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LA! NEU? – “Year Of The Tiger”

Y 22|DEZEMBRO|2000
discos|escolhas


LA! NEU?
Year of the Tiger
Captain Trip, import. Ananana
8|10



Klaus Dinger, sobrevivente do krautrock da geração de 70 (integrou os Kraftwerk, Neu! e La Düsseldorf), prossegue a remontagem do passado com os La! Neu?, neste disco com Rembrandt Lensink, Rüdiger Elze e Viktoria Wehrmeister. “Year of the Tiger” é um “tour de force” composto por dois temas com mais de meia-hora de duração cada. “Autoportrait Rembrandt mit Viktoria + Apache”, adaptação de um tema original de Lensink, é um tratado de motorika cósmico como nunca os Neu! se atreveram a fazer, enquanto em “Notre Dame” (também título de um tema dos Harmonia) Dinger sustenta com batida tribal a voz “eletricificada” de Viktoria a dizer inanidades psicadélicas em francês, e guitarras em estado de acidez alucinatória. No papel parece de fugir, na prática “Year of the Tiger” constitui um desafio à disciplina do corpo e do espírito.



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La! Neu? – “Rembrandt” (self conj.)

24.07.1998

La! Neu?
Zeeland (7)
Rembrandt (8)
Die With Dignity: Kraut? (8)
Captain Trip, distri. Ananana

O Novo Também Morre

LINK (Goldregen)

“I’m trying to get you real when you are not”. A frase é cantada obsessivamente por uma voz feminina, ao longo dos oito minutos do tema de abertura, “To get you real”, de “Zeeland”, segundo álbum dos La! Neu?. ”Estou a tentar-me tornar-te real quando tu não o és”. É exactamente o que tem feito Klaus Dinger, o ex-Kraftwerk fundador dos Neu!, banda emblemática do “krautrock” dos anos 70 e dos La Düsseldorf, que fizeram a ligação do “krautrock” com o “punk”. Ao criar, já nos anos 90, os La! Neu?, uma aglutinação do nome destas duas bandas, Dinger perpetuou uma ilusão que no álbum de estreia, adequadamente intitulado “Düsseldorf”, levava ao absurdo um som característico que alguma crítica estrangeira apelidou de “motorika”: Batida seca e repetitiva, electrónica minimalista e tonalidades de folclore bávaro que nos La Düsseldorf chegaram a rondar o “kitsch”. A ilusão funcionou mas a realidade acabou por se impor. Os La! Neu? Nunca foram um grupo na verdadeira acepção da palavra (ao contrário dos Neu! e dos La Düsseldorf, onde era indispensável a presença do irmão de Klaus, Thomas Dinger) mas um projecto provisório que o próprio Klaus Dinger acabou por abandonar.
Os posteriores desenvolvimentos com a designação de La! Neu?, agora chegados em simultâneo ao mercado nacional, demonstram facetas curiosas da investida recente do “krautrock” nos anos 90. “Zeeland”, gravado ao vivo em estúdio no ano passado, reúne Klaus Dinger, a vocalista Viktoria Wehrmeister, Rembrandt Lensink e Andreas Reihser, teclista dos Kreidler. Viktoria canta como Xana, dos Rádio Macau, no já citado tema de abertura. Os 15 minutos de “Dank je sane” alternam entre a batida dos Neu! e “Ralf & Florian” dos Kraftwerk. Os Can, os Neu! e os Stereolab cruzam-se em “Champagne”, tipicamente “pós-rock”, se nos é permitido o paradoxo. Há ainda os típicos momentos de distensão com guitarra acústica e vozes desmaiadas que em “Neu175” eram puras ondas de prazer e a mãe de Klaus Dinger, Renate, a ressuscitar Marlene Dietrich e velhas grafonolas da 2ª Grande Guerra, em “Zeeland”. Um álbum em que só a voz de Viktoria parece estar a mais…
“Rembrandt”, editado já este ano, intitulado a partir do nome de Rembrandt Lensing, é uma colecção de 25 miniaturas electrónicas gravadas em directo que já estão muito para lá das sonoridades arquetípicas do “krautrock”. É o álbum mais experimental dos La! Neu? Construído a partir de colagens de fragmentos sonoros que resultam numa imensa riqueza imagística, nas proximidades do ambientalismo industrial. Não aparece indicada a constituição do grupo.
“Die With Dignity: Kraut?”, também de 1998, ostenta um novo título paradigmático que, neste caso, é também o epitáfio dos La! Neu?. Pelo menos enquanto veículo de expressão de Klaus Dinger que já não participa neste disco, funcionando apenas como uma espécie de consultor e supervisor musical. Uns tais Brenner, Broszat e Guderia surgem como os três elementos principais da mais recente encarnação dos La! Neu?. Ou tratar-se-á, simplesmente, de uma brincadeira? Seja como fôr, “Die With Dignity” é uma deliciosa sinfonização de ruído, melodias “naif”, colagens (uma coz de criança sobre uma espécie de “scratch”, em “Kinderlied”), pós-rock saturado(“Kochrezept”, “Feuertag”), folk teutónico com sabor cósmico, a la Hoederlin e Emtidi (“Anruf aus brasilien”, “Magischer Traum”), Jazz com influências dos Faust, de “So Far” (“Ein Wahn”) e furiosas torrentes de ritmo pós-punk (“Es tut mir leid, ich bin normal”, “Peço desculpa por ser normal”), de uma brutalidade ainda mais intensa que a do álbum de estreia do grupo, “Düsseldorf”. A morte com dignidade do “krautrock”, segundo os La! Neu?, funciona como o derradeiro dos paradoxos, um exercício de ginástica que faz coincidir a sua negação com uma recuperação notável do “novo” – “neu” – que desde sempre o grupo de Klaus Dinger perseguiu.
Pela Captain Trip chegaram também álbuns dos Amon Düül II e La Düsseldorf (discografias completas), Klaus e Thomas Dinger a solo, Mani Neumeier, Spacebox (de Uli Trepte), Workshop (e se os Can, afinal, estivessem vivos?), Cluster (ao vivo no Japão), Die Krupps, Dunkelziffer (novo, ao vivo), Space Explosion, Tiere der Nacht e S.Y.P.H. (com Holger Czukay).

