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Nova Huta – “At Bambij Robot’s Nonstop Datscha” + Pluxus – “Fas 2”

10 de Dezembro 1999
POP ROCK

Nova Huta
At Bambij Robot’s Nonstop Datscha (8)
Storage Secret Sounds
Pluxus
Fas 2 (7)
Slowball, distri. Matéria Prima


novahuta

Toda a gente se anda a divertir na música electrónica. Ainda bem. Longe vão os tempos dos rostos sisudos perdidos numa confusão de botões, circuitos e enciclopédias. Agora tudo é permitido como num desenho animado. Os Cluster, claro, foram os “culpados”, quando ainda na primeira metade dos anos 70, gravaram o álbum que se tornaria na bíblia da nova electrónica: “Zuckerzeit” (na década seguinte reactualizado por Holger Hiller, Der Plan e Pyrolator). Os Nova Huta, do alemão Oleg Kostrow, companheiro de quarto, sem malícia, de Felix Kubin, e os suecos Pluxus (mas também os também germânicos Sack & Blumm e Bluthsiphon, em breve nesta páginas, não perca!) juntam sons como uma criança monta um Lego. No caso dos Nova Huta o brinquedo cola ritmos “motorika” com melodias românticas de “easy listening” imberbe (como no viciante “Soft end” ou na quase imbecilidade de “Amazing tante diwan”), solos de calculadora de bolso e caixas de ritmo num tom geral de Kraftwerk para o jardim de infância cortado pela interferência dos Suicide, no tema final “Babsie me”. Tudo com o selo do bom-humor, como na inscrição da capa “All music made by this hands” ilustrada por um par de mãos. Os Pluxus são um trio mais “electro” que reactualiza a electro-pop dos OMD mas que ouviu de certeza o seu compatriota Bo Hansson, a julgar pelo tema “Hej, hej ign, hej då”, com a mesma caixa de ritmos e o órgão Farfisa de álbuns como “Lord of the Rings” e “Magician’s Hat”. Música para festas para se dançar com a cabeça no ar e o cérebro atafulhado de “confetti”.



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Nova Huta – Here Comes My Seltsam Voice

10.09.2004
Nova Huta
Here Comes My Seltsam Voice
Variz, distri. Sabotage
6/10

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A voz de um bebé rompe um véu de electrónica, a seguir eleva-se do nevoeiro um coro étnico religioso. São os dois melhores minutos de “Here Comes My Seltsam Voice”. Mas o que vem a seguir é igual ao que se faz um pouco por todo o lado na pop electrónica. Recuamos aos anos 80, os robôs de “Bambu robot” querem chegar ao volante de “Baby you can drive my car” dos Beatles, e aquilo que antes eram “funny electronics” não passa agora de algo que os Telex já fizeram há muito. Música de variedades para o novo século, para se ouvir enquanto se limpa a cozinha ou se faz o jantar. Sorrisos sintéticos, gestos mecanizados, Ken e Barbie aos beijinhos. As melodias até são, nalguns casos, apetecíveis, com a sua veia adolescente, mas a colagem aos anos 80 é demasiado óbvia para não causar algum enjoo. Os sintetizadores e as caixas-de-ritmo nunca se levam a sério e é assim que “Here Comes My Seltsam Voice” deve ser escutado. A produção é portuguesa, o disco termina com um tema vocalizado por Nina de Faria, “Guarde suas lágrimas para outra pessoa”. E as gargalhadas também.

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Nova Huta e a Voz do Tio Robô

04.02.2005
Nova Huta e a Voz do Tio Robô

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Günter Reznicek é um músico sediado em Hamburgo com raízes na música concreta e na electrónica contemporânea que um dia decidiu criar um projecto pop, com electrónica a cobrir as canções como creme de gelado, os Nova Huta. Ele e um tio imaginário, Bambji Robot, com quem partilhou os discos “At Bambji Robot’s Nonstop Datscha” e o novo “Here Come My Seltsam Voice”. Reznicek participa ainda no projecto Groenland Orchester e colaborou com Felix Kubin nos Klankrieg, além de assinar em nome próprio álbuns bem mais experimentais. Os Nova Huta fazem-se à estrada (portuguesa), a partir de hoje. Passagens asseguradas pelo Porto, Leiria e Lisboa. Mandámos um “mail” a Reznicek e ele respondeu.

