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Elton John – “The One”

Pop Rock

8 JULHO 1992

COCÓ DE LUXO

ELTON JOHN
The One

LP/MC/CD Rocket, ed. Polygram

Que dizer de Elton John senão que é um grande artista? Os factos e os números não mentem: vendeu até à data 100 milhões (100, leram bem!) de discos em todo o mundo. Figura na lista dos 10 artistas que obtiveram o maior sucesso de sempre nos “tops” da “Billboard”. É ele que detém o recorde de sete (leram bem, sete!) concertos esgotados no Madison, no “huge” Madison Square Garden de Nova Iorque. Foi ele, Elton, o primeiro artista do Ocidente a conseguir mais oito (leram bem, oito!!) concertos esgotados em Leninegrado. Foi ainda ele, Elton, o primeiro artista de sempre a conseguir chegar a número 1 no tal “top” da “Billboard”. Mais, foi ainda e sempre ele, Elton, o grande, a conseguir a proeza de colocar sete (leram bem, sete!!!) álbuns consecutivos no topo do “top”.
Mas não acaba aqui a lista de proezas deste gigante da música pop. Este gigante, este mito de óculos não menos gigantescos, passou mais semanas nas listas de vendas do Reino Unido do que qualquer outro reles cançonetista ou grupeco, durante a década de 70. E se alguém, chegado a este ponto, ainda tiver dúvidas quanto à dimensão sobre-humana desta personagem única nos anais da arte contemporânea do nosso século, aqui vai o golpe final: Elton John escreveu até hoje para cima de 200 (leram bem, 200, d-u-z-e-n-t-a-s!!!!) canções. Amélia Muge ainda vai no primeiro álbum e já escreveu 600. Se o inglês sabe, vai haver bronca de certeza.
Perante estes factos esmagadores, o crítico sente-se impotente para conseguir glorificar ainda mais o semideus. Elton, “the one”, é único, a “star” glamorosa, o devorador de divisas e rapazinhos, o chapeleiro louco. Não disparem sobre ele que é apenas o tocador de piano. “The One” ultrapassa as expectativas e vai mais longe, na complexidade estrutural de canções bizarras à beira da vertigem, do que os últimos trabalhos de Phil Collins, músico com quem Elton partilha o gosto por um certo bacoco, perdão, barroco, e por um discurso inevitavelmente hermético, que permite associar as respectivas obras à escola bimboísta e a movimento “rock-cocó”.
Do que se ouviu, uma canção, pela sua simplicidade, resiste ao grande rodopio cósmico do génio em plena actividade – “Undertanding women” –, aquela em que o autor se confronta com os grandes mistérios do feminino e em que põe a nu o seu ser angustiado: “Some men reach beyond the pain of understanding women”. Elton John – que dizer? – é um artista inglês que, nos primeiros discos, teve a ousadia de cometer a ignomínia de fazer música autêntica, mas que, finalmente, entrou no caminho certo, que vai dar aos números acima referidos. É verdade, a capa foi idealizada pelo mago da moda Gianni Versace. Também é muito cocó. (1)

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