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Al Grey – “Snap Your Fingers” + J. J. Johnson – “J.J.’s Broadway” + Jack Teargarden – “Mis’ry And The Blues” + Ella Fitzgerald – “Sings Sweet Songs For Swingers” + Buddy Rich & Harry “Sweets” Edison – “Buddy Rich & Harry” + Mose Allison – “The Mose Chronicles — Live In London, Volume 2” + Charles Earland – “If Only For One Night” + Lea Delaria – “Double Standards” + Shirley Horn – “May The Music Never End” + Sheila Jordan – “Little Song”

(público >> mil-folhas >> jazz >> crítica de discos)
sábado, 20 Dezembro 2003

Swingue e divirta-se. Pendure na árvore trompetes e trombones. Faça karaoke com Ella, Sheila, Shirley e Lea. Acenda a lareira com “The mighty burner”. Surpreenda o homem de barrete vermelho com Mose e o seu“blues” da lua.

Este Natal, swingue!

Natal, prendas bem swingadas, jazz no sapatinho. Os discos que esta semana se recomendam são valores seguros, jazz sólido e a sério, para comover o coração e os ouvidos. Não exigem exclusividade, mas chamam insistentemente por nós. Canções, groove, classe, mesmo a excentricidade. Para oferecer aos amigos ou a si próprio

No mais recente pacote de miniaturas em cartão, com som remasterizado, da Verve, além de “cocktail jazz”, “crooning” e “lounge jazz” (“Tormé”, de Mel Tormé, “My Gentleman Friend”, de Blossom Dearie, “After the Ball”, de Frank D’Rone, “Grr” de Hugh Masekela…) há obras de insofismável grandeza.

AL GREY
Snap your Fingers
Argo, distri. Universal

O título diz tudo. Jazz com nervo. Tradição, swing imparável sob a liderança de Al Grey, trombonista com provas dadas na orquestra de Count Basie. Herbie Hancock dá um novo sentido ao termo “good time music” e Bobby Hutcherson, outra das estrelas presentes nesta sessão de 1962 (acrescida de outra, anterior, registada no “Birdland”), é o portento que se conhece. Billy Mitchell brilha no saxofonista tenor e Donald Byrd sola na trompete. “Just waiting”, balada com Hutcherson e Mitchell em grande estilo, chega sozinha para fazer o Natal.

J. J. JOHNSON
J.J.’s Broadway
Verve, distri. Universal

Outro trombonista fulcral da história do jazz, recuperado num registo de 1963. Neste verdadeiro “music hall”, o trombone preenche a maior fatia do enredo. Johnson, também autor dos arranjos, tem a seu lado mais três trombonistas, Urbie Green, Lou McGarity e Tommy Mitchell. A Broadway, em todo o seu esplendor de néons e lendas, passa por esta coleção de “standards” que percorrem os cartazes e partituras de “House of Flowers”, “Bye Bye Birdy” ou “No Strings”, de compositores como Harold Aren, Charles Strouse/Lee Adams, ou produtores como Richard Rodgers.

JACK TEARGARDEN
Mis’ry and the Blues
Verve, distri. Universal

Ainda um trombonista, Jack Teargarden, este ex-militante de outra “big band”, no seu caso de um dos “reis” da época dourada do “swing”, Louis Armstrong. “Mis’ry and the Blues” tem data de 1961 e, além do excecional desempenho técnico e expressivo no trombone (mas façam favor de reparar também na trompete de Don Goldie e no clarinete de Henry Cuesta, em “Basin’ street blues”), firme e emocionalmente enraizado no “blues”, Teargarden mostra-se igualmente como vocalista capaz de transmitir a nostalgia ébria de Nova Orleães. Voz (inspirada em certas acentuações de “Satchmo”) com tempero, nevoeiros de tabaco e a lucidez precária do álcool.

