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Michael Rother – “Esperanza”

Pop Rock

1 de Maio de 1996
poprock

Michael Rother
Esperanza
SPV, DISTRI. MEGAMÚSICA


mr

Grata surpresa o regresso discográfico do mais melódico dos robôs do “krautrock”, cuja obra a solo deverá ser encarada como precursora da actual vaga “easy listening”, na sua vertente mais experimental. Se a edição do anterior “Traumreisen”, já lá vão nove anos, marcava a rendição do ex-Neu! À “new age” e o esgotamento de fórmulas rítmicas empregues até à exaustão, “Esperanza” assume-se como o álbum mais elaborado de toda a sua carreira e o mais diversificado em termos de batidas maquinais. Permaneceram o romantismo e o gosto pelas repetições, agora envoltos num formato mais próximo de Dieter Moebius, dos Cluster, que do “punk” electrónico dos Neu! O tema final, “Spirit of ‘72”, é uma recriação – não saudosista – da sonoridade “motor em quinta velocidade”, dos Harmonia, precisamente o projecto de Rother com os Cluster. (8)



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Michael Rother – “Flammende Herzen” + “Sterntaler” + Katzenmuzik” + “Fernwärme” + “Lust” + “Süssherz & Tiefenschärfe” + “Traumreisen”

Pop Rock

11 de Janeiro de 1995
álbuns poprock
reedições

EM BUSCA DA MELODIA PERFEITA

MICHAEL ROTHER
Flammende Herzen (7)
Sterntaler (6)
Katzenmuzik (7)
Fernwärme (8)
Lust (7)
Süssherz & Tiefenschärfe (8)
Traumreisen (6)

Random, distri. Megamúsica


MR

Encontra-se finalmente disponível a reedição em compacto da totalidade dos álbuns, gravados entre 1977 e 1987, de Michael Rother (de fora ficou, para já, apenas a colectânea de singles editados entre 1977 e 1993, “Radio”), um dos mais importantes e, de certa forma, marginais representantes da escola electrónica alemã.
Michael Rother foi membro fundador dos Neu! (ver recensão neste mesmo número), fez parte dos Harmonia (com Dieter Moebius e Joachim Roedelius, dos Cluster), enveredando a partir de 1977 por uma carreira a solo. Forma com Manuel Göttsching o par de guitarristas mais originais saídos da “Kosmisch musik” germânica dos anos 70. Da música mecanicista e repetitiva dos Neu! e do industrialismo romântico dos Harmonia, Rother partiu para um outro tipo de discurso, totalmente personalizado. Logo com “Flammende Herzen”, de 1977, que, juntamente com o álbum seguinte, teve na altura edição portuguesa, Michael Rother traçou os fundamentos de um estilo que nunca mais abandonou, onde a melodia, desenhada pela sua guitarra – ora infantil e de cristal, ora desmultiplicada num naipe de orquestra – e pelos sintetizadores, e a simplicidade de processos passaram a ser uma constante.
Patente ficou desde logo uma quase obsessão pela melodia perfeita (enquanto nos Neu! era a obsessão pelo ritmo e pela velocidade…), ao ponto de, álbum após álbum, os temas parecerem ser espelhos uns dos outros, repetindo motivos rítmicos e melódicos, investigando uma parcela particular, um timbre, uma cadência, buscando em cada novo arranjo uma luminosidade maior.
“Flammende Herzen” estrutura-se em sequências particulares, simétricas, sobre a batida metronómica do baterista dos Can, Jaki Liebezeit. É, de todos os álbuns, aquele onde, apesar de tudo, se notam influências do passado, sobretudo dos Harmonia, nas suas ambiências entre o circuito de corrida e automóveis e o espectáculo de circo.
O disco seguinte, “Sterntaler”, também de 1977, esgota-se na repetição, até no “design” da capa, dos esquemas do primeiro álbum, à excepção de “Fontana di luna”, flutuante nas cintilações de um vibrafone. “Sonnenrad”, salvo erro, é o tema que durante uns tempos foi aproveitado para indicativo do Boletim Meteorológico do canal 1 da RTP.
“Katzenmusik”, de 1979, é o disco mais minimalista e o último onde participa Jaki Liebezeit, com os seus 12 temas, todos intitulados, com a respectiva numeração, “Katzenmusik”, ou seja, “música de gatos”. Michael Rother ensaia aqui até à exaustão os mesmo ritmos, ora mais lentos ora mais acelerados, idênticos conjuntos de notas exploradas em diversas ordens. O disco cria uma espécie de hipnose, induzindo na sua aparente monotonia, movimentos subliminares, sonhos monocromáticos, talvez os de um gato… “Fernwärme”, de 1981, dá o salto. É um disco onde Michael Rother investiga novas pistas e um tipo de ambientes mais diversificados. O som da guitarra esbate-se nas harmonizações electrónicas, mais complexas e de texturas orquestrais. “Elfenbein” é, entre todos, um tema mágico, um lago onde nadam criaturas de fábula.
O minimalismo espartano regressa em “Lust”, de 1983, e com ele a guitarra reinicia o seu trabalho de sapa, revolvendo-se numa busca angustiada na procura de mais luz. Nova mudança de registo é operada em “Süssherz und Tiefenschärfe”, de 1985, desta vez em direcção a um maior lirismo e a uma estética que no álbum seguinte, e último de originais até à data, “Traumreisen”, de 1987, se integra já de forma inequívoca na “new age”, a guitarra mergulhada na panóplia de efeitos dos samplers, em temas, por vezes belíssimos, como “Südseewellen”, mas que noutras ocasiões rondam perigosamente a “muzak” sinfónica e a redundância melódica de um Vangelis.
Qualquer dos álbuns foi acrescentado de temas novos, gravados por Michael Rother em 1993 e 1994, mais ou menos adaptados ao ambiente específico de cada um. Em “Traumreisen”, por exemplo, foram incluídas remisturas “radio dance” e “Ambient” de “Sudseewellen” e uma tentativa, incipiente, de fazer “techno” como toda a gente, em “Trance Atlantik”.
A música solar de Michael Rother pode agora ser apreciada como um corpo único com múltiplos apêndices. A merecer audição atenta.



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