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Gryphon – “Gryphon” + “Midnight Mushrumps” + “Red Queen to Gryphon Three” + “Raindance”

POP ROCK
27 de Dezembro de 1996

Álbuns world

JOGO DO GRIFO

GRYPHON
Gryphon (7)
Midnight Mushrumps (9)
Red Queen to Gryphon Three (8)
Raindance (8)

Curious (ed. ingl.)/ Canyon (ed. jap.), import. Loja da Música e Planeta Rock


gry

Para os amantes do progressivo, em particular os que pretendem trocar as velhas rodelas pretas pelo disco prateado, é um acontecimento. Claro, a música dos Gryphon não encaixa propriamente na world, mas, como existem algumas ligações suspeitas, não parece mal.
Em Portugal, os Gryphon receberam alguma divulgação radiofónica através do álbum “Treason”, quinto e último da banda, com selo Harvest.
Foram acrimbados como mais uma variação do eixo Genesis-Gentle Giant. Classificação que, embora injusta, não era totalmente descabida, porque “Treason”, estando fora de questão a sua qualidade, evidencia características que o distinguem do som personalizado que fez dos Gryphon um dos faróis do progressivo tardio, entre 1973 e 1977. Uma fusão de rock progressivo perfeccionista, carregado das usuais toneladas de sintetizadores e teclados, com música e instrumentos antigos, da Idade Média ao Barroco, como a cromorna, o fagote ou a flauta de biesel, este último manuseado pelo “virtuose” Richard Harvey.
“Gryphon”, dos quatro álbuns o mais próximo da folk, inclui tradicionais interpretados de forma surrealista e de acordo com uma leitura teatral, situada, porém, nos antípodas dos Genesis. Na linha da frente, os sopros “antigos” de Brian Gulland – que viria a integrar uma formação tardia dos Malicorne – e histórias recambolescas de bruxas, princesas e trovadores. “Midnight Mushrumps” é um clássico do progressivo. A obra-prima encontra-se na faixa com o mesmo nome, que ocupa a totalidade do primeiro lado, vinilicamente falando. Uma “suite” instrumental de sombras, dourados pôr-de-sol, verdes húmidos e violetas de capelas em ruínas em que os Gryphon exploram o lado mais ambiental da sua música, cruzando de forma subtil a música antiga com uma espécie de folk de câmara. Imagine-se um sonho nocturno na serra de Sintra.
“Red Queen to Gryphon Three” trouxe alguma notoriedade para o grupo em Inglaterra. Ao contrário do que acontece no álbum anterior, a música, totalmente instrumental, explode em força e extroversão. As guitarras eléctricas rivalizam com os teclados, tocados de forma superior por Harvey, e o fagote de Brian Gulland. Harvey é simplesmente magnífico nos solos de flauta de biesel, cujas potencialidades desenvolveria em pleno no seu primeiro álbum a solo, de música barroca, “Divisions on A Ground”. “Second spasm”, uma sucessão de golpes de teatro e idiossincrasias electro-acústicas, lembra os Faust disfarçados de arlequins. As vocalizações regressam em “Raindance”, um cozinhado de feitiços electrofolk confeccionado por mestres. Do “ambiental naturalista”, com sons de chuva e de riachos (uma vez mais Sintra a espreitar), de “Raindance”, à comédia acústica de “Le cambrioleur est dans le mouchoir”, passando por uma versão “chantilly” de “Mother nature’s son”, dos Beatles. Os 16m de “Ein klein (heldenleben)” constituem, por seu lado, uma lição do “progressivo”. Para aprender a ouvir com outros ouvidos os anos 70.