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Füxa – “Very Well Organized”

Pop Rock

14 Maio 1997
poprock

Füxa
Very Well Organized
CHE-I, IMPORT. TORPEDO


fuxa

É notável a forma como grande parte das bandas conotadas com o pós-rock estão a recuperar as sonoridades inimitáveis do velho sintetizador analógico Moog. Nas mãos dos Füxa, a invenção do doutor Robert Moog torna-se um brinquedo. A música dos Füxa, inteiramente instrumental, como vai sendo, aliás, norma no seio do pós-rock, tomo como ponto de partida o som e vive do som pelo som, gerando-se a partir de órgãos electrónicos fanhosos, um baixo pneumático, guitarras minerais e Moogs em constante diversão. Se as estruturas são básicas, evoluindo em torno de pequenas melodias repetitivas ou de sobreposições de efeitos maquinais, o mesmo não se pode dizer das texturas sonoras, domínio por que deve ser apreciada a proposta, ainda em gestação, dos Füxa. Os temas, cíclicos, criam uma atmosfera hipnótica de feira fantasma, que remete, uma vez mais, para o modelo dos Cluster, ora na sua vertente mais industrialista, num tema como “Unexplained transmission repair”, ora no jogo de lego electrónico de um álbum que, ano após ano, cresce em importância, “Zuckerzeit”. Curiosas, ainda, as emulações da guitarra planante de Manuel Gӧttsching, em “Pleasant orbitings”, ou o súbito agigantamento do órgão, expandindo-se num registo neocósmico, em “Unified frequency”, a fazer lembrar os Tangerine Dream de “Alpha Centauri” e “Zeit”. Um universo a prometer futuros desenvolvimentos, com outra individualidade e ambição. (7)



Füxa – Accretion

18.12.1998
Füxa
Accretion (8)
Mind Expansion, import. FNAC

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Indiferentes ao esvaziamento progressivo do termo pós-rock os ingleses Füxa não esmorecem no seu empreendimento de redescoberta e utilização das sonoridades do sintetizador Moog que os Progressivos dos anos 70 usaram e abusaram há quase 30 anos atrás. Depois da violência escamosa e de uma certa faceta ritualística do seu disco de estreia, “3 Field Rotation” e da estranha obsessão com o órgão electrónico presente no posterior “Very Well Organized”, os Füxa parecem agora, mais do que nunca, extasiados, com a manipulação dos famosos filtros de frequência do Moog. “Accretion” é um manancial de sonoridades analógicas imediatamente reconhecíveis, de blips, e oims (peças como “City”, “Metro”, “Some soviet station” e “Karmaloop” são, neste particular, verdadeiros rebuçados para o ouvido) às quais, contudo, os Fuxa conferem uma aura de excitação e de novidade, como se este som só agora fizesse sentido, num trabalho de higiene contra o terrível branco asséptico de projectos de escritório como Oval e Microstoria. Com os Füxa os sintetizadores tornam-se de novo máquinas ao serviço dos humanos, com as imperfeições próprias de quem as manuseia mas também com a frescura e o deslumbramento de crianças a desmontarem os seus brinquedos. O “hip hop” é atirado para o caixote de lixo dos detritos sonoros (o mesmo caixote de lixo amachucado que os Jessamine poliram e deixaram estragar no seu novo álbum…) em “Convective envelope”, enquanto “Landings” relembra as velhas cerimónias rítmicas de “3 Field Rotation” e “Tonality” presta uma engraçada vassalagem aos OMD. Não podia ser mais pós-rock esta massagem sónica que os Füxa nos oferecem com a candura de quem sabe retirar o máximo prazer do som.