ELLA FITZGERALD
Sings Sweet Songs for Swingers
Verve, distri. Universal

Ella, ela, a rainha do jazz vocal, a luz que sai diretamente da alma. Frank DeVol assinou os arranjos e dirigiu a orquestra deste disco gravado em 1958 e 1959, com Harry “Sweets” Edison na trompete. Contém pérolas como “Let’s fall in love”, “Makin’ whoopee” e “Moonligt serenade”. Melodias que há muito nos bailam nos ouvidos, mas às quais a voz de Ella concede a graça com que o seu sentimento escorria como água, de um oceano sem fim diretamente para o coração das melodias. Tudo o que a voz d’Ella tocava transformava-se em ouro.

BUDDY RICH & HARRY “SWEETS” EDISON
Buddy Rich & Harry
“Sweets” Edison Norgran, distri. Universal

Eis Harry “Sweets” Edison, outro participante da “big band” de Count Basie, com quem tocou durante 17 anos, de novo em ação, desta feita numa gravação de 1955, em diálogos em voz alta com o baterista Buddy Rich. “Sweets” faz jus à alcunha que lhe foi posta por Lester Young, contrapondo o seu fraseado doce à batida musculada de Rich. O formato em quinteto, com Jimmy Rowles (piano), Barney Kessel (guitarra) e John Simmons (baixo) não impede o baterista de explodir numa série de solos num disco que exala a intimidade e o suor de uma “club session”.

Duas personalidades únicas, capazes de proporcionar um Natal jazzístico diferente. Mose Allison e Charles Earland. Em ambos o ritmo reina, mas os espíritos não poderiam ser mais divergentes. Mose, o “dandy” até hoje venerado pelos britânicos, sempre receptivos à excentricidade. Earland, “the mighty burner” negro, funky, capaz de pegar fogo ao órgão Hammond B-3.

MOSE ALLISON
The Mose Chronicles — Live in London, Volume 2
Blue Note, distri. EMI-VC

Mose Allison é um dos segredos mais bem guardados da história do jazz. Músico de músicos, continua a ser um segredo na posse dos poucos que exultam com a sua música e o brilho de uma personalidade inclassificáveis. A pop tem uma relação de fascínio com este natural do delta do Mississippi cuja visão idiossincrática do “blues”, do “boogie” e da canção influenciou ou tocou artistas como Tom Waits, John Mayall, Van Morrison, Georgie Fame, Ray Davies, os Stones e The Who (que chegaram a gravar uma versão de “Young man blues”). Mose, ainda hoje, aos 73 anos, disponível para tocar cinco noites por semana nos clubes londrinos (onde a assistência de fiéis não cessa de aumentar), trata o piano como se fosse um brinquedo e canta com a claridade de um “bluesman” imaculado e jovial. Canções ou instrumentais curtos que o próprio divide em três categorias: “slapstick”, “public service” e “personal crisis”. O “swing” é único e o humor (sigam os títulos…) não lhe fica atrás. O segundo volume destas crónicas recupera “looney tunes” fragilmente delirantes como “Swinging machine”, “Molecular struture”, o clássico “mosey”, “Your mind is on vacation” e “Do nothing till you hear from me”. Com vasta discografia dispersa por várias editoras, experimente-se, em alternativa, a antologia de canções (1957 a 1959) contidas em “Mose Allison Sings” (Original Jazz Clasics, distri. Dargil) onde, entre gozos e balanço inenarráveis, estão “The seventh son”, “Lost mind” (aqui está!) e o boooooogie pop, absolutamente viciante, “Parchman farm”. Com Mose Allison o Pai Natal tem bigodinho em vez de barba e veste-se de verde. Jazz na “twilight zone”.

