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Ani DiFranco – To The Teeth

14.01.2000
Ani Di Franco
To The Teeth (8/10)
Cookin Vynil, distri. Megamúsica

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Não é uma interlocutora da alma humana como Suzanne Vega, nem uma esteta como Joni Mitchell, mas uma mulher de trabalho e uma compositora prolífera de cuja pena resultam invariavelmente álbuns sólidos e marcados por uma personalidade forte. Falamos de Ani di Franco que em “To the Teeth” assina mais um disco onde as palavras, sempre acutilantes, valem tanto como a sua conhecida veia experimentalista, o que a leva a juntar um “background” folk/country (formado em volta das mesmas fogueiras onde se aqueceram Suzanne Vega e Michelle Shocked) a linguagens mais actuais, com a electrónica a mandar sem vergonha e, numa faixa como “Carry you around”, o hip hop a dirigir os passos de dança. Depois, o swing vocal de Di Franco é por vezes incómodo, quase desequilibrado, devedor de Joni Mitchell, em “Wish I may”, mas mais frenético. É uma desassossegada por excelência, atenta ao balanço do jazz, que agarra de forma irresistível em “Going once”, “Back back back” e “Swing” (sempre com a ajuda inestimável do saxofonista Maceo Parker), tribal em “Freakshow”, irmã de Matilde Santing em “Hello Birmingham”, electrónica e “country” em “The arrivals gate”, intimista em “Providence”, para finalmente afogar as mágoas num copo sem fundo em “I know this bar”, cuja ternura dorida, presente nas entoações vocais, evoca do outro lado do espelho a pose mais “arty” de Suzanne Veja. Ani é gosto acre, um olhar de frente, uma dentada no coração.

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Ani DiFranco – Up Up Up Up Up Up

29.01.1999
Mãos Para Cima
Ani DiFranco
Up Up Up Up Up Up (8)
Cooking Vinyl, distri. Megamúsica


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Ao fim de nove anos de carreira e doze álbuns gravados, não se pode dizer que Ani DiFranco seja dada a poupanças no que diz respeito a mostrar ao mundo as suas capacidades de compositora-intérprete. “Up Up Up Up Up Up” (Por pouco não chegava a “Seven-Up”…) é o 12º álbum da sua discografia e surge não muito tempo depois de “Little Plastric castle”, cujas vendas, a rondar os 244 mil exemplares, o levaram a subir ao 22º ligar do top de vendas do Billboard. Para Ani DiFranco, não se põe, sequer, a questão do esbanjamento. Primeiro, porque o seu talento chega e sobeja para encher álbuns de enfiada. Depois, porque ela própria detém todo o poder sobre a carreira, já que lhe pertence a editora para onde grava, a Righteous Babe, com sede em Buffalo, de onde é natural. Desta maneira Ani DiFranco tem inteira liberdade para fazer aquilo de que mais gosta: a reavaliação constante da sua música e da sua evolução enquanto intérprete. Ani DiFranco adopta as suas próprias normas, que passam ao lado da estrutura convencional da canção. Em “Up Up Up Up Up Up”, trata-se da exposição de ambientes e cambiantes interiores que Ani veste com arranjos atmosféricos, vagamente jazzy nalguns casos, declaradamente experimentais e quase obsessivos noutros. Mathilde Santing (repare-se na semelhança de entoações e de timbres, em “Come away from it”) e Suzanne Vega, (numa simbiose com Kate Bush, em “Virtue”) serão, porventura, os dois nomes mais próximos das suas próprias concepções e motivações estéticas. O gosto pelo insólito e pela camuflagem vocal estão presentes em “Jukebox”, “Trickle down” e “Angel Food”, neste caso com a voz enfiada no mesmo cabaré-jazz e nas mesmas noites negras de Barry Adamson. “Hat shaped hat”, a digressão de onze minutos e meio finais, dispara em acentos jazz e “funky” com as agulhas apontadas para a pista de dança, entrecortados por interjeições e acentuações bizarras reveladoras de uma coragem e de uma maturidade que em “Little Plastic Castle” já eram visíveis, mas que em “Up Up Up Up Up Up” se confundem com um saudável descaramento. Para cima, sempre para cima, parece ter-se tornado o lema definitivo desta compositora, que, também no cinema, não pára. Depois de assinar participações nas bandas sonoras de “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, “O Chacal” e “All Over Me”, Ani DiFranco está pronta para compor para “Steal this Movie (Abbie!)”, um “biopic” independente sobre a vida de Abbie Hoffman, com realização de Robert Greenwald. Também na televisão a voz de Ani DiFranco pode ser ouvida, na série de humor The Mississipi River: River of Song. Quanto ao 13º e próximo álbum, já não deve tardar…

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