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Bagad Kemper – “Hep Diskrog”

Sons

25 de Junho 1999
WORLD


Os “ladrões” de Bagad

Bagad Kemper
Hep Diskrog (9)
Keltia, distri. Megamúsica


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É a primeira grande surpresa da folk europeia deste ano. Vinda de onde menos se esperaria: do universo, até agora perfeitamente delimitado, das bagads bretãs. Com o seu novo álbum, “Hep Diskrog”, a nossa bem conhecida Bagad Kemper (já tocou na segunda edição do Intercéltico) mandou às favas a tradição (das bagads, já se vê…), obrigando a repensar o papel deste tipo de formações no futuro da música da Bretanha. Concebidas para um tipo de música mais em força do que em jeito, equivalentes às “pipe bands” militares escocesas, as bagads são compostas por três secções instrumentais de gaitas-de-foles, bombardas e percussões. Concorrem entre si em inúmeros festivais organizados para o efeito, sendo o impacto sonoro que provocam absolutamente estarrecedor, sobretudo quando não uma mas várias bagads se juntam para tocar ao mesmo tempo. “Hep Diskrog” foge a estas regras, propondo uma abordagem de outro tipo. O título-tema, composto pelo director artístico da formação, Jean-Louis Hénaff, e apresentado no campeonato de bagads de Lorient de há dois anos, é uma “suite” de 19 minutos em que as gaitas, as bombardas e as percussões percorrem uma gama de registos que, sem perderem a energia e o poder dos uníssonos característicos de uma bagad, colocam o acento na composição e na demonstração de um fabuloso trabalho de arranjos, numa sequência de movimentos que atinge as raias do épico. Não há Irmandade das Estrelas, Riverdance ou Héritage des Celtes que resista a esta maré vibrante trazida pela Bagad Kemper, um colectivo em actividade desde 1949 e que, à beira do novo milénio, arvora a bandeira da revolução. Além de “Hep diskrog”, “Karreg an tan” e “C’hoarzadeg”, outros dois títulos extensos, ou “Ela ela”, com um toque oriental, permitem à Bagad Kemper competir, de igual para igual, com formações de estéticas mais evoluídas como os Skolvan, Strobinell, Storvan ou Skeduz. Gilles Le Bigot e Johnny Clegg (no último tema, “Emotional allegiance”, um choque para muitos, onde a Bagad Kemper franqueia sem vergonha as portas da pop de fusão – da Bretanha com África – num tema que faria miséria nos tops!…) são alguns dos convidados de um disco absolutamente surpreendente e, voltamos a frisar, revolucionário.