FM – Como define esse tio imaginário?

Günter Reznicek – Só pelo facto de ser imaginário, á alguém que transporta a ideia de raízes para a música, numa relação privada mas também como elo de uma tradição musical mais comum. É o grande desconhecido por detrás de mim.

FM – Os Nova Huta são o seu lado “poppy”. Enquanto Reznicek gravou álbuns mais sérios e experimentais. Há algo a ligar as duas partes?

Günter Reznicek – Não creio que Nova Huta seja menos sério. Mesmo que a minha música em nome próprio seja obviamente mais experimental, começar a trabalhar como Nova Huta foi uma experiência mais vasta e arriscada, de um ponto de vista artístico. O mesmo se passa com os Groenland Orchester e Klankrieg, onde apenas sou um convidado: têm muito humor e é realmente de loucos a maneira como a música é feita, mas nenhum deles é um “projecto de diversão”. Têm sensibilidade/melancolia e curiosidade/humor como principais motores, o equilíbrio pode mudar de projecto para projecto mas nunca se trata de pensar muito sobre as intenções.

FM – Que significa “Datschadelic music”, como absurdamente define o estilo dos Nova Huta?

Günter Reznicek – Trata-se apenas de uma tentativa de dar à música um nome, uma marca a ferros, porque sempre achei que não era electrónica vulgar, pop ou outra música qualquer.

FM – Há alguma explicação para o título “Here Comes My Seltsam Voice”?

Günter Reznicek – “Seltsam” é uma palavra alemã para “bizarro”, com uma aura especial, difícil de transmitir. E é divertido tentar explicar o termo a um não-alemão. Escolhi o título por ser o primeiro álbum em que canto.

FM – A ironia desempenha um papel neste disco?

Günter Reznicek – Não um papel muito grande mas é evidente que há uma distância entre mim e os papéis, as personagens que os músicos pop e rock normalmente desempenham. Adoro isso e odeio isso!

FM – O termo “funny electronics” diz-lhe alguma coisa?

Günter Reznicek – Não me identifico muito, soa a música com piadas. Gosto de humor, mas tenho problemas com piadas.

FM – Porque inclui uma versão de “Killing an arab”, dos Cure, com o título “Killing an Error”?

Günter Reznicek – Queria mudar alguma coisa na minha versão e foi por isso que alterei o título.

FM – E a canção em português, “Guarde suas lágrimas para outra pessoa”?

Günter Reznicek – Foi só uma prenda a Portugal (e ao Brasil), porque a editora existe e tenho bons amigos lá, além de que a voz da cantora [a brasileira Nina de Faria] é bastante sensual.

FM – Moog, Sampler ou Casio. Qual é o seu brinquedo favorito?

Günter Reznicek – A minha cabeça e o meu corpo, mas é difícil gravá-los… Usei um Moog em “Killing an error”, são maravilhosas todas estas máquinas analógicas, os sintetizadores e órgãos antigos fazem-me chorar. Os “samplers” são uma verdadeira maravilha mas não os uso muito, não me pergunte porquê. E o Casio é uma coisa de plástico barata que tem dentro os ossos de toda a história da música, mas necessita de amor para descobrir a sua alma.

FM – Qual é o seu principal objectivo como músico?

Günter Reznicek – Tornar-me uma lenda, depois de morto.

Nova Huta
Porto | Faculdade de Belas Artes, Universidade do Porto
Hoje, a partir das 23h30
Bilhetes a €5
Leiria | Abadia
Dom., dia 6, às 23h
Consumo mínimo: €4
Lisboa | Galeria Zé dos Bois
R. Da Barroca, 59 Tel. 21 3430205
2ª, dia 7, a partir das 23h
Bilhetes: €7.5

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