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Cristina Pato – “Tolemia” + Muxicas – “Naturalmente” + Fuxan Os Ventos – “Sempre E Mais Despois” + Aurora Moreno – “Aynadamar – La Fuente de Las Lagrimas” + Natalie MacMaster – “My Roots are Showing” + Shirley Collins – “Sweet England” + Shirley Collins & Davy Graham – “Folk Roots, New Routes” + Martin Carthy – “A Collection”

Sons

22 de Outubro 1999
WORLD – FOLK


Pato amargo


cp

Não basta ter técnica para vingar numa cena, a da folk galega, onde a concorrência é cada vez mais forte e o nível de exigência se aproxima já do da Irlanda. Cristina Pato sabe tocar gaita-de-foles, é um facto, mas quem decidiu lançá-la às feras aos 18 anos de idade e com um gosto musical ainda longe de estar formado, decidiu mal. “Tolemia” é um apanhado de géneros musicais com um magote de convidados (entre os quais Carlos Castro, dos Fia na Roca, e Paço Juncal, ex-Berrogüetto) que serve de pretexto para apresentar a gaiteira e vocalista Pato como uma estrela. Que Cristina ainda não é mas poderá ser. Folk rock sinfónico, celtismos vários adocicados e digeridos para consumo imediato, os convenientes cruzamentos com o flamenco e a música árabe não convencem e quase conseguem fazer esquecer o facto de Pato ser uma executante com uma margem enorme de progressão. Umas “Muiñeiras” servidas com bateria rock mostram virtuosismo gaiteiro e uma simplicidade que Pato poderia e deveria ter explorado mais antes de se aventurar por caminhos que, por agora, ainda não domina. E será pedir demais a Cristina para deixar de cantar melodias folk pimba? É que assim não consegue, sequer, fazer sombra à sua compatriota Susana Seivane. (Fonofolk, distri. Distrimusic, 6).

Deixemos a Pato à mercê dos caçadores e passemos a outras Muxicas. Com “Naturalmente”, sétimo álbum desta banda galega agora já sem a gaiteira e construtora Maria Xosé López, os Muxicas continuam a desenvolver um trabalho cuja consistência e seriedade constituem um caso raro de persistência e integridade no panorama da folk na Galiza. É um a música viva e vibrante, em contacto íntimo com a Natureza e com os homens, de uma jovialidade que a cada tema se renova. Pássaros, flautas, sanfonas, gaitas-de-foles e bombos dançam uma ronda da Primavera com uma força, uma alegria e uma luz que não saboreávamos desde o inesquecível “Cant e Musica de Provenca” dos Mont-Jóia. “Naturalmente” possui o fascínio das cores, dos sabores e dos gestos naturais. A dança eterna dos seres, dos sentimentos e das forças que os animam. Um álbum que nos reconcilia com a vida. (Punteiro, distri. MC – Mundo da Canção, 8)

Ainda da Galiza, o regresso de outro grupo lendário, os Fuxan os Ventos. Do lusitanismo e da vertente intervencionista dos primeiros álbuns, gravados ainda na década de 70, como “O Tequeletequele”, “Galicia Canta ó Neno” e “Sementeira”, os Fuxan os Ventos evoluíram para sonoridades mais sofisticadas em trabalhos como “Quen a Soubera Cantar” e “Noutrosa”. “Sempre e Mais Despois” mostra o grupo na sua melhor forma, pondo fim a um período de longa inactividade. Não poderia começar de melhor maneira, este álbum apresentado num luxuoso digipac, com “Rorró”, uma das mais belas baladas cantadas por uma voz feminina que nos foi dada a ouvir nos últimos tempos com origem no Noroeste da Península Ibérica. Menos concentrados nas danças e mais no canto e nas cadências intimistas, os Fuxan os Ventos inspiraram-se nos textos do poeta Manoel Antonio para a criação de uma obra que, por mais de uma vez, denota a mesma densidade de expressão e a profundidade que caracterizam um dos momentos marcantes de toda a folk galega, “Caravel de Caravels”, de Amancio Prada. Quem escutar a ternura dos arranjos e o diálogo das vozes de um tema como “Romance de Doña Eusenda”, um clássico do reportório tradicional galego, perceberá o que queremos dizer. O melhor Fuxan os Ventos de sempre. (Fonofolk, distri. Distrimusic, 8)

De Espanha, mas agora vinda do Sul, da Andaluzia, chega a reedição de “Aynadamar – La Fuente de Las Lagrimas”, álbum não datado mas ao certo gravado nos anos 80, da cantora Aurora Moreno, a par de Maria Del Mar Bonnet e de Rosa Zaragoza, uma das principais representantes do canto feminino do Sul de Espanha. Com apresentação detalhada a cargo de um musicólogo da Universidade de Granada e do músico e teórico Joaquin Diaz, “Aynadamar” reúne composições “jarchas”, género poético do cancioneiro sefardita, recolhidas de Marrocos e da Turquia, filtradas pela canção andaluza e recriada em composições da própria à luz da cultura do Al-Andalus. Sensualidade e melancolia misturam-se num álbum quase sempre marcado pela tristeza e por lágrimas que parecem, de facto, brotar de uma fonte. (Several, distri. MC – Mundo da Canção, 8)

