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Bill Laswell – “Baselines”

Pop Rock

17 de Maio de 1995
álbuns poprock

Bill Laswell
Baselines

CELLULOID, DISTRI. MEGAMÚSICA


bl

Bill Laswell, o maior faz-tudo da música actual, no sentido em que faz realmente tudo, desde produzir, editar e tocar com toda a gente até investigar nas mais recônditas áreas musicais, assina aqui um dos seus projectos mais conseguidos, num território – o da “funky” urbano-tribal – que ele ajudou a desbravar com os Material e os Massacre. Neste disco, Laswell procede como que à dissecação das possibilidades do baixo eléctrico (utiliza cinco variedades deste instrumento), enquanto catalisador e aglutinador de núcleos rítmicos que, partindo das raízes africanas, foram rapidamente assimilados pela cultura de rua norte-americana e, em paralelo, transformados pelas novas tecnologias de reprodução e samplagem. Em “Baselines” não está ainda patente o lado “etno” que viria a tornar-se obsessivo, na procura de linhas de dança hipnóticas que seriam levadas ao extremo da música cósmica electrónica, na parceria de Laswell com o sintetista Pete Namlook, para o selo Fax. Era ainda o tempo da liberdade e da manipulação do jazz, por um “combo” de privilegiados em que figuravam Michael Beinhorn, Ronald Shannon Jackson, George Lewis, Ralph Carney, Fred Frith, Martin Bisi e David Moss, a nata de uma certa vanguarda que soube dotar a experimentação com a energia e o “punch” rítmico característicos do rock. (8)



Jah Wobble’s Solaris – “Live in Concert” (self conj.)

18.04.2003

Jah Wobble’s Solaris
Live in Concert

Jah Wobble
Fly

30Hertz, distri. Universal

6/10

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Ostentando os números 18 e 19 da série hertziana, “Live in Concert” e “Fly” são os mais recentes desenvolvimentos de Jah Wobble, o paquiderme do baixo. “Live in Concert” reúne uma formação de luxo com o pianista Harold Budd, o baterista dos Can, Jaki Liebezeit, o trompetista com um pé no jazz e outro na “world”, Graham Haynes, e um sefundo baixista na pessoa do igualmente proboscídeo Bill Laswell. Apresentado como uma abordagem “holy minimalist” de “texturas jazz, world e dub” embaladas numa “paisagem modal”, “Live in Concert” varia entre a jam adrenalínica, o “dub” pneumático de baixas frequências e próteses rítmicas enxertadas a partir do material genético dos Can, com os dois baixos e a “human drum machine” Jaki Kiebezeit a carburarem em tandem. Falta subtileza a estas divagações oleosas que deveriam homenagear a fábula metafísica saída da pena de Stanlislaw Lem. “Fly” compõe-se de 11 “voos” cuja tripulação integra Clive Bell, Harry Beckett e Jean-Pierre Rasle. De nada valem, porque logo à segunda descolagem a aeronave despenha-se contra as cordilheiras da “etnoseca” com selo Enigma. O resto é a dose habitual de “dub”, funk & house, um magnífico voo nº4 a fazer lembrar o “Requiem” que permanece até à data como a obra mais conseguida do ex-P.I.L. e uma sequela requentada da folk universalizante que Jean-Pierre Rasle ajudou a criar nos Cock & Bull. O melhor são as fotos da capa.