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La! Neu? – “Zeeland” (self conj.)

24.07.1998

La! Neu?
Zeeland (7)
Rembrandt (8)
Die With Dignity: Kraut? (8)
Captain Trip, distri. Ananana

O Novo Também Morre

LINK

“I’m trying to get you real when you are not”. A frase é cantada obsessivamente por uma voz feminina, ao longo dos oito minutos do tema de abertura, “To get you real”, de “Zeeland”, segundo álbum dos La! Neu?. ”Estou a tentar-me tornar-te real quando tu não o és”. É exactamente o que tem feito Klaus Dinger, o ex-Kraftwerk fundador dos Neu!, banda emblemática do “krautrock” dos anos 70 e dos La Düsseldorf, que fizeram a ligação do “krautrock” com o “punk”. Ao criar, já nos anos 90, os La! Neu?, uma aglutinação do nome destas duas bandas, Dinger perpetuou uma ilusão que no álbum de estreia, adequadamente intitulado “Düsseldorf”, levava ao absurdo um som característico que alguma crítica estrangeira apelidou de “motorika”: Batida seca e repetitiva, electrónica minimalista e tonalidades de folclore bávaro que nos La Düsseldorf chegaram a rondar o “kitsch”. A ilusão funcionou mas a realidade acabou por se impor. Os La! Neu? Nunca foram um grupo na verdadeira acepção da palavra (ao contrário dos Neu! e dos La Düsseldorf, onde era indispensável a presença do irmão de Klaus, Thomas Dinger) mas um projecto provisório que o próprio Klaus Dinger acabou por abandonar.
Os posteriores desenvolvimentos com a designação de La! Neu?, agora chegados em simultâneo ao mercado nacional, demonstram facetas curiosas da investida recente do “krautrock” nos anos 90. “Zeeland”, gravado ao vivo em estúdio no ano passado, reúne Klaus Dinger, a vocalista Viktoria Wehrmeister, Rembrandt Lensink e Andreas Reihser, teclista dos Kreidler. Viktoria canta como Xana, dos Rádio Macau, no já citado tema de abertura. Os 15 minutos de “Dank je sane” alternam entre a batida dos Neu! e “Ralf & Florian” dos Kraftwerk. Os Can, os Neu! e os Stereolab cruzam-se em “Champagne”, tipicamente “pós-rock”, se nos é permitido o paradoxo. Há ainda os típicos momentos de distensão com guitarra acústica e vozes desmaiadas que em “Neu175” eram puras ondas de prazer e a mãe de Klaus Dinger, Renate, a resuscitar Marlene Dietrich e velhas grafonolas da 2ª Grande Guerra, em “Zeeland”. Um álbum em que só a voz de Viktoria parece estar a mais…
“Rembrandt”, editado já este ano, intitulado a partir do nome de Rembrandt Lensing, é uma colecção de 25 miniaturas electrónicas gravadas em directo que já estão muito para lá das sonoridades arquetípicas do “krautrock”. É o álbum mais experimental dos La! Neu? Construído a partir de colagens de fragmentos sonoros que resultam numa imensa riqueza imagística, nas proximidades do ambientalismo industrial. Não aparece indicada a constituição do grupo.
“Die With Dignity: Kraut?”, também de 1998, ostenta um novo título paradigmático que, neste caso, é também o epitáfio dos La! Neu?. Pelo menos enquanto veículo de expressão de Klaus Dinger que já não participa neste disco, funcionando apenas como uma espécie de consultor e supervisor musical. Uns tais Brenner, Broszat e Guderia surgem como os três elementos principais da mais recente encaranação dos La! Neu?. Ou tratar-se-á, simplesmente, de uma brincadeira? Seja como fôr, “Die With Dignity” é uma deliciosa sinfonização de ruído, melodias “naif”, colagens (uma coz de criança sobre uma espécie de “scratch”, em “Kinderlied”), pós-rock saturado(“Kochrezept”, “Feuertag”), folk teutónico com sabor cósmico, a la Hoederlin e Emtidi (“Anruf aus brasilien”, “Magischer Traum”), Jazz com influências dos Faust, de “So Far” (“Ein Wahn”) e furiosas torrentes de ritmo pós-punk (“Es tut mir leid, ich bin normal”, “Peço desculpa por ser normal”), de uma brutalidade ainda mais intensa que a do álbum de estreia do grupo, “Düsseldorf”. A morte com dignidade do “krautrock”, segundo so La! Neu?, funciona como o derradeiro dos paradoxos, um exercício de ginástica que faz coincidir a sua negação com uma recuperação notável do “novo” – “neu” – que desde sempre o grupo de Klaus Dinger perseguiu.
Pela Captain Trip chegaram também álbuns dos Amon Düül II e La Düsseldorf (discografias completas), Klaus e Thomas Dinger a solo, Mani Neumeier, Spacebox (de Uli Trepte), Workshop (e se os Can, afinal, estivessem vivos?), Cluster (ao vivo no Japão), Die Krupps, Dunkelziffer (novo, ao vivo), Space Explosion, Tiere der Nacht e S.Y.P.H. (com Holger Czukay).

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