Não sei por que razão mas a verdade é que as artistas da folk estão cada vez mais bonitas. Kathryn Tickell, Eileen Ivers, Equidad Bares, Susana Seivane, eu sei lá (só Eliza Carthy destoa um bocadinho…) além de extraordinárias cantoras ou executantes impressionam pela beleza que irradiam. Natalie MacMaster é uma loura encaracolada que toca violino, talvez sem a sensualidade de Kathryn Tickell, mas dando mostras de um domínio técnico e de um rigor insuperáveis que já tinham impressionado no álbum anterior, “No Boundaries”. O novo “My Roots are Showing”, como o título indica, recupera material mais tradicional, oriundo da ilha de Cape Breton. Uma colecção exclusiva de danças para violino no estilo sincopado característico da região, composta pelos inevitáveis jigs e reels mas também por hornpipes e strathspeys. Puro e duro, “My Roots are Showing” tem como óbvios destinatários os coleccionadores de reportório violinístico ou os que, simplesmente, não dispensam amealhar a mais pequena migalha de virtuosismo instrumental. (Greentrax, distri. MC – Mundo da Canção, 7)

Shirley Collins dispensa apresentações. É, juntamente com June Tabor, Maddy Prior e Norma Waterson, uma das vozes emblemáticas da folk inglesa. Assinou trabalhos notáveis, a solo, ao lado da sua irmã Dolly Collins ou com o seu então marido Ashley Hutchings, na Albion Country Band, como “The Sweet Primeroses”, “For as many as Will”, “No Roses” e as obras-primas “Love, Death and the Lady” e “Anthems in Eden”, esta última recentemente reeditada em CD pela BGO em versão remasterizada. “Sweet England” constitui a estreia discográfica da cantora, gravada em 1959 com o acompanhamento de John Hasted (banjo), Ralph Rinzler e Guy Carawan (guitarras), numa época de intenso trabalho de campo na Inglaterra mas também no Sul dos Estados Unidos. 40 anos volvidos permanece intacta a magia que se desprende do registo vocal de Shirley Collins, com um timbre e entoações onde a fragilidade e uma solenidade velada se confundem. A folk rural da velha Inglaterra na sua expressão mais despojada e, por força da poesia, depurada até um silêncio comovido. Essencial para se compreender tudo o que veio depois.
Cinco anos mais tarde, em 1964, Shirley Collins gravou com o guitarrista Davy Graham – um admirador dos blues de Big Bill Broonzy e Leadbelly mas também de Thelonious Monk e Charles Mingus – o clássico “Folk Roots, New Routes”, percursor do jazz-folk dos Pentangle e, em geral, peça fundamental da génese do movimento revivalista que eclodiria na Grã-Bretanha na transição para a década seguinte. Ao fraseado fluido do guitarrista respondia a cantora com um registo vocal mais límpido e frontal do que noutras obras da sua discografia, como se ao prazer da descoberta de uma expressividade mais livre correspondesse a transgressão de regras que antes a seguravam. Outra peça determinante no desenvolvimento de uma música que muito deve a esta voz que transporta em si os mistérios mais antigos da velha Albion. (Topic, distri. Megamúsica, 8 e 8)

O mesmo se pode dizer de Martin Carthy, outro dos pilares da folk britânica, dos anos 60 até aos nossos dias. Mas enquanto Shirley Collins representa o lado mais velado e trágico desta música, em Martin Carthy brilha um discurso épico, uma grandiosidade e um tom afirmativo que lhe granjearam o estatuto de Bob Dylan das Ilhas Britânicas, tal a importância e longevidade da sua obra. “A Collection” é uma colectânea que reúne material gravado entre 1965 e 1970, a solo, dos álbuns “Martin Carthy”, “Second Album”, “Prince Heathen” e “Landfall”, e três colaborações com o violinista Dave Swarbrick que, anos mais tarde, se notabilizaria nos Fairport Convention, dos álbuns “Byker Hill” e “But Two Came by”. Anos antes de formar os Steeleye Span, os Albion Country Band e os Brass Monkey, a combinação entre a voz e a guitarra de Carthy era, já nessa altura, letal. Cada balada era um hino à Inglaterra e uma manifestação efusiva do prazer de tocar e de cantar. Ouça-se “Seven yellow gypsies”, por exemplo. Ninguém mais seria capaz de cantar uma balada desta maneira. Como se estivesse a fazer amor. A combater na derradeira guerra. E a música fosse a única prova de que estamos vivos. (Topic, distri. Megamúsica, 9)



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Norma Waterson, Martin & Eliza Carthy – “Waterson: Carthy” + A. L. Lloyd – “Classic A. L. Lloyd” + Vários – “Hidden English”

Pop Rock

15 de Março de 1995
álbuns world

PARA GLÓRIA DA VELHA ALBION

NORMA WATERSON, MARTIN & ELIZA CARTHY
Waterson: Carthy (10)
Topic
A.L. LLOYD
Classic A. L. Lloyd (10)
Fellside
VÁRIOS
Hidden English (10)
Topic
Todos distri. MC-Mundo da Canção


wc


al

Deixemos por uma vez a Irlanda em paz e saltemos para o lado do seu “inimigo” ancestral, a Inglaterra. Os nossos irmãos da ilha hão-de perdoar, mas, se hoje toda a gente fala dos grupos e da música irlandesa, tal fama deve-se aos ingleses, que, ainda nos anos 60, abriram as portas do “folk revival”, através de grupos como os Fairport Convention e Steeleye Span. Claro que a folk – tanto a irlandesa como a inglesa – não começou aí, confundindo-se as suas origens com a dos povos que há milénios colonizaram as ilhas, como também é verdade que, na Irlanda, tanto os Chieftains como os Dubliners já estavam em acção, embora apenas para consumo interno. Foi preciso o rock vir dar uma ajuda para que as atenções do auditor comum se voltassem para uma herança musical até então apenas do conhecimento de uma minoria. Mas antes ainda dos grupos citados, responsáveis pelo “boom” do folk-rock, outros havia que vinham investigando e perpetuando a tradição, como os Hot Vultures, os Copper Family ou os Watersons, a par de um trabalho de divulgação e recolha levado a cabo pelos clubes ou pela veneranda instituição “Cecil Sharp House” ou ainda pelos registos fonográficos da Topic, que datam dos anos 50. É preciso compreender tudo isto para compreender a importância de um disco como “Waterson: Carthy”, considerado “disco do ano” pela Folk Roots, cruzamento de três gerações, irmanadas numa espécie de cruzada contra o esquecimento e a discriminação contra a folk sem fusões nem concessões de qualquer espécie. Norma Waterson – quem ouviu falar dela? – fez parte dos citados Watersons, bem como Martin Carthy, este já um nome conhecido, a partir do momento em que fundou, com Ashley Hutchings, os Steeleye Span. A sua filha, Eliza, benjamim do trio, revelou-se como notável violinista num duo, formado recentemente, com outra intérprete deste instrumento, Nancy Kerr. O encontro dos três resultou em pura magia. Escutar o canto e a voz de Norma Waterson é por si só uma experiência que não se explica por palavras. As suas interpretações em “Bold Doherty”, “With Kitty I’ll go”, “When first I came to Caledonia”, “Sleep on beloved” (com harmonizações de Martin e Eliza, num arranjo a fazer recordar os Watersons), e “Midnight on the water” (com apoios vocais de Eliza Carthy) são, todas elas, de antologia e – para quem já tiver sido trabalhado nesse sentido – arrepiantes. Martin Carthy não lhe fica atrás, naquele registo épico que o caracteriza, em “Ye mariners all” e “John Hamilton” (nova harmonização a três vozes, numa das especialidades deste cantor-guitarrista, a balada biográfica, magistralmente exemplificada nos álbuns “Out of the Cut” e “Rights of Passage”). A sua filha é, em primeiro lugar, uma violinista em cujo estilo está presente a marca dos clássicos, já que a voz não tem por enquanto, como é natural, a “patine” e a riqueza de “nuances” dramáticas da sua companheira mais velha.
“Waterson: Carthy” pode ser ainda um cartão de acesso para um passado ainda mais antigo, como aparece reunido na colecção de canções do lendário cantor, emigrante, escritor, radialista, ensaísta, aventureiro e comunista Albert Lancaster Lloyd, A. L. Lloyd, como é mais conhecido. Na companhia da concertina de Alf Edwards e o violino de Dave Swarbrick, mestre dos mestres. Ou na excepcional antologia de vozes da geração antiga, personificada por lendas como Bob e Ron Copper, Walter Pardon, William Kimber, Louise Fuller, Cyril Poacher, Bob Hart ou Fred Jordan, que a Topic tinha registadas em vinilo, em edições que alguns, mais velhos, recordarão das crónicas que sobre elas se publicaram no tempo em que se escrevia sobre folk no “Melody Maker”, pela pena de Colin Irwin. Gravações em as quais, como se refere no livrete, “o nosso conhecimento colectivo sobre o que a música tradicional realmente representa seria virtualmente inexistente” e que, ao mesmo tempo, “recolocam algumas das vozes do primeiro ‘folk revival’ num contexto necessariamente mais vivo e actual”. Documentos a ouvir e conservar com urgência.

Nota – Há cerca de 15 dias, no “Expresso”, uma voz houve que ousou desautorizar os “sumo-sacerdotes do templo”. Foi tal o desplante, a fúria e o destrambelho da invectiva que, por pouco, o herege quase se esquecia de criticar o disco em análise – no caso, o mais recente dos Chieftains -, empenhado que estava na destruição, um pouco tonta, é certo, das razões alheias, insuportáveis pelo simples facto de não serem as suas. Assim, como reparação, os deuses condenam o faltoso à audição da obra completa de Tom Jones. E a escrever mil vezes “Não invocarei o santo nome dos Monty Python em vão”.



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Martin Carthy – Waiting for Angels

05.11.2004
Martin Carthy – O Anjo da Folk
Martin Carthy
Waiting for Angels
Topic, distri. Megamúsica
9/10

LINK (“Shearwater” – 1972)

O homem canta de forma imperial. Chama-se Martin Carthy e é o maior mito da folk inglesa contemporânea. Após um interregno de seis anos, “Signs of Life”, de 1998, encontrou um sucessor. O antigo elemento dos Martin Carthy e fundador dos Brass Monkey está melhor do que nunca e aos talentos de cantor e guitarrista junta agora o de arranjador. “Waiting for Angels”, ao contrário de outras obras suas marcadas pelo despojamento, prima pela inclusão de sonoridades variadas que vão do violoncelo, oboé, trompete e trombone à “slide guitar” de Martin Simpson e ao órgão de foles e rabeca da filha e produtora do disco, Eliza Carthy. A voz traz o paraíso. Uma voz cuja amplitude torna cada canção tradicional num salmo de proporções épicas. Esse é um dos sinais do génio de Carthy, a capacidade de fazer de cada história uma narrativa intemporal onde os sentimentos de gente concreta, de cortes antigas ou do mar, mas também entidades etéreas das lendas, são ampliados de modo a ecoarem dentro de nós como uma força que se confunde com a glória.
A música e o canto de Carthy nunca são ambíguos, o seu mistério é o da revelação. Como se ainda não chegasse, há um “swing” sem igual. Logo nas primeiras notas de “The foggy dew” sente-se o balanço. Martin canta como nenhum outro, juntando a genuinidade e a técnica vocal da música tradicional a uma religiosidade que encontramos na música antiga sacra. O canto eleva-se na melodia principal – sempre judiciosamente escolhida do melhor cancioneiro, de Walter Pardon ou dos Copper Family – mas também nas subtis ornamentações ou nas ligeiras alterações tímbricas que interpõem ao veludo pedaços de um tecido mais áspero. “The foggy dew” é uma interpretação fabulosa, mas é apenas a primeira procissão, com percussão ritual e um violino tão sensual como um acto de amor. Carthy desvenda o segredo. “Existe algo em aprender uma canção de a ouvir cantar por uma pessoa, em vez de a lermos numa página impressa. Há uma diferença enorme. Refiro-me a ouvir pessoas a quem chamaria os ‘velhos cantores à moda antiga’, que estão habituados a cantar sem mais adornos do que os da sua própria imaginação, comunicando toda a espécie de variações internas, pausas, etc. e deixando o ritmo das palavras ser o ditador absoluto”.
É isso mesmo que Carthy vem fazendo e a que neste disco acrescenta “novos horizontes”. Será então esse contacto íntimo com a alma que nos faz exaltar. Lamentos de reis, navios trazendo novas do mundo, elegias, guerras e jardins, saúde aos amigos e a saudade atravessam-nos como facas de luz, ao ouvirmos esta voz que parece transportar a sabedoria de séculos sem que uma nota soe antiquada.
Em “Young Morgan” a bateria, tão funda como um poço escavado no granito, torna ainda mais pungente o gemido vocal. De novo a bateria majestosa e uma guitarra eléctrica de deuses antigos tornam “A ship to old England came” numa marcha solene que transcende tudo o que os Brass Monkey e os Albion Band fizeram neste domínio. O título-tema é um instrumental de folk de câmara de prece aos anjos enquanto outro instrumental, “The royal lament”, cria uma suave neblina entre a guitarra acústica (na qual Carthy se confirma como mestre) e a “slide” de Simpson. O terceiro instrumental, “Bloody fields of Flanders/MacGregor of Rora”, será o único obstáculo a que “Waiting for Angels” seja obra-prima. Mas o fim compensa-nos, oferecendo-nos, nos dez minutos de “Famous flower of serving men”, outra vocalização de antologia.
“Waiting for Angels” é o testemunho de um génio e uma lição de vida. São álbuns como este que nos fazem amar a “folk”.

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