras sampladas de um julgamento anticomunista, de vozes étnicas ou de “Nu”, o filme de Mike Leigh, induzem a paranóia, tanto quanto os sons, resolvidos do avesso num infatigável fluxo/refluxo de obsessões rítmicas, na derrapagem de “breakbeats” subterrâneos. “Orblivion” não faz circular emoção. Mas é este processo de desmultiplicação de mensagens que unicamente passam pela máquina sob a forma de programas – estéticos e ideológicos ou onde a estética é a própria ideologia – que distingue a maior parte de grande parte da música electrónica que se tem vindo a produzir neste final de século. Separando-a, quer da perturbação causada pela música industrial, quer da levitação causada pelo rolamento de esferas sintéticas do universo criado pelos Kraftwerk e do consequente tecno. Tudo evolui ao nível do mental e da programação para simular um aquário de vida artificial. A cidade global e desculturizada desenhada em gráfico no monitor de “Orblivion” é a imagem do esquecimento e do vazio. Ficaremos sem dúvida mais altos e fortes e sãos. “Empire state humans” como anunciavam, já lá vão quase 20 anos, os Human League. Construído nesta dinâmica de alternância entre o macrocosmos de cidades virtuais e microcosmos de neurónios em sobrecarga, “Orblivion” revela-se impraticável nas pistas de dança, da mesma maneira que foge ao êxtase do transe. Não há pastilha que lhe valha. Quem quiser que entre na engrenagem.



The Orb – “John Peel Sessions”

Pop Rock

15 de Maio de 1996
poprock

The Orb
John Peel Sessions
BBC STRANGE FRUIT, DISTRI. MVM


orb

Só faltava mais esta! O éter está viciado e a electricidade já não é o que era. Numa das obrigatórias sessões para o papa radiofónico John Peel, os Orb orientaram as agulhas da música electrónica para o “protopunk”! Nem mais. Basta sintonizar no tema “No fun”, um clássico dos Stooges, refundido (samplado) num contexto “ambient rage” pelo próprio Alex Patterson, para perceber que o tal organismo vivo que dá pelo nome de The Orb não pára de estender os seus tentáculos a tactear novas vítimas. As sessões em causa, descontando a surpresa – ou não – provocada por esta incursão nos finais dos anos 70, oferecem uma totalidade de pouco mais de meia hora, dividida em quatro faixas, preenchidas por abstracções aleatórias, “samples” para colar na caderneta e o habitual jogo de “adivinha onde é que fui sacar esta cena”. O “krautrock”, ora bem, está presente em força, ou não estivessem os Orb ao corrente das tendências em voga, embora não seja crível que os mais jovens reconheçam, no tema de abertura, “Oobe”, as mesmas guitarras acústicas sequenciadas que Klaus Schulze usou em “Black Dance”, ou uma frase melódica copiada à pressa de “Computer World”, dos Kraftwerk. Com os The Orb tem-se a certeza de que o movimento não pára, resta saber se vai dar a algum lado. (6)



The Orb – “Orbus Terrarum”

Pop Rock

26 de Abril de 1995
álbuns poprock

The Orb
Orbus Terrarum

ISLAND, DISTRI. POLYGRAM


orb

Montagens. Refracções “dub”, vozes que aterram como “ovnis” em terra de ninguém (dando razão a Laurie Anderson quando diz que a linguagem é um vírus), ritmos de maquinetas a triparem “ecstasy” ou em “overdose” de “drunfos”, temas a rondarem os dez minutos de duração sem que se chegue a perceber para onde vão são a solução de banha da cobra apresentada em embalagem reciclada pelos The Orb. Só que o pessoal parece que atinou e, vista do lado de for a e sem aditivos, a fórmula estafa mais do que hipnotiza e irrita mais do que atrai. Para dançar, é excessivamente longo e arrastado; para alimentar a inteligência, falta-lhe consistência para ser algo mais que um “cocktail” vitamínico de frutas de plástico. Evidentemente, os mistérios das combinações de sons aleatórios são infindáveis – sim, porque, oculto por detrás desta cornucópia de discursos entrecortados, há uma lógica implacável a esticar o dedo, em muda acusação. A combinação dos nove minutos de “White river junction” (Fripp com Eno e os Cluster a ressacarem) com os catorze de “Occidentle” (mais Cluster, grupo germânico dos anos 70, de Moebius e Roedelius, que surpreendentemente surge como pioneiro deste tipo de sons) formam, apesar de tudo, um corpo uniforme, embora à custa de uma certa monotonia, dando a sensação de que, pelo menos, os The Orb andaram a ler os manuais. Para o fim, ainda sobram dezassete minutos de “Slug dub” a mostrar que não é Holger Czukay quem quer. (5)