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Curd Duca – Elevator 3

30.06.2000
Curd Duca
Elevator 3 (8/10)
Mille Plateaux, distri. Ananana

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“Elevator 3”, subintitulado “digitalanalog mood music”, é um arranha-céus de 48 andares para subir e descer no elevador que existe dentro da cabeça de cada um de nós. Cada andar é um tema, ao todo são 48. Os mais curtos podem durar escassos três segundos, mal se consegue apanhar o seu sentido e logo outro passa com a mesma rapidez. Pó sonoro, estranhos lampejos electrónicos que Curd Duca dispõe como um edifício barroco formado por mil e uma arquitecturas sobrepostas. Interferências digitais, recortes de bossa nova, “dub” em estado de liquefacção, “cut-ups” de sonhos, microorquestras a pilhas, “easy listening” truncado, fragmentos etno-industriais, o enredo de “Elevator 3” tem de tudo um pouco. O fio condutor deste percurso não é fácil de apanhar, da mesma forma que não havia forma de escapar a um labirinto semelhante tecido nos anos 80 pelos Biota em “Vagabones & Rackabones”. “Atmospheric concep art” em que cada ambiente deriva de um “estado psíquico” específico para criar no auditor “emoções e pensamentos psicadélicos”, diz a editora. Dispositivos intuitivos aplicados À colagem desencadeiam uma multiplicidade de encadeamentos sonoros de lógicas contraditórias. As fontes analógicas sofrem mutilações ou extensões digitais. Cada som esconde-se na sombra de outro som, cada melodia, cada sample, cada imagem arrancada de um todo desconhecido, é sempre a introdução de outra música qualquer cujo alfabeto tem as letras trocadas. Pulsações, respirações, texturas, fotogramas, um “cadavre-exquis” que Curd Duca desenha desdobrando-se em múltiplas personalidades. Ou um surfista de ficheiros de som, como também há quem lhe chame.