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Koinurit – “Koinurit Encerram Circuito De Música Tradicional – Do País Dos Mil Lagos” (concerto / festival)

Cultura >> Terça-Feira, 08.12.1992


Koinurit Encerram Circuito De Música Tradicional
Do País Dos Mil Lagos


COM UMA série de actuações dos finlandeses Koinurit e dos portugueses Brigada Victor Jara agendadas para o Norte do país, encerra o “Circuito das Tradições Musicais Europeias” que ao longo deste ano a Etnia levou a cabo nas cidades do Porto, Guarda, Guimarães e Viana do Castelo. As duas bandas actuam hoje no Porto, no Teatro Rivoli, e dia 13 em Viana do Castelo, no Teatro Sá da Bandeira, Guimarães e Guarda verão actuar apenas a banda finlandesa, respectivamente dia 9 no Paço dos Duques e dia 10 no Estúdio Piidana. Todos os concertos marcados para as 21h30.
Dos países nórdicos, mais concretamente da Lapónia, os portugueses tiveram já a oportunidade de conhecer e escutar ao vivo a cantora Mari Boine Persen. Agora chegou a vez dos Koinurit permitirem aprofundar os laços culturais que ligam Portugal à Finlândia que, segundo alguns estudiosos, não são tão poucos como isso. Por exemplo, a língua. O finlandês até tem certas parecenças com o português, são ambas línguas pujantes, marcadas por acentuações vigorosas que gostam de pôr o maior número possível de músculos faciais em acção. Refira-se, a propósito, os títulos dos dois álbuns gravados até à data pela banda: “Yllatyspaartit” e “Askon Kolmrivinen”, que, agora de momento não consigo traduzir para português.
Considerados pela “Folk Roots” os “wild boys” da música finlandesa, os Koinurit são uma espécie de versão nórdica dos Fairport Convention na forma como juntam a extroversão da música de dança, composta na maioria por tangos, polkas e valsas, com o intimismo de canções de embalar ou outras baladas tão transparentes como a água (e em grande parte a cerveja) que banha e condiciona a maneira de viver e sentir das gentes do “país dos mil lagos”.
Os Koinurit integram na sua actual formação Arto Jarvela (violino, bandolim, baixo e vox), Perttu Paapanen (violino, acordeão e voz), Marko Rantanen (acordeão e voz), Olli Varis (bandolim, guitarras e voz) e Tapani Varis (saxofone, baixo e voz).
Banda de reconhecida qualidade, detentora de um currículo discográfico notável (“Eito Fora”, “Tamborileiro”, “Contraluz”, entre outros), a Brigada Victor Jara, encarregada de abrir os concertos do Porto e Viana do Castelo, acabou de editar o álbum de compilação “15 anos de Recriação da Música Tradicional portuguesa” que reúne alguns dos seus melhores temas com incidência no cancioneiro nortenho.
Ao cair do pano dos “Circuitos”, recorde-se que estes trouxeram a Portugal nomes como Lá Lugh, Whippersnapper, Trsiquel, Mari Boine Persen, Ad Vielle Que Pourra, Vasmalon, La Ciapa Rusa e Primera Nota, todos eles importantes na cena Folk internacional.

Trisquel – “Música Em Espiral” (concerto / Circuito das Tradições Musicais Europeias)

Cultura >> Quinta-Feira, 14.05.1992


Música Em Espiral

Integrados no “Circuito das Tradições Musicais Europeias”, organizados pela Etnia, os concertos dos galegos Trisquel voltam a trazer ao Norte de Portugal as vibrações e a magia da música tradicional. Depois de ter actuado no passado dia 6, em Guimarães, a banda da Galiza tem espectáculos agendados para hoje, na Guarda, no Estúdio Oppidana, dia 16 no Porto, no Teatro Municipal Rivoli, e dia 17 em Viana do Castelo, no Instituto Politécnico. Todos às 21h30.
Os Trsiquel (não confundir com os bretões Na Triskell) vêm creditados como “o grupo revelação” pela imprensa de Lorient, na Bretanha, local de realização de um dos mais importantes festivais de música tradicional da Europa. Nascidos em Vigo, em finais de 1989 e, à semelhança de outros grupos, no seio da escola de instrumentos populares galegos do “Obradoiro”, os Trisquel integram na sua formação actual Carlos, Nancy, Chiqui, Alberto e Bouza que à sua conta tocam em palco cerca de 25 instrumentos, todos acústicos, incluindo a sanfona, gaita-de-foles, flauta de bisel, bombo, requinta, alaúde, acordeão, clarinete, “tin whistle”, tambpr, pandeireta, congas, “bodhran” e conchas.
Com prémios obtidos nos festivais de Vilagarcia e Santiago, os membros dos Trisquel não se importam em demasia em ser ou não celtas. São-no, não por escolha, mas por essência e pelo chamamento da terra onde nasceram. Mais importante que todas as etiquetas é cantarem a Galiza, o seu passado, as suas lutas e lendas, os seus sonhos geradores de futuro e afirmativos de uma identidade que apenas aceita integrar-se num país onde as leis não são ditadas pelos senhores deste mundo. Assim diz o nome – a espiral tripla -, símbolo da unidade e consonância dos três mundos: do céu, dos homens e da natureza.