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Any Old Time – “Crossing”

POP ROCK

16 de Outubro de 1996
world

Any Old Time
Crossing
DARA, DISTRI. STRAUSS


aot

Outro só para os adeptos. A questão, em termos de crítica, coloca-se em termos simples: para aquela camada de público já familiarizada com a linguagem e as diversas tipologias da música tradicional irlandesa, só existe um método de aferição da qualidade (ou falta dela) de uma determinada obra; a audição. Como no jazz, com os seus subestilos particulares, não é o domínio do virtuosismo técnico ou da escolha de reportório que faz a diferença, mas sim a sensibilidade, a maior ou menor capacidade de expressar algo que, no caso da música tradicional, tem raízes no colectivo. E essa capacidade expressiva só a sensibilidade e a intuição do auditor permitirão uma avaliação qualitativa, que, em qualquer caso, nunca radicará na análise. Assim se compreende que o leigo arrume toda a música tradicional irlandesa no mesmo saco, apanhando as formas – por regra de elevado nível, tal como no jazz – sem lhes apreender o fogo. “Crossing” é mais um disco de “Irish traditional music”, sem nada de especialmente inovador que o distinga de dezenas de outros. Com base em material oriundo condados de Cork e Galway ou do “midwest” norte-americano, o trio composto por Matt Cranitch, na rabeca, Dave Hennessy, no “melodeon” (variante de concertina) e Mick Daly, voz, guitarra e banjos, faz, com apreciável dose de interiorização, a reinterpretação, em moldes clássicos, de “reels”, mazurkas, polcas, “jigs” e “barndances”, suavizados por canções com sabor a emigração e a distância, com raízes no legado de gente antiga e ilustre como Pete Seeger, Woody Guthrie e Tom Paxton. Não dá para grandes parangonas mas, lá está, haverá provavelmente um cantinho para ele na estante do adepto. (7)

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