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Enya – “The Memory of Trees”

Pop Rock

20 de Dezembro de 1995
Álbuns poprock

Enya
The Memory of Trees

WEA, DISTRI. WARNER MUSIC


enya

Ela canta como um pássaro. Ela tem um sorriso de querubim. Ela parece uma princesa dos livros de histórias. Ela irradia “charme” e simpatia. Ela encanta. Ela vende. Ela não passa da cepa torta depois de um álbum não despido de atractivos como o produzido para a série de televisão “The Celts”. A partir daí, a fórmula substituiu a criação e afogou o (hipotético) talento. Enya faz as delícias de qualquer editora que tenha um cantinho reservado para a “new age” facção “étnica” mas não muito. A música de “The Memory of Trees”, como a de “Watermark” ou “Shepherds Moon”, serve para relaxar, ou acompanhar um bom Porto ou um licor refinado na companhia dos amigos. Não exalta nem aguça a atenção, mas cumpre com eficácia se utilizada como som de fundo. É amigável, prazenteira, embora sem chama nem carisma. Vive de adornos e pequenos passes de magia. Que neste caso são a “novidade” dos textos cantados em latim e espanhol (o gaélico veio para ficar), ao lado das semelhanças instrumentais, com Vangelis, e corais, com Jon Anderson, dos Yes, fase “Olias of Sunhillow”. Como prenda de Natal, até nem faz má figura, na sua embalagem bonita, ao estilo “ó p’ra mim tão diáfana e colorida!” a acenar da prateleira do hipermercado. Como tal, vamos perdoar e cantar em coro o “Jingle bells”. (5)



Enya – “The Celts”

Pop Rock

14 JULHO 1993
REEDIÇÕES

Enya
The Celts

CD Sonofolk, distri. XXX


The_Celts-capa

Junte-se uns pós de perlimpimpim “celta” e uma cosmética “new age” com uma produção asseada e uma voz brilhante como um azulejo de cozinha – e está encontrada a panaceia musical para todos os males do mundo. Versão feminina de Vangelis, Enya veste-se de fada em cada novo disco, envolvendo-se em brumas e estrelas cuidadosamente fabricadas em estúdio na criação de uma imagem de desenho animado em aventuras medievais. “The Celts”, estreia discográfica de Enya, composto para a série da BBC com o mesmo nome, consegue mesmo assim ser o seu melhor disco. Talvez porque, nesta altura, a senhora ainda mantinha um gosto real pela tradição da Irlanda, fruto da sua estada nos Clannad, nos álbuns “Crann Ull” e “Fuaim”. A voz rompe a camada de verniz, num par de temas enquanto as presenças de Liam O’ Flynn, na gaita de foles, e Arty McGlynn, na guitarra, garantem a credibilidade do projecto. Mais tarde, o excesso de doces causaria a indigestão. (6)

aqui



Enya – “Shepherds Moon”

Pop Rock

 

20 NOVEMBRO 1991

 

ENYA

Shepherds Moon

LP/MC/CD, WEA, distri. Warner port.

enya

Como é bom viver num mundo assim! O mundo de Enya é um mundo de fadas (ela própria deve ter asinhas) oculto entre as brumas de Avalon. Enya canta com voz de anjo, coros celestiais, arco-íris de bons sentimentos, algodão-doce para saborear nos momentos agradáveis da vida. O dia é cinzento, Enya é azul e dourado. “Shepherds Moon” não é muito diferente de “Watermark”, o seu antecessor: melodias etéreas, a mesma linguagem inspirada na mitologia celta, onde não falta sequer desta vez um título como “Lothlorien” e, em “Smaointe”, cantado em gaélico, um solo de gaita-de-foles de Lyam O’Flynn, dos Planxty.

Faz pena ver uma voz como a de Enya, plena de potencialidades para o canto tradicional, perder-se entre tanta futilidade. “Shepherds Moon” é um disco bonitinho, não conseguindo nunca ultrapassar a beleza de superfície, desinteressado das raízes profundas que, afinal, lhe servem de inspiração. Enya, como a fada Sininho, sobrevoa a “Terra do Nunca”, sem mácula de dor nem de pecado. É bom viver num mundo assim! (5)