CHARLES EARLAND
If only for One Night
HighNote, distri. Zona Música

Morreu fez a semana passada três anos, Charles Earland, “The mighty burner”, como ficou conhecido pelas sonoridades tórridas que arrancava ao órgão Hammond B-3, com as quais invariavelmente incendiava as audiências. O seu funk, encharcado no “blues” e “gospel”, não tinha a elegância de Jimmy Smith, o que compensava com um balanço poderoso, tanto no acompanhamento que podia raiar a pura religiosidade, como em solos de complexidade estonteante que, todavia, jamais perdiam a fluência do “swing”. “If only for One Night”, ultimo registo em vida, é “funky”, “bluesy” e “lounge”, e Najee (soprador de inspiração Wayne Shorter) transforma com o seu sax soprano a melodia de “My favorite things” (do filme “Música no Coração”) em “jazzbluesfusion”, doce e carregado de timbres frutados como um bolo-rei. Najee também toca tenor e flauta, mas é “The mighty burner” que mantém cada tema a andar como uma escada rolante.

Fazer coro com duas veteranas, Shirley Horn e Sheila Jordan, ou com a irreverente Lea Delaria, é outra maneira de transformar o dia de Natal numa festa de outra cor. As três percorrem, sem receio, os territórios da pop.

LEA DELARIA
Double Standards
Warner Bros. distri. Warner Music

Tem penteado “punk”, corpo cheinho e uma voz de notável plasticidade que lhe permite fazer jazz com barro pop. Se Muriel Zoe canta jazz com inflexões pop, Lea faz o contrário, cantando jazzy e “scatando” sobre “Call me”, dos Blondie, “Philadelphia”, de Neil Young, “Been caught stealing”, dos Jane’s Addiction, “People are strange”, dos Doors, “Tattoed love boys”, dos Pretenders, “Alliance”, de Robert Wyatt e “Longview”, dos Green Day. Canções que molda em “duplos”, novos “standards” prontos a usar pela comunidade jazz. Que não se iludam os puristas, o bom jazz passa por aqui. E excelentes “jazzmen” também, como Stephon Harris (notável no vibrafone e marimba), Bill Stewart (bateria), Christian McBride (baixo) e Seamus Blake (saxofone tenor). Ler Lea é ler o jazz com as letras trocadas.

SHIRLEY HORN
May the Music never End
Verve, distri. Universal

Ah… a classe e o “glamour” das grandes damas. Igualmente sem medo de pegar nas boas canções pop, Shirley Horn dispensa apresentações. Aos 67 anos, veste-se na capa como Liz Taylor, mas a voz continua a ter tudo no sítio. Faz com ela o que quer, seja em “Yesterday”, de John Lennon, “Watch what happens”, de Michel Legrand ou “Take love easy” de Duke Ellington (com Roy Hargrove na trompete). Mas os ouvidos ficarão colados, é quase certo, às lágrimas que escorrem de “If you go awy”, título inglês para “Ne me quitte pas”, de Jacques Brel.

SHEILA JORDAN
Little Song
HighNote, distri. Zona Música

Se Horn tem as altas temperaturas do interior, Jordan, 75 anos, possui o mistério, uma vibração mais dirigida ao cérebro e uma outra acutilância na forma de se apropriar da música índia, em “Little song”, ou da beatleaniana “Blackbird”. O timbre é mais nervoso que o de Horn, mas Jordan cultiva, além disso, a ousadia do “scat” (que Horn dispensou). Compreende-se. Sheila Jordan (casada com o pianista Duke Jordan) adaptou à voz temas de Charlie Parker e estudou com Lennie Tristano e George Russell. Horn é uma intérprete. Jordan junta-lhe a criatividade, a experimentação tímbrica, a agilidade e adaptabilidade a modos de sentir contraditórios que lhe permitem ser “várias” cantoras numa só. Steve Kuhn (piano), Tom Harrell (trompete, fliscórnio), David Finck (baixo) e Billy Drummond (bateria) formam o grupo de acompanhamento de luxo.

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Ben Webster – “Soulville” + Bill Evans – “Alone” + Chick Corea – “Rendezvous In New York” + Shirley Horn – “May The Music Never End” + Ella Fitzgerald & Louis Armastrong – “Again”

(público >> mil-folhas >> jazz >> crítica de discos)
sábado, 28 Junho 2003

O amor e a solidão, nos seus mais diversos cambiantes, foram tocados e cantados pelos mestres. Bill Evans, Ben Webster, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong disseram-nos que podem ser felizes.


