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El Hombre Trajeado – Saccade

26.01.2001
El Hombre Trajeado
Saccade
Human Condition, distri. A Orelha de Van Gogh
6/10

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Os El Hombre Trajeado não têm muito para dizer mas dizem-no com convicção. São escoceses e dos que ainda acreditam no pós-rock e este seu novo álbum pouco acrescenta ao anterior, também editado em Portugal, “Skipafone”. Pós-Rock significa para os El Hombre Trajeado o que este movimento apresentou nos seus primórdios, já faz sete anos desde que os Tortoise lançaram o seu disco de estreia: riffs de guitarra eléctrica circulares, bateria dividida entre o apelo das desbundas free e o compasso militarizado legado pelos New Order, e electrónica, de preferência analógica, a enfeitar. É esta a fórmula dos El Hombre Trajeado, perfeitamente assimilada à força da insistência, quase militância. Os riffs são desenhados a régua e compasso, a bateria avança em piloto automático, os sintetizadores insinuam-se com habilidade, dando cor a uma música, na essência, cinzenta. Mas o traje vai ficando apertado.

El Hombre Trajeado – Skipafone

18.02.2000
El Hombre Trajeado – Skipafone (6/10)
Guided Missile, distri. A Orelha de Van Gogh

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Referenciados pela distribuidora como aparentados aos Slint, Tortoise, Ganger, Appliance, Mogwai, Ui, him e Godspeed You black Emperor, os El Hombre Trajeado, oriundos de Glasgow, são bastante mais modestos do que a citação a todos estes nomes pode fazer supor. A música que praticam é inconfundivelmente pós-rock, o que, no estado actual do movimento, constitui já motivo de alguma apreensão. Nota-se, pela exploração exaustiva dos fraseados de bateria – ora “free”, ora militaristas e krautrock – e da guitarra, semiamplificada e vagamente frouxa, de acordo com um dos mandamentos do pós-rock enunciado não se sabe bem por quem… Mas estes escoceses – que já gravaram um single a meias com os Mogwai, participaram em três sesões para John Pell e fizeram as primeiras partes de concertos dos Sebadoh e Nick Cak Cave – defendem-se bem. Sem descurarem as obrigatórias alusões aos progenitores, dos mais velhos, como os Can, aos mais novos, como os Tortoise na fase da adolescência, o grupo consegue valorizar, por detrás da vitrina de lugares-comuns do pós-rock, pormenores reveladores de bom gosto e de alguma originalidade, seja nas vocalizações, por vezes de um tropicalismo suave, como nos Sea and the Cake ou nos… Can (em “Logo”), seja na disseminação de apontamentos de glockenspiel, slide guitar, melódica, electrónica discreta e até de uma campainha de porta. Tudo somado, “Skipafone” não ofende, mas também se dilui no esquecimento mal acaba o último tema, “Sleep Deep” – um bom conselho para depois da audição.