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Moving Gelatine Plates – “Moving Gelatine Plates” + “The World Of Genius Hans”

Pop Rock

1 de Novembro de 1995
Álbuns pop rock – Reedições

Hans bezerro “versus” Henry vaca

MOVING GELATINE PLATES
Moving Gelatine Plates (8)
The World of Genius Hans (9)

Musea, distri. Planeta Rock


mgp

Faça-se continência a dois discos históricos aos quais a história não soube fazer justiça. Atribui-se aos Henry Cow a responsabilidade e a glória de terem feito a transposição do “progressivo” para os anos 80 e introduzido no rock a atitude e a estética, simultaneamente literária e anarquizante, de uma música cujos alicerces apresentavam a mesma solidez do jazz e da música erudita, personificada por nomes como os Faust, Frank Zappa ou Art Ensemble of Chicago. A curiosidade está em que os Henry Cow lançaram o seu primeiro manifesto em 1973, enquanto os Moving Gelatine Plates se estreiam com o seu álbum homónimo em 1970, sendo que tudo o que foi dito sobre a banda de Fred Frith e Chris Cutler já antes se aplicava a este grupo francês.
Inclassificável, o som dos Moving Gelatine Plates – designação retirada de um romance de Steinbeck – passado um quarto de século sobre a data de edição do primeiro álbum, mantém intactas a sua frescura e originalidade. Os MGP não seguiam qualquer escola. Tinham ideias próprias, na maior parte das vezes delirantes, e a capacidade de as ordenar musicalmente de forma superlativa. O conceito de “improvisação” estruturada fazia parte da sua filosofia, nas alterações rítmicas e de compasso constantes, nas melodias ao mesmo tempo “free” mas de grande rigor e destituídas de hermetismo, no humor dadaísta e na convicção de que a criatividade passa pela reavaliação constante de cada nota, de cada intuição harmónica, de cada desenvolvimento melódico. O disco consequente leva estes pressupostos às suas últimas consequências. Construído sobre uma lógica de fragmentação e sequenciação de 450 (!) módulos musicais deferentes, “The World Of genius Hans”, gravado em 1971, põe em evidência o conceito e que “o génio reside na loucura e na criatividade, sendo parcialmente estimulado pela neurose”. O bezerro da capa não nos diz outra coisa. Obra de uma modernidade assombrosa, antecipa em vários anos o movimento “Rock in oposition” – lançado pelos Henry Cow, os suecos Sammla Mammas Manna, os franceses Etron Fou Leloublan e os italianos Stormy Six -, que se viria a revelar decisivo na criação e desenvolvimento de uma nova música europeia, cujas ramificações de tornaram até hoje incontáveis, “The World of Genius Hans” bem merece ser arrancada ao esquecimento. O compacto inclui cinco temas extraídos de um terceiro álbum, “Moving”, de 1980, ainda por reeditar.