O amor feliz

Ella Fitzgerald Louis Armstrong

BEN WEBSTER
Soulville
Verve
10 | 10

BILL EVANS
Alone
Verve
7 | 10

CHICK COREA
Rendezvous in New York
2xCD Stretch
8 | 10

SHIRLEY HORN
May the Music never End
Verve
7 | 10

ELLA FITZGERALD & LOUIS ARMSTRONG
Again
2xCD Verve
9 | 10

Todos distri. Universal



Seis meses antes de Bill Evans, Oscar Peterson abrira o caminho, com uma sessão de piano em solo absoluto, algo que até então não fazia parte das tradições mais comuns do jazz. Com “Alone”, de 1968, o autor de “Waltz for Debby” procurou atingir a “sensação do absoluto no ato de tocar sozinho”. Provavelmente atingiu-a. Para trás ficara, como confessou, o medo e a impressão que sempre tivera, de que sempre que um pianista tocava sem acompanhamento as pessoas não prestavam atenção e se entretinham a beber, a comer (se num bar) ou a conversar. “Música para jantar” não é certamente o caso de “Alone”, um álbum cuja delicadeza e nostalgia, habituais em Evans, a par das figuras de estilo e da elegância das modulações harmónicas, se sustentam numa sólida arquitetura matemática, menos intuitiva e bastante mais racional do que seria de supor, sendo o próprio pianista a acentuar a importância da estrutura e do “ratio” matemático. Rigor que não impede, antes liberta, o fluxo musical que, no formato típico do trio com contrabaixo e bateria, se confina a regras bastante mais rígidas. Claro que haverá sempre alguém disposto a utilizar esta música como fundo musical para a degustação de um bife (embora, na nossa opinião, ela ligue melhor com peixe fresco) o que, afinal, até se poderá considerar como um complemento daquele estado de “rêverie” que a música de Bill Evans tende a provocar no auditor. Embora seja lícito duvidar de que os 14 minutos e as constantes oscilações de registo de “Never let me go” possam constituir um bom auxiliar da digestão. Ao alinhamento original, a presente reedição remasterizada adiciona seis “takes” alternativos. “Alone” transporta-nos para a nossa própria solidão.
Será portanto aconselhável contrabalançar tal estado com outros menos acabrunhantes. O novo de Chick Corea, “Rendezvous in New York”, duplo CD gravado no formato de Super Audio CD com recurso ao DSD, tecnologia que recorre a “software” Pyramix (garantia de um som piramidal) associado aos processadores Pentium da nova geração, serve às mil maravilhas este propósito. Gravado ao vivo no Blue Note de Nova Iorque em Dezembro de 2001, os dois discos oferecem um “digest”, em várias combinações, do pianista, que vão do “concerto” clássico ao “free jazz”, com pouco espaço para a fusão.
No primeiro CD Corea aparece em duo com Bobby McFerrin, num triplo número de malabarismos vocais, em trio com Roy Haynes e Miroslav Vitous (na “Matrix” de “Now he Sings, Now he Sobs”, aqui recenseado recentemente), com Haynes, Joshua Redman, Terence Blanchard e Christian McBride (numa mnemónica da banda de Bud Powell que é o grande momento deste trabalho), em duo com o vibrafonista Gary Burton (recuperando o mágico “Crystal silence” gravado para a ECM) e com a sua Akoustic Band, num “Bessie’s blues” solto na tradição.
Do “outro lado”, de novo a Akoustic Band, mais “Armando’s tango”, tanguero q.b. mas não tanguista, na companhia dos Origin (Avishai Cohen, Jeff Ballard, Steve Wilson, Steve Davis e Tim Garland). Clarinetes quentes. Movimentos melódicos ainda mais. Notável o “Concierto de Aranjuez”, diálogo de pianos com Gonzalo Rubalcaba, que “riffa” com raro vigor nas mãos esquerdas do “hard bop” e se constrói em plena comunhão.
