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Andreas Vollenweider – “Live, 1982 – 1994”

Pop Rock

8 de Março de 1995
álbuns poprock

Andreas Vollenweider
Live, 1982 – 1994

COLUMBIA, SONY MUSIC


aW

Sempre constituiu para mim um enigma saber quem ouve e compra os discos deste austríaco cabeludo que toca uma harpa cheia de truques e uma salada musical que combina uma electrónica suave com músicas “étnicas” pegadas pela rama, da América do Sul à celtitude, passando pela África. Podemos talvez considerá-lo o inventor da “etno-muzak”, mas e daí? É que a música de Vollenweider não é suficientemente anódina para funcionar como fundo ambiental nem suficientemente interessante e focada para atrair a atenção durante mais que uma meia dúzia de segundos, ao fim dos quais a curiosidade se dá por satisfeita e a aversão se instala. Os títulos das faixas são místicos – Vollenweider é um místico, se é que não perceberam já, gravou até um álbum, parece que vendeu bem, chamado “Caverna Magica” -, tais como “Cheng lunar”, “Night fire dance”, “Book of roses”, “Song of Isolde”, “The woman and the stone”, Arion”, “Pyramid” e outros que tais. Magia a dar com um pau. Magia que não é negra nem branca, mais cocó de bebé. Por baixo da camada sonora superficial, não há nada. É o vazio. Quando soa mais consistente parece Vangelis, como em “Down to the moon”, Jean-Michel Jarre, como em “Night fire dance”, ou uma menina cuja voz é uma mistura de Loreena McKennitt com Maggie Reilly, em “Song of Isolde”, “Jours d’ amour” e “Desert of rain”. A música chinesa é ofendida em “Lunar cheng”, o flamenco, em “Micro-macro” e “Letters to a young rose”, o jazz-rock em “Book of roses” e “Flight fleet & root hands”, e o tango em “Angӧh!”. No geral, é o estilo de coisa que Richard Clayderman faria se em vez de piano tocasse harpa. Um ligeireza pirosa que nem as “improvisações” a solo neste instrumento espalhadas pelo disco conseguem evitar. Não é o céu nem o inferno, mas o limbo. Esse lugar onde se espera em vão que algo aconteça (1).