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Captain Beefheart & His Magic Band – “Trout Mask Replica”

Pop Rock

22 de Março de 1995
álbuns poprock
reedições

Manual de guerrilha

CAPTAIN BEEFHEART & HIS MAGIC BAND
Trout Mask Replica (10)

Reprise, distri. Carbono


cb

Ponto um: Captain Beefheart, aliás Don van Vliet, é louco. Ponto dois: Trout Mask Replica, editado originalmente em álbum duplo em 1970, com o selo Straight, é uma obra-prima. Ponto três: Ao longo do último quarto de século poucas pessoas repararam no ponto anterior. Bom, também é verdade que esta personagem “sui generis” nunca o facilitou. A sua música foi desde sempre difícil de digerir para quantos gostam de ter a papinha toda feita. Frank Zappa foi um dos poucos a compreender o alcance da obra revolucionária deste excêntrico, que afirmava existirem no mundo “apenas 40 pessoas e cinco delas eram ‘hamburguers’” e cuja voz, capaz de se desdobrar, rezam as crónicas, por quatro oitavas e meia, destruiu certa vez um microfone, durante uma gravação em estúdio. Zappa e Beefheart (nome inventado por Van Vliet a partir do filme, projectado por ambos, mas nunca realizado, com o título “Captain Beefheart Meets the Grunt People”) gravaram juntos um disco chamado “Bongo Fury”, tendo sido ainda Zappa quem produziu para a sua própria editora, a Straight Records, “Trout Mask Replica”. O álbum, composto por Van Vliet em pouco menos de oito horas (!), é uma combinação, com grau máximo de acidez, dos blues, reduzidos à sua essência mais visceral, com o free-jazz e o psicadelismo em fase de ressaca. Um objecto que na época não encaixava nem no passado recente nem no movimento progressivo então em fase de expansão. As vocalizações de Van Vliet recordam os velhos “bluesmen”, mas a tendência para o grito e a convulsão, o humor corrosivo e os delírios dos vários instrumentos, entre os quais a harmónica e o saxofone sem rédea do próprio capitão coração de carne de vaca, impediam qualquer acomodação às linhagens tradicionais. “Trout Mask Replica”, com as suas estruturas abertas à improvisação, mandou todas as regras às urtigas e serviu de bíblia a grupos do PREC posterior ao “punk”, como os Pere Ubu, Pop Group e James Chance and the Contortions/James White and the Blacks. Em 1995, o disco continua a ser um manual de guerrilha.



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