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Mutantes (Os) – “Mutantes”

Y 22|DEZEMBRO|2000
escolhas|discos


MUTANTES (OS)
Mutantes
Omplatten, import. Lojas Valentim de Carvalho
9|10



Lucy no céu com as estrelas era brasileira e chamava-se Rita Lee. E o psicadelismo era um arco-íris tropical a brilhar no coração brasileiro dos Mutantes. Em 1968, “Mutantes”, segundo álbum desta banda única na MPB, confirmava tudo o que o álbum de estreia prometera. Nas cabeças de Rita Lee e dos irmãos Arnaldo, Sérgio e Cláudio Baptista fervilhava uma imaginação e um humor sem limites, transposta para canções onde a originalidade das ideias – um caleidoscópio de folk sertanejo, classicismo, eletrónica e ilusionismo pop – apenas tinha paralelo na revolucionária utilização do estúdio como instrumento musical. O mundo dos Mutantes era isso mesmo: a mutação mental, o sonhar acordado em forma de canção, a alucinação fixada para a eternidade na fita que desacelera em “Dia 36”, até ficar “em branco o seu pensar” e “toda uma vida embaciando o seu olhar”.



Mutantes – Tudo Foi Feito pelo Sol

14.12.2001
Mutantes
Tudo Foi Feito pelo Sol
Gala, distri. Som Livre
7/10

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É verdade que a produção dos anos 60 deste grupo brasileiro, marcada pelo psicadelismo e pelo visionarismo psicotrópico, é mais estimulante do que esta versão setentista, já sem a voz da hippie Rita Lee e com o abandono aparente do consumo de drogas alucinogéneas que faziam com que “Mutantes” ou “A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado” soassem ainda mais esquisitos. “Tudo Foi Feito Pelo Sol” (1975) resultou, afinal, de uma evolução semelhante sofrida pela maioria das bandas inglesas, na transição dos anos 60 para os 70, isto é, do Psicadelismo para o Rock Progressivo. As colagens sem lógica, os “cut-ups”, o “nonsense” e os efeitos de estúdios geniais das primeiras obras deram lugar a solos de guitarra e teclados, temas longos, riffs onde o bom gosto não esconde a manifestação de um certo exibicionismo, e vocalizações esganiçadas que lembram os Deep Purple. Ainda assim, “Tudo foi Feito pelo Sol” sobrevive à vulgaridade. O que quer dizer que no meio dos clichés sobressaem ainda música descomprometida e lampejos da antiga loucura.