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Richard Thompson & Danny Thompson – Industry

Dentadas
Richard Thompson & Danny Thompson
Industry
Hannibal / Rykodisc, distri. MVM

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“Não se trata de fazer história da era industrial, do séc. XVIII até aos dias de hoje. Não penso que isso seja possível. A natureza de uma canção de três minutos obriga à pintura de pequenos quadros. É mais sobre as impressões causadas pela indústria e pelo seu fim… e a transição do industrial para o pós-industrial… É isto que espero que este álbum reflicta.” É nestes termos que Richard Thompson introduz o seu novo projecto de parceria com o contrabaixista e elemento fundador dos Pentagle, Danny Thompson, cujo percurso posterior, com o seu colectivo Whatever, está marcado pelo jazz.
Ainda segundo Richard Thompson – antigo guitarrista dos Fairport Convention que posteriormente formou dupla com a sua mulher Linda, enveredando, nos anos 80 e 90, por uma música de cariz experimentalista, ao lado de gente como Fred Frith, Henry Kaiser, Jon French (com os quais gravou um par de álbuns, incluindo o notável “Live, Love, Larf & Loaf”) e os pere Ubu -, “Industry” representa novo passo na sua carreira que, paradoxalmente, procura correspondência na glória dos seus álbuns a solo dos anos 70, encetados por “Richard The Human Fly”.
O tema de “Industry” é o ideal para Richard Thompson libertar todo o seu azedume e a sua reconhecida apetência para cantar os assuntos mais tristes e deprimentes. O encerramento das minas de carvão, o estado de degradação a que chegaram as cidades, o trabalho infantil, a resistência das mulheres, as greves e o desemprego são alguns dos temas abordados neste álbum de cores escuras, como quase todos na obra do guitarrista.
“Chorale”, o instrumental inicial, é uma despedida da Inglaterra rural, do seu estilo de vida bucólico e pastoral, asfixiado pelas máquinas da indústria. Outro instrumental melancólico, “Children of the Dark”, relata a escuridão de uma mina onde trabalhavam crianças. A guitarra e o contrabaixo flutuam num mar de desamparo em “Drifting through the days” antes de as cordas desatarem a chorar, entre o “progressivo” e a música de câmara. “Pitfalls” oscila entre os Gentle Giant e a escola inglesa de jazz, nos seus desenvolvimentos de violino e saxofone. O rock excêntrico de “Live, Love, Larf & Loaf” é redimensionado numa veia quase “rockabilly” pelos saxofones de Paul Dunmall e Tony Roberts, em “Big Chimney”.
A úncia nota de algum optimismo de “Industry” surge pela via de uma inversão/mutação que interioriza o fascínio pela força da estética industrial. “New Rhythms” acentua a cadência implacável da máquina, com a sua batida metálica e repetitiva, contra a qual se insurge uma gaita-de-foles, antes da derivação para um fraseado jazzístico. Mas é “Saboteur” o tema que melhor ilustra esta dialéctica de ódio/fascinação pela máquina. Um trabalhador de uma fábrica de algodão sente-se enlouquecer com o poder e o barulho ensurdecedor da maquinaria e decide sabotá-la. Mas, quando desce à cave para o fazer, fica hipnotizado pela beleza do metal, mostrando-se incapaz de levar a sua intenção por diante.
Participam em “Industry”, entre outros, o seu antigo companheiro nos Fairport Convention Dave Mattacks, na bateria, a cantora Christine Collister, Peter Knight (violinista dos Steeleye Span) e elementos dos Whatever, de Danny Thompson, nos sopros.