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Deep Purple – “Made in Japan”

Sons

30 de Janeiro 1998
REEDIÇÕES

Deep Purple
Made in Japan (7)
2xCD, EMI, distri. EMI – VC


dp

Abanem as carcaças de excitação, metaleiros, os deuses do “hard” regressaram da tumba, voltando a erguer a foice dos decibéis, para dar mais um bocado cabo dos vossos tímpanos. Não, não se trata de qualquer grupelho de meia-tijela, mas dos velhos e genuínos Deep Purple, os verdadeiros “speed kings” que há quase 40 anos deram um banho à concorrência, dos “bluesy” Tem Years After aos satânicos Black Sabbath. “Made in Japan”, gravado durante uma digressão dos Deep Purple pelo Japão em 1972, não esconde nada na manga nem na mesa de mistura. É tudo ao natural com a vantagem de agora soar com a pureza (?) da remasterização e a adição de três temas extra, remetidos para um segundo CD de 21 minutos onde cabem “Black night” (um dos primeiros “singles” do grupo), “Speed king” e “Lucille”. A versão longa de “Child in time”, com um solo demolidor de guitarra de Blackmore, é de fazer arrepiar os pelos do peito ao mais hirsuto fã do metal. Ian Gillan canta com o indispensável “falsetto” nos limites da histeria, Ian Paice bate, de princípio ao fim, forte e feio, na bateria. Roger Glover insufla ar quente no baixo. Jon Lord lá vai conseguindo esticar as tripas ao seu selecto órgão Hammond, depois de lhe terem tirado a guloseima da orquestra, em “Concerto for Group and Orchestra”, álbum de 1970. “Made in Japan” faz soltar adrenalina em quantidades industriais, atingindo o auge na fogueira final dos quase 20 minutos de “Space truckin”, onde Ritchie Blackmore volta a fazer miséria. O diácono soltaria uma das suas risadinhas de prazer. Não é o pão nosso de cada dia. Mas faz suar. Um clássico do género, para todos os efeitos.



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Deep Purple – “In Concert With The London Symphony Orchestra”

28.01.2000
Deep Purple
In Concert With The London Symphony Orchestra (1/10)
2xCD Eagle, distri. Música Alternativa


dp

LINK (parte 1)
LINK (parte 2)

Perguntar-me-ão vocês: porquê escrever, no ano 2000, sobre um disco dos Deep Purple, espécime sobrevivente do período jurássico? Boa pergunta. Porque é que estou a escrever sobre um disco dos Deep Purple? Ah, sim, porque o grupo foi importante há três décadas atrás, constituindo uma reserva moral para as novas gerações de heavy metal, e porque este novo álbum celebra o 30º aniversário de um outro disco com título semelhante, “Concerto for Group and Orchestra”, que, em 1970, juntou pela primeira vez uma banda de hard rock e uma orquestra sinfónica. A orquestra, a London Symphony Orchestra, era a mesma nesse e neste disco, a sala, o Royal Albert Hall, em Londres, também. Só a música é que envelheceu, apesar da formação clássica composta por John Lord, Ian Gillan, Roger Glover, Ian Paice e um elemento mais recente, Steve Morse, com a companhia do convidado Ronnie James Dio. Sem a chama de outros tempos (que, apesar de tudo ainda ardeu no recente e único concerto do grupo em Portugal) que fez dos Deep Purple pioneiros do hard rock, em álbuns seminais como “Deep Purple in Rock” e “Diamond Head”, este pastelão rumina baladas e arrota orquestrações balofas, recuperando no segundo CD o “Concerto for Group and Orchestra” que serviu de pretexto à feitura do disco. Servidos por um som sem impacto, cansados, sem ideias, os Deep Purple não passam hoje de um nome, outrora venerado. Nem a despedida, com “Smoke on the Water”, consegue despertá-los de novo para a vida. Lamentável.

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