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Dire Straits em Lisboa: Centenas, Milhares, Milhões

Pop Rock

13 MAIO 1992

DIRE STRAITS EM LISBOA: CENTENAS, MILHARES, MILHÕES

O negócio deles é números. Com o disco e a digressão mundial “On Every Street”, os Dire Straits preparam-se para bater todos os recordes. Três anos na estrada é coisa nunca vista. Vão passar por cá no sábado, no Estádio de Alvalade, em Lisboa. Milhares de fãs vão venerar Mark Knoffler e acender isqueiros. “Love over gold” ou o contrário?

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“On Every Street” teve início em Dublin, a 23 de Agosto do ano passado, e acabará em 1993. Três anos entre o corropio das cidades e das divisas. As primeiras serão cerca de 300. As segundas, um pouco mais. Sete milhões de pessoas presenciarão ao vivo a pirotecnia de Mark Knopfler e companhia, com um gasto previsto de 350 mil litros de gás de isqueiro, admitindo-se que apenas metade daquele número de pagantes, ou seja, cerca de 3.500.000 pessoas, acenderão os respectivos isqueiros, o que corresponde a uma média de acendimento na ordem dos 2m30s por concerto, equivalentes a cerca de 10 centilitros de combustível por cabeça.
Não menos assombrosos são os números relativos a lucros e despesas de “On Every Street”, todos na casa dos seis ou mais zeros. Há quem fantasie e inflacione, tentando desestabilizar. Mas isso só os grandes o merecem. Avançou-se com uma estimativa de um bilião e 750 mil milhões de libras (cerca de 429 mil milhões de contos) relativa aos lucros totais da digressão e de 70 milhões (cerca de 17 milhões de contos) por músico, o que diga-se de passagem, está muito acima do ordenado mínimo nacional, mesmo em Inglaterra. Ed Bicknell, da organização, abana a cabeça e nega peremptoriamente tais quantias. Segundo ele, “On Every Street” por pouco que não dará prejuízo. Setenta milhões é o lucro previsto, sim, mas em bruto, ou seja, falta descontar as despesas que são muitas e quase deixarão os Dire Straits na penúria.
Calcule-se que os gastos médios por concerto dos Dire Straits rondam as 50 mil libras em recintos fechados e 125, 150 mil libras ao ar livre. Depois é o problema do preço dos bilhetes e a fatia arrecada pelo IVA. Por exemplo, em Inglaterra os bilhetes custam 20 libras mas 2,30 vão para os cofres do Governo. Das restantes 17,70 libras há ainda a descontar despesas várias que até podem incluir uma renda de camarim e uma taxa qualquer a cobrar pelo direito a ver o nome do artista afixado no exterior do edifício. Feitas as contas, os músicos irão amealhar 15 a 20 por cento das tais 17,70 libras, o que, reconheça-se, é pouco.
Mas, para os Dire Straits, “On Every Street” é mais uma cruzada que outra coisa. Uma verdadeira prova de amor à causa que, inclusivamente, os leva a ter por princípio jamais cancelarem um concerto. Em 13 anos de estrada, gabam-se de apenas uma vez isso ter acontecido: no Luxemburgo, durante a anterior “tournée”, “Brothers in Arms”, onde o palco ameaçava desabar sobre as primeiras filas da plateia. O organizador protestou. Os Dire Straits anuíram em tocar, na condição desse organizador permanecer durante todo o concerto mesmo à frente do palco. Não houve concerto.
No Estádio de Alvalade não deve haver esse perigo. Os milhares de pessoas que mais uma vez darão cabo do relvado poderão gozar em paz as guitarradas de Mark Knopfler, que, à semelhança do que tem acontecido um pouco por todo o lado, se estenderão por largos minutos, em cada tema. Em palco vão estar os seguintes músicos: Paul Franklin (“pedal steel”), Chris Witten (bateria), Phil Palmer (guitarra), Danny Cummings (percussão), Alan Clark (teclados), Mark Knopfler (guitarra, voz), Guy Fletcher (teclados), John Illsley (baixo) e Chris White (saxofone). Malta, toca a encher os isqueiros!