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Dashiell Hedayat – “Obsolete”

Pop Rock

19 Fevereiro 1997
reedições

Dashiell Hedayat
Obsolete
MANTRA, DISTRI. MEGAMÚSICA


dh

Não é um disco obsoleto, mas um disco místico. Quando saiu, em 1971, na Shandar, com importação nacional, foi sofregamente adquirido pelos que, nessa época, andavam apanhados pelos Gong. Porque “Obsolete” é, de certa forma, um disco dos Gong. Daevid Allen, Didier Malherbe, Pip Pylem, Gilli Smyth e Christian Tritsh são os músicos participantes. Ou seja, a mesma formação de “Camembert Electrique”, que antecede a fabulosa trilogia “Radio Gnome Invisible”. Mas quem era, afinal, Dashiell Hedayat? Um poeta das relações dos seus homólogos da “beat generation” norte-americana, Ginsberg e Kerouac. E de William Burroughs, que aparece a meter a sua colherada vocal em “Obsolete”. Antes, Hedayat integra os Melmoth, com quem gravou “La Devanture des Ivresses”, cuja música pode ser apreciada num tema da colectânea “In the Land of Mantra” (ver POPROCK de 15 de Janeiro).
“Obsolete” é, como se depreende, um trabalho de desvairados. Preenchem-no dois temas longos. O primeiro, “Eh, mushroom, will you mush my room?” (o título é, por si só, um delírio), dividido em três partes, é uma “trip” psicadélica à maneira dos Gong, com declamações repetitivas de Hedayat, Gilli Smyth a espalhar gritos e gargalhadas com reverberação no infinito, guitarras ensopadas em ácido, o sax demencial de Malherbe e baladas de balouço na tradição dos Faust. O final tem Hedayat a ladrar e um epílogo imoral enunciado por William Burroughs.
“Cielo drive/17”, o outro tema, é uma viagem mais violenta pelo lado surreal do universo do ácido e dos bules voadores. Baixo obsessivo, rajadas cósmicas de sintetizador, uma voz de criança soprada da via-láctea e guitarras “from outer space” fazem de “Cielo drive/17” um clássico do “space rock”, entre “You shouldn’t do that” dos Hwkwind (de “In Search of Space”), “Continental Circus”, dos Gong, e as desbundas alucinadas do segundo lado do álbum de estreia dos Faust. Para ouvir com o volume no máximo.
Uma peça-chave da galáxia de “Canterbury”, com localização no seu quadrante mais longínquo. “Welcome to the planet!…”. Absolutamente obsoleto e indispensável. (9)



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