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Nitzer Ebb – “Ebbhead”

Pop-Rock Quarta-Feira, 06.11.1991


NITZER EBB
Ebbhead
LP / CD, Mute, distri. Edisom



Música a músculo. Para os Nitzer Ebb, Douglas McCarthy e Bom Harris, cada disco é uma prova de força. E de poder. “Ebbhead” é tão poderoso e militarista quanto os anteriores “That Total Age”, “Belief” e “Showtime”, tendo sobre estes a vantagem de ser mais subtil. Subtileza que os afasta de vez da síndrome rítmica DAF que sempre os perseguiu (notória ainda em temas como “Time” e “Ascend”), impelindo-os para paragens bem mais variadas. Tão cruelmente dançável como os anteriores (“Family man” arrisca-se mesmo a intoxicar as discotecas), “Ebbhead” aposta, porém, numa maior complexidade dos arranjos e num registo vocal que, desta vez, se situa perto das contorções épicas de Jim Thirlwell (Foetus). Os computadores e as máquinas de ritmo tornaram-se mais delicadas. O discurso do poder permanece, saturado do veneno, martelado pela repetição de palavras de ordem e a exposição de uma ou outra atrocidade. Os Nitzer Ebb prosseguem a guerrilha. Exterminadores agora menos implacáveis. (7)

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Nitzer Ebb – “Big Hit”

Pop Rock

17 de Maio de 1995
álbuns poprock

Nitzer Ebb
Big Hit

MUTE, DISTRI. BMG


ne

Inspirados pelos D. A. F., pioneiros da electrónica militarista, os Nitzer Ebb tiveram a sua hora de glória na época em que os radicais da música industrial decidiram baixar de tom e tornar um pouco mais acessível o seu discurso, ao ponto de se fazerem ouvir nas discotecas. A música desta formação liderada por Douglas McCarthy não destoava muito da dos seus colegas continentais para quem a “electronic body music” constituía a forma ideal apara o mesmo tempo fazer dançar e martelar a cabeça com sons e mensagens de índole subversiva. Em 1995, os Nitzer Ebb continuam às marteladas, embora recorram menos aos maquinismos electrónicos. Sangue, suor e lágrimas é ainda o velho lema para quem faz do sado-masoquismo um ponto de honra. “Big Hit”, a “grande pancada”, dá forte, à boa maneira dos “cinzentos” da Mute, e se a fórmula está hoje já um pouco exausta, a verdade é que os Nitzer Ebb a praticam com a convicção necessária que estas práticas exigem. E se temas como “Hear me say” ou “Floodwater” evocam as poucas-vergonhas levadas a cabo por outro ex-estratega da perversão, Frank Tovey, ou Fad Gadget, já “I thought” cai no poço do “industrialismo sinfónico” seja lá o que isso for. “Border talk” consegue ser ameaçador e razoavelmente original, aproximando-se do paradigma do grande mestre da tecnologia em pé de guerra, Foetus, ou Jim Thirwell, ou Clint Ruin, isto é, o autocrucificador, o mesmo acontecendo com “A living out of a bag” neste caso com o apoio logístico de uma marcação sintética-minimalista cerrada, à boa maneira dos D. A. F. “In decline” faz o mesmo que os Simple Minds, por altura de “Empires and Dance”. “Boy” é Depeche Mode e “Our own world” mistura Suicide, D. A. F. e os Motors. Ou seja, os Nitzer Ebb assimilaram influências e procuraram alargar os seus horizontes. Só falta um dia destes ficarem bonzinhos. A embalagem inclui um segundo compacto, com quatro temas retirados de cada um dos anteriores álbuns de grupo. (6)



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