No pacote das remasterizações da Verve, dois clássicos, ambos de 1957. O primeiro chama-se “Soulville” e tem a assinatura de um dos maiores mestres de todos os tempos do saxofone tenor, Bem Webster. A balada de “blues” de abertura revela-se um daqueles momentos de luz absoluta que qualquer amante de jazz deve utilizar para converter os descrentes ao jazz. O saxofone fala diretamente ao coração (porque sai diretamente dele), respira no nosso peito, obriga-nos a enfrentar, sem defesas, a própria essência do “blues” e a penetrarmos nela. Sensualidade é a ideia que estamos a tentar fazer passar. Com a presença, não menos sublime, do piano de Oscar Peterson – o espírito. “Late date” sua a sexo puro. O lado mais rugoso e lúbrico do tenor segundo Webster num enlace em que o piano acerta na certeza de que o “blues” é o balanço perfeito. Quem se deixa apanhar, ou se casa ou se vicia. Quem sabe escutar os conselhos do pai do jazz tem a sabedoria do seu lado. E que dizer de “Lover, come back to me” ou “Where are you?”? Não há quem resista à força e ternura desta sedução, abraço trémulo, jazz do continente interior. Tenor-amor. Sensação em estado puro, sem intermediários. “Soulville”, podendo ser saboreado por todos os que retiram do jazz o sumo, faz transbordar (e chorar) de felicidade o epicurista para quem a música é o néctar oferecido pelos deuses. “Makin’ whoopee”. É o que apetece fazer.
O outro clássico, do mesmo ano de 1957, também tem a ver com quem sabia lidar com a felicidade, o que nem sempre é fácil: Ella Fitzgerald e Louis Armstrong juntaram-se em “Again”, depois de um primeiro encontro em “Ella and Louis”. Ou, como alguém comentou, “a match made in heaven”. “Makin’ whoppee”, de novo, claro, volta a entrar no alinhamento, instando-nos a fazer o mesmo. O grupo de músicos é praticamente igual ao de “Soulville”: Oscar Peterson (piano), Herb Ellis (guitarra), Ray Brown (baixo). Só o baterista é diferente, Louis Bellson, em vez de Stan Levey. Encontramo-nos com o património da balada na sua vertente mais lúdica. Ella e Louis cantam com a inocência (curioso verificar como o registo vocal de Armstrong foi moldado por Tom Waits na forma das cabeças que fecham de dia mas estão abertas toda a noite…) própria de quem não chegou a morder a maçã dada por Eva a Adão, mas mesmo assim guarda a sabedoria, “standards” como “Don’t be that way”, “Stompin’ at the Savoy”, “These foolish things”, “Love is here to stay” ou “I get a kick out of you”. Ella não esconde nada, embora cada uma das notas que canta seja uma lição de vida. Dele, Louis, “Satchmo” não conseguimos desligar a voz do sorriso. “Comes love” soa como algo que se desaprendeu de ouvir dizer e de dizer ao outro. Ella sabia-o. Ele sabia-o. E quando os ouvimos, sabemos também, milagrosamente, que o amor nem sempre vem para magoar.
Mas quando magoa, pode matar. Di-lo outra cantora de que não se pode desviar. Shirley Horn, de regresso com um novo disco, “May the Music never End”. Escutar no momento errado a sua versão de “Ne me quitte pas”, de Jacques Brel, na adaptação inglesa, “If you go away”, é sufi ciente para fazer o Verão terminar prematuramente. Shirley canta como uma contadora de histórias, estendendo o tempo, sempre lento, como um tapete às palavras, tão cantadas como declamadas. Roy Hargrove (trompete) e Ahmad Jamal (piano) são os convidados especiais desta coleção de “torch songs”, tão suaves que deixam no ar